Última Moda
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A FESTA DO CABELO MOLHADO
(OU DE COMO KATIE GRAND MANTEVE O TÍTULO DE MAIOR STYLIST DO MUNDO COM A AJUDA DO MAR DO RIO DE JANEIRO)

Sair de cabelos molhados é um atrevimento. Os fios ainda úmidos guardam um certo charme de água, dão à mulher uma liberdade de quem desacatou os ferros de esticar e trocou o vento artificial do secador por uma brisa qualquer ou por um pouco de sol.

 

O cabelo molhado é também uma afronta das garotas às suas mães, tão avessas a esse tipo de informalidade capilar. As mães, que segundo as lendas do tempo também foram meninas de algum topete, sabem muito bem do potencial encantador da água e, por um misto de cuidado e falta de generosidade, tentam impedir as filhas de exibirem cabeças molhadas longe de ambientes óbvios como praias e piscinas.

 

Usar cabelo molhado em festas importantes é quase inimaginável. Para essas ocasiões lotam-se os salões, os cabelos viram massa de modelar e saem entre petrificados e calculadamente desarrumados. Molhados? Ah, isso não saem.

 

Mas, no mês passado, aconteceu que uma moça chamada Katie Grand esteve no Rio de Janeiro para uma festa e não foi ao salão de beleza. Mulher de fama e muito jovem, carrega nas costas o título de “a maior stylist do mundo”. Deve ser pesado, imagino. Os títulos são assim: geram expectativas grandes, confundem trabalho e essa substância fugidia (e talvez inexistente) que se chama o eu da pessoa.

 

Houve uma festa na qual Katie Grand era esperada com olhos em brasa. Moças e senhoras em seus melhores modelos, algumas até deformadas pela ânsia de agradar um grande Outro muito exigente, Outro esse que não poderia ser a tão moça-humana Katie Grand, mesmo com seu grande título e influência, mas que ficou sendo, porque explicar o grande Outro é coisa tão fácil quanto achar um Saci já preso na garrafa.

 

Katie Grand entrou num vestido preto, o que decepcionou grande parte da plateia, que imaginava Katie Grand com uma roupa de “maior stylist do mundo”, e essa roupa não seria um tubinho reto da cor que brigou com a luz. Tinha um lenço misterioso amarrado no pescoço (o mistério fica por conta da falta de frio que justificasse o lenço grande, talvez uma dor de garganta) e uma sandália de salto que ninguém pôde identificar como assinada por esse ou por aquele nome, era só uma sandália. Nos cabelos, uma tiara meio desengonçada. E água. Katie Grand foi à grande festa no grande salão do grandiosamente decorado Copacabana Palace de cabelos molhados.

 

Daí que Katie Grand foi chamada então de desleixada. E de gorda. E de feiosa. E de mal vestida. As mais exaltadas queriam arrancar-lhe o título à força. E esses foram apenas alguns dos comentários que circularam entre taças, garçons, moças de nariz empinado e uns poucos quilos de Donatella Versace, essa de cabelos longos, louros, e muito escovados, aparecidos e justinhos no lugar, de certo para combinar com o vestido.  

 

Eu, que nem sou fã das revistas e do título de Katie Grand, não pude desviar os olhos de Katie Grand, porque Katie Grand estava desafiando a festa chique com seus cabelos molhados. Me deu um orgulho de Katie Grand, como se Katie Grand fosse uma amiga querida capaz de uma inadequação assim tão charmosa.

 

Pensando sozinha diante da galeria de espelhos do banheiro do Copa, muito vazio e sinistro, um pouco triste até mesmo para um banheiro, analisei o título de Katie Grand e concluí, afinal, que ele deveria continuar com ela.

 

Numa festa carioca, a tentação da moça estrangeira é afirmar sua estrangeirice com coisas trazidas de seu país ou querer ser um pouco típica do Brasil, o que é de se entender sem pensar muito. O Brasil (seja lá o que for), quando se chega pelo litoral, pode ser extremamente sedutor.

 

Katie Grand quis, quis?não sei se quis, mas o fato é que vestiu, e, sem pensar ou de propósito, o fato é que não há simples acaso, o acaso é sempre complexo, então eu digo assim: Katie Grand vestiu um pouco do Rio, mas não escolheu a cor. Também não arriscou uma estampa tropical. Katie Grand não subiu na sandália de prata nem tentou balançar uns balangandãs. Do Rio, Katie Grand escolheu o mar. E foi com o mar na cabeça, enfrentando os comentários de desleixada, feia, gorda e mal vestida, ciúme infantil das convidadas, invejosas daquela ideia tão simples do acessório líquido que fez de Katie Grand, a moça estrangeira com o título grande de maior stylist do mundo, a mais carioca entre as presentes e a única capaz de revelar, despudorada, às altas horas da noite e a portas fechadas, que o “it” das meninas do Rio é um atrevimento molhado e ondulado de mar.

Escrito por Vivian às 20h10

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A MODA RURAL DE CHANEL

Um dos lugares-comuns mais utilizados pelo meio fashion, e não só no Brasil, é a expressão: "moda urbana". Há variações, como "mulher urbana", "estilo urbano", "look urbano" etc. Frequentemente, ouvimos estilistas as empregarem, em frases como esta: "Minha coleção é para uma mulher urbana". Ou esta: "Minha moda é muito urbana". E assim por diante.
 
Sempre me causou certa estranheza a associação das palavras "moda" e "urbano", não apenas porque a combinação é utilizada com muita frequência, mas também porque me parece um pleonasmo.
 
É claro que a palavra "moda" pode ser utilizada indiscriminadamente para agrupar as vestimentas e os estilos de diferentes épocas ou lugares, como, por exemplo, quando se diz "moda egípcia" ou "moda das tribos africanas".
 
Mas, no sentido forte, salvo ignorância minha, o conceito "moda" se aplica apenas a um processo socioeconômico que está ligado, justamente, à formação das cidades na época moderna, a partir sobretudo do século 15 e 16, além de estar relacionado à emergência da indústria de tecidos, à formação dos ateliês de costura e à irradiação de estilos (e suas constantes modificações) pelas aristocracias nacionais.
 
À medida que a "moda" vai se tornando cada vez mais um parâmetro de comportamento nas cidades, com o meio aristocrático e burguês adotando as mudanças consecutivas ao sabor da época e das influências, o mundo rural (estamos falando dos milhões de pobres que vivem no campo) permanece em boa parte alheio à moda, alterando muito raramente o estilo de suas vestimentas.
 
A influência da moda se ampliou nas sociedades enquanto a urbanização progredia. Toda uma economia fashion (indústria, grandes magazines, publicações etc.) se desenvolveu a partir da difusão da moda nos pequenos, médios e grandes centros _até o ponto de criarmos megacidades. Parece haver uma relação necessária entre a economia e o ritmo social da urbanização com a difusão da moda. A conferir.
 
Por fim, a própria moda se transformou com as mudanças ocorridas nas cidades. Há poucos anos apenas a população urbana do mundo superou a rural, mas, hoje, podemos falar de cidades "globais" _ou seja, daquelas cidades que estão em permanente conexão entre si, desenvolvendo identidades e nexos comuns e particulares, para além das especificidades nacionais. E podemos também falar, portanto, de uma moda "global". 
 
Embora não estivesse tão sujeito ao movimento de substituições sucessivas implícito na ideia de "moda", isso não quer dizer que o meio rural não criou, de alguma forma, estilos marcantes e relevantes _e basta citar como exemplo a (excepcional) vestimenta do cangaço brasileiro.
 
Há outros casos, relacionados aos costumes de tribos indígenas, de pequenas populações agrárias ou variados grupos que ainda conservam tradições antigas nas roupas. Por isso mesmo, entre fashionistas, há quem se refira a esses estilos como sendo "moda étnica".
 
Referências de tais universos culturais são muito utilizadas em coleções, como base da criação, naturalmente adaptadas ao uso contemporâneo. Nas últimas temporadas de moda, chegou a ser até mesmo chique e "trendy" fazer moda com inspiração "étnica". Mas pouca gente _ou nenhuma_ gosta de referir às suas roupas como sendo baseadas num estilo "rural" ou "do campo", como se isso fosse o mesmo que condenar as criações à inatualidade e ao obsoleto.
 
Foi então que Karl Lagerfeld realizou, para a Chanel, na última temporada em Paris, em outubro, uma extraordinária coleção baseada em elementos campestres _ele jamais se referiu a ela como sendo "étnica"_, e recuperou com determinação o estilo "rural" para a moda.
 
Naturalmente, a coleção "rural" de Lagerfeld é idealizada e nostálgica. Ele criou uma imagem idílica da vida no campo _retrocedendo a um mundo que deixou de existir na França e na Europa desde pelo menos o início do século 20.
 
É também uma coleção escapista, que se refere ao mundo rural como se buscasse um solo firme e de valores "autênticos", a uma sociedade leve, aérea, diurna e agradável _a fim de fornecer um antídoto a este momento sombrio e pesado de crise no prêt-à-porter europeu.
 
Em todo caso, as roupas de Lagerfeld se traduziram numa feliz combinação de referências camponesas e bucólicas com as exigências de estilo atuais. Foi uma engenhosa e feliz coleção, que trouxe um sopro de ar fresco ao ambiente viciado dos desfiles, com suas já cansativas e sempre iguais inspirações "étnicas", "aristocráticas" e "urbanas".
 
Depois da Chanel, podemos falar de "moda rural" sem medo. 
Desfile da Chanel, em outubro, em Paris/Foto: Patrick Kovarick/France Presse

Escrito por Alcino Leite Neto às 13h49

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BRASIL: RURAL E GLOBAL

O Brasil até bem pouco tempo era sobretudo um país rural. Apesar disso, a fim de se conectarem com a lógica mundial da moda e relacionar as elites locais às elites dos países ricos, os designers tentavam evitar a todo custo as referências muito particulares ao campo brasileiro e aos estilos regionais.
 
Nem sempre e nem todos os designers seguiram esse rumo. Houve e há alguns, que, mais ousados, jamais fecharam os olhos ao patrimônio suficientemente rico de formas que existe no interior do país e na nossa história da roupa. Nos anos 60, por exemplo, época de florescimento de um certo nacionalismo, Zuzu Angel buscou várias vezes definir uma moda brasileira a partir da herança local. Deve ter havido outros que tentaram o mesmo, além dela.
 
Mais recentemente, Lino Villaventura e Ronaldo Fraga, para citar apenas dois nomes fortes, têm feito coisa igual com regularidade. Há poucas estações, a estilista Danielle Jensen fez para a Maria Bonita uma maravilhosa coleção baseada nas vestimentas dos jangadeiros nordestinos.
 
Ao contrário do que pensam os mais nacionalistas, o anseio de internacionalização foi bom para a moda brasileira, porque a obrigou (mesmo à custa de cópias sucessivas, hábito que perdura) a se desprovincianizar, a buscar um estilo "intermediário" que conciliasse as particularidades de nossos hábitos com um gosto universal (ou, ao menos, ocidental).
 
Os estilistas mais talentosos sabem, porém, que a moda brasileira só vai se impor ao resto do mundo se conseguir criar este elo difícil entre o que é muito próprio ao estilo do país e o que pode ser compartilhado com o resto da humanidade.
 
Só haverá interesse pela moda brasileira se ela trouxer alguma novidade à cena fashion. Como não se cria "ex nihilo", do nada, a novidade será fruto de uma transfiguração do patrimônio sociocultural do país, relacionando-o às exigências e temas da atualidade  _como fizeram os japoneses durante o "boom" da moda nipônica na França nos anos 70/80.
 
Esse patrimônio é vastíssimo e provém tanto do mundo rural ou litorâneo, quanto do próprio universo urbano (por exemplo, a arquitetura e o design modernistas). Provém tanto do presente, quanto do passado (por exemplo, as fontes negras e indígenas).
 
Além disso, os estilistas enriqueceriam bastante o seu repertório caso se detivessem um pouco na história da arte brasileira, seja a antiga, seja a moderna (por exemplo, o concretismo e o neoconcretismo). Ou mesmo se se dedicassem a acompanhar a arte contemporânea do país, que tem recebido uma atenção internacional muito maior do que a própria moda nacional.
 
É certo, porém, que a principal novidade da moda brasileira haverá de ser sua capacidade de rejuvenescer o design ocidental de moda (por demais exaurido), com aquilo que melhor caracteriza o "estilo" nacional: a elegância sem pompa; o sensualismo das formas, das cores e dos materiais; a combinação não-hierárquica das referências populares locais com o legado das elites europeias; os ricos artesanatos regionais feitos com o cuidado das melhores manufaturas; a "gambiarra" como recurso pragmático e valor criativo; o talento para improvisar; a rapidez de adaptação; a desenvoltura com que ajustamos localmente o patrimônio universal; e, o melhor de tudo, a liberdade com que lidamos e rompemos com os valores tradicionais.
Desfile da Maria Bonita, na SPFW, em junho de 2008/Foto: Alexandre Schneider/Folha Imagem

Escrito por Alcino Leite Neto às 13h49

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A MODA CAIPIRIA DE RITA LEE

Antes de Lagerfeld, foi Rita Lee quem promoveu a "moda rural" nas passarelas, no show-desfile "Nhô Look" da Rhodia, em 1970. O título era, evidentemente, uma sátira ao "new look" de Christian Dior. Conta o crítico Carlos Calado, no livro "Divina Comédia dos Mutantes":
 
"Além de cantar e dançar, [Rita Lee] interpretava o papel de uma garota caipira, Ritinha Malazarte, acompanhada por uma bandinha interiorana com 14 músicos. A coleção exibida por Rita e as manequins do elenco (entre elas Mila Moreira, que depois veio a se tornar atriz) adaptava para o contexto brasileiro a moda 'paysanne', inspirada no vestuário das camponesas europeias".
 
Consta que a coleção também se inspirou na roupa do caipira brasileiro.
 
Quem terá criado essa coleção? Onde estarão as fotos desse desfile pioneiro? Se alguém tiver mais informações, por favor envie para esse blog.

Escrito por Alcino Leite Neto às 13h48

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SAI REGINA GUERREIRO, ENTRA IANÊS NA TNG

A jornalista e crítica de moda Regina Guerreiro não é mais consultora de estilo da TNG para os desfiles da marca no Fashion Rio. No seu lugar, assumiu o artista plástico e stylist Maurício Ianês.

Regina também deixou o cargo de diretora criativa da TNG, posto que ela assumiu neste ano. Segundo a assessoria da grife de Tito Bessa, o motivo da saída da jornalista foi o término do seu contrato com a marca.

Escrito por Alcino Leite Neto às 16h37

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LIÇÕES DE CRÍTICA E DE LIBERDADE

A palestra do professor de filosofia dinamarquês Lars Svendsen no último dia do evento "Pense Moda", na quinta-feira passada, foi bem menos complexa do que as reflexões que ele faz em seu fundamental livro "Fashion: A Philosophy" (Moda: Uma Filosofia).
 
Foi, porém, uma palestra importante, além de provocadora e divertida. Svendsen tem um delicioso senso de humor e, por vezes, vai mais longe: dispara raciocínios e frases de uma ironia demolidora.
 
No livro, Svendsen apresenta e discute as principais teorias já formuladas a respeito da moda, de Simmel a Barthes, de Benjamin a Bourdieu. É um trabalho rigoroso e polêmico, porque o professor dinamarquês, ao mesmo tempo em que destrincha detidamente essas teorias, desmonta vários preconceitos intelectuais a respeito da moda. Além disso, ataca com argumentações decisivas a prática da crítica de moda, tal como é realizada atualmente. Quem quiser saber mais sobre o livro, pode ler uma entrevista que fiz com ele para o "Mais!" http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs3108200806.htm
 
No "Pense Moda", Svendsen falou sobre a necessidade e a importância da crítica para a moda. Parece assunto trivial, mas não é. A crítica de moda, ao contrário do que ocorre em várias outras atividades, é ainda um campo a ser desenvolvido. A palestra pode ser vista no site do evento.
 
Aqui, gostaria apenas de ressaltar algumas ideias lançadas por Svendsen:
 
1. A moda ainda é imatura do ponto de vista intelectual e não consegue conviver com críticas. Segundo ele, a moda precisa "crescer" e aprender a aceitar a crítica.
 
2. A crítica de moda não deve ser uma extensão do marketing das grifes. Os jornalistas de moda não devem ser relações públicas da indústria de moda. "Na maioria das vezes, quando se lê a crítica de moda, parece que só existem obras-primas", disse Svendsen.
 
3. A preocupação das publicações de moda em não desagradar os seus anunciantes é um dos grandes empecilhos à criação de uma verdadeira crítica. "O primeiro leitor das revistas parece ser não o público, mas o anunciante", disparou. E completou: "As revistas de moda parecem ser apenas 'ambientes amigáveis' para os anúncios". Isso cria uma relação de subserviência e de falta de independência muito típica ao jornalismo de moda. Para ele, quebrar essa relação servil é fundamental. A fim de deixar clara como é aberrante essa situação, Svendsen comparou com o que ocorre no meio editorial e nas publicações sobre livros. É impensável que uma grande editora cancele seus anúncios de uma importante revista literária se algumas das obras por ela lançadas forem atacadas pela crítica dessa publicação.
 
4. A crítica é absolutamente necessária para o reconhecimento cultural e intelectual da própria moda. Isto é, enquanto não tiver uma crítica forte, a moda continuará a ser considerada apenas uma atividade preocupada em cobrir as pessoas de roupas, e não um trabalho importante que relaciona design, arte, comportamento e sociedade.
 
Algumas coisas ficaram no ar, lacunares, na reflexão de Svendsen. Por exemplo, a questão de saber como o critério da portabilidade da roupa deve ser tratado pela crítica, já que a moda não cria exclusivamente objetos "artísticos" de contemplação, mas coisas a serem vestidas e usadas, que têm uma função prática e social. Neste caso, não seria a crítica de um desfile limitada e limitadora, já que a maioria das roupas efetivamente usadas pelas pessoas (a "moda" que mais importa para o conjunto da sociedade) está fora das passarelas?  
 
Outro exemplo: será que, a fim de buscar elementos e critérios (hoje quase inexistentes) que ajudem a "criar" uma crítica de moda, estes devem se basear nos modelos consagrados em outras atividades criativas (como as artes plásticas)? Ou será que um novo tipo de crítica deve ser inventado, que tenha mais a ver com a análise sociológica do que com a estética, já que a moda, muito mais que um fato artístico, é um fenômeno social? 
 
São detalhes complicados, penso, que talvez não coubessem no pequeno tempo de uma palestra para um público muito heterogêneo _não exclusivamente acadêmico.
 
A conferência de Svendsen, no entanto, se bem entendida em suas linhas essenciais, trouxe uma grande contribuição ao debate (crucial) sobre o futuro da crítica de moda. Espero que as reflexões do professor dinamarquês possam florescer no terreno movediço da moda brasileira.

Escrito por Alcino Leite Neto às 23h24

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MJ PEDE SILÊNCIO

O filme sobre os ensaios do último show de Michael Jackson, "This Is It", deixa muito a desejar em termos de expressão cinematográfica e documentarística. Mas é quase impossível não se emocionar ao assisti-lo e se interessar pelo que foi registrado ali. Há coisas incríveis, a começar do fato de que, embora o filme tenha sido feito pouco tempo antes da morte do cantor, MJ aparenta estar muito bem, tanto física quanto intelectualmente (o que acentua a dimensão trágica de sua morte).

Creio também que nunca foram exibidos com tanta clareza estes traços da personalidade de MJ: seu perfeccionismo no trabalho, sua exigência e ao mesmo tempo a sua delicadeza no trato com as pessoas (ele pede e sugere mudanças, agradecendo com palavras como: "amor" e "deus te abençoe"), a facção infantil de sua psicologia convivendo sem dificuldades com as reações mais maduras e auto-confiantes... 
 
Duas coisas me chamaram a atenção no filme. Primeiramente (como me alertou Cleusa Turra), o controle total que ele exerce sobre os ensaios do espetáculo (transformando o diretor do show e do filme, Kenny Ortega, em simples executor) e o tremendo apreço que tem pelo público. Para começar, ele não deseja mudar nada nas suas músicas, porque quer que a plateia as ouça exatamente como se acostumou a escutá-las nos discos.
 
MJ constroi todo o show visando causar um fortíssimo impacto na audiência. O show, tal como podemos vislumbrar, seria um espetáculo total _utilizando recursos do cinema, da pirotecnica, do circo, da tecnologia 3-D etc._, levando às últimas consequências a ambição de provocar uma experiência emocional total e "totalitária" na audiência (o pop talvez seja o derradeiro lugar do velho "sublime artístico"). 
 
Ao mesmo tempo, o show, isso está bem claro no filme, é para MJ uma espécie de "oferenda" que ele entrega à plateia. Parece que, na sua imaginação, o espetáculo deveria significar uma demonstração de amor pelo público. É incrível que esse sujeito de 50 anos que parece fisicamente um adolescente, apesar da mutação bizarra a que submeteu seu rosto (nunca mostrado em close, aliás), esse sujeito que foi vilipendiado durante anos pela opinião pública, não tenha sombra de ressentimento.  
 
Outra coisa que me impressionou foi um pequeno detalhe. Por três vezes, MJ insiste, durante os ensaios, na importância do silêncio em determinadas passagens de algumas canções. De repente, ele pede que a música seja suspensa, que a parafernália técnica e instrumental emudeça, para que o silêncio domine o palco, domine o público, domine o espaço-tempo. Faz-se silêncio no filme _e a figura esguia, estranha, solitária e genial de MJ parece mergulhar no vácuo. O efeito é extraordinário e devastador.

Escrito por Alcino Leite Neto às 17h01

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AS MINISSAIAS CONTRA AS BESTAS

Peço licença ao leitor para republicar abaixo um artigo que escrevi há mais de cinco anos, em defesa da minissaia e da liberdade da mulher. O motivo é manifestar minha indignação com o episódio ocorrido com uma jovem de 20 anos, que foi humilhada e quase linchada por alunos da Uniban (Universidade Bandeirantes de São Paulo) por ter ido à aula com um microvestido, conforme relatam na Folha de hoje as jornalistas Laura Capriglione e Marlene Bergamo.

Acossada por ignorantes, que colocavam o celular entre as pernas da moça para tirar fotos e a ameaçavam com gritos de "estupra!", ela só conseguiu se livrar da perseguição depois que a polícia chegou à faculdade. Mesmo escoltada pela PM, ainda foi objeto de deboches.

Tenho a sensação de que os agressores masculinos enxovalharam a estudante porque, impressionados pela exuberância da jovem, se deram conta da maneira medíocre com que lidam com seu desejo _pensamento doloroso, que eles tentaram apagar com a violência. E as agressoras femininas (porque também as houve), certamente não se conformaram com a graça e a desenvoltura da moça de 1m70, cabelos loiros, olhos verdes e, ainda por cima, um minivestido rosa-choque. Parece tratar-se de um típico (e grave) caso de irradiação coletiva do ressentimento. 

A minissaia foi criada nos anos 60, em meio às lutas pela libertação da mulher. Quando uma jovem coloca uma minissaia, portanto, ela está vestindo também um emblema da liberdade _liberdade inclusive de exibir o corpo e se vestir como quiser, sem ficar dando satisfações às normas morais ditadas pelos homens ou às regras de comportamento prescritas pela etiqueta, o que dá no mesmo: são ambas formas de controle. É impressionante que o potencial "revolucionário" das roupas curtas não tenha se esgotado, mesmo após chegarmos ao século 21.

Diante do fato brutal ocorrido na Uniban, a pior reação das alunas esclarecidas desta escola seria, agora, temer os microvestidos, endossar a hipocrisia e negar a autonomia individual que possuem, cobrindo-se dos pés à cabeça.

Contra os "talebans da faculdade" (como os chamou a reportagem), contra o espírito mesquinho, ignorante e ressentido dos alunos que atacaram a jovem, sugiro às garotas da Uniban que realizem um protesto conjunto, indo todas elas ao mesmo tempo à aula com microvestidos e minissaias.

Seria a melhor maneira de demonstrar a esses sujeitos covardes e abestalhados que as mulheres não têm medo de exibir a força e a beleza de sua liberdade.

Transcrevo a seguir o artigo, tal como foi publicado em 1/2/2004:

 

POR UMA NOVA REBELIÃO DAS MINISSAIAS
 
 
Um passeio pelos Jardins, em São Paulo, e a deliciosa constatação: as minissaias realmente estão de volta. Talvez seja pura utopia, mas haverá um dia em que elas não deixarão mais a humanidade para se esconder no armário de roupas em desuso. A vida será um perpétuo verão de minissaias.

A minissaia foi uma das invenções sublimes do século 20. O pequeno corte de tecido que envolve as nádegas desaforadamente, exibe com decisão a nudez das pernas e chega quase até o limite das promessas femininas é um achado estilístico --sintético, econômico e engenhoso: um hai-kai da moda.

Sem contar que é um emblema da liberdade. Toda vez que uma garota veste hoje uma minissaia, ela está portando ao mesmo tempo a lembrança de uma rebelião.

A história da mulher poderia ser dividida em duas partes: antes e depois da minissaia, como se divide mais frequentemente em antes e depois da pílula anticoncepcional --aliás, duas criações que se difundiram quase ao mesmo tempo. Passarão muitos séculos até que se tenha uma idéia tão provocadora, elegante e feliz de vestimenta.

A invenção da minissaia é fonte de querelas tão complicadas quanto a do avião, que divide o mundo entre os defensores dos irmãos Wright e os do nosso Santos-Dumont. Para os britânicos, foi Mary Quant quem criou a minissaia, por volta de 1964-1965. A tese tem o apoio da maioria dos especialistas, mas há autoridades francesas no assunto que insistem que a minissaia foi projetada por André Courrèges, talvez o estilista mais ousado dos anos 60.

Melhor talvez seja se fiar na própria Mary Quant, que indagada sobre a origem da minissaia, respondeu: "Não fui eu ou Corrèges quem a inventou --foram as garotas na rua".

Naqueles anos 60, as mulheres ainda não se torturavam tanto com as dietas e as celulites, e vestir uma minissaia não era apenas uma questão ocasional de estilo: por força da história, a moda implicava, mesmo involuntariamente, numa atitude existencial em favor da liberdade.

Os homens chegaram a usar saiotes na Antiguidade romana e na Renascença para terem mais autonomia de movimento durante as lutas e as guerras. Eles obrigaram as mulheres, porém, a se cobrir dos pés à cabeça durante milênios, e ainda as obrigam, em certos países. Mesmo eles se cobriram bastante ao longo dos séculos. A moda é uma das mais resistentes formas de tirania social --hoje, de um tipo de tirania consentida, de servidão voluntária ao mercado.

Mas, nos anos 60, as moças adotaram a minissaia como afronta ao jugo moral imposto pelo homem e para promover a liberação das gerações femininas futuras. Foi uma febre que então se espalhou muito mais rapidamente que as calças compridas para mulheres, um outro signo de rebeldia, difundido lentamente a partir dos anos 30, sobretudo graças à estilista francesa Gabrielle "Coco" Chanel.

Quem era criança na época de Mary Quant e de Wanderléa deve se lembrar que, no Brasil patriarcal e provinciano, a calça feminina nem bem estava ainda implantada, quando, um belo dia, começaram a aparecer uma multidão de pernas nuas de moças bem fornidas vestidas de minissaias.

E deve se lembrar como as calcinhas de repente fizeram também a sua aparição transgressiva, como um vislumbre que se tinha no momento em que as moças de saias curtíssimas entrecruzavam as pernas ou subiam as escadas na nossa frente. Os anos 60 realmente colocaram o mundo de ponta-cabeça.

Talvez seja apenas por um resto de convenção, mais que de pudor, que as garotas de hoje em dia, nos ambientes sociais, fiquem puxando insistentemente para baixo a sua minissaia, tentando ajustá-la numa altura discreta, meçam detidamente o modo de cruzar as pernas ou, ao subir as escadas rolantes, peçam que os namorados fiquem atrás delas, impedindo que os passantes tenham uma visão indiscreta.

Convenção, sim, pois as calcinhas já viraram até mesmo um acessório a se exibir, como os soutiens. Um dos estilos contemporâneos consiste em colocar os jeans suficientemente baixo para que uma boa parte da calcinha apareça entre a cintura e a miniblusa. Os garotos fazem o mesmo, com um modo de vestir as calças que as dispõe bem abaixo da cintura, enquanto sobem a cueca, deixando-a bastante visível.

Esse estilo denota a necessidade de meninos e meninas acentuarem sua diferença sexual por meio da exibição das peças íntimas, já que na superfície dos jeans e camisetas há uma forte tendência à indiferenciação na moda de ambos.

Outra contenda complicada e sem fim em relação à minissaia é a que trata do tamanho ideal desta roupa. Certamente cada corpo feminino pede um modelo diferente, mas eu tenho cá comigo que o melhor tamanho é o de 20 centímetros de altura, e não o de 30 centímetros. E não vai aqui nenhuma segunda intenção: estou pensando apenas na graça que é ver passar uma mulher que assumiu decididamente a vontade de usar uma minissaia e exibir seu corpo. Uma minissaia "longa" tem algo de um hipócrita arrependimento.

Deve haver feministas que hoje contestam a minissaia, por esta ter esgotado o seu potencial revolucionário e se transformado em puro fetiche, um meio de exploração voyeurística do corpo feminino. Será?

É certo que as mulheres continuam a ser muito exploradas _só não vê quem não quer. Nos mesmos anos 60, alguns já percebiam como a liberação feminina poderia ser absorvida maliciosamente pela publicidade e a emergente indústria da pornografia. Prisioneiras sexuais seculares, as mulheres se revoltaram para, em seguida, serem transformadas livremente em mercadoria do entretenimento masculino.

Sem falar que, liberadas da norma puritana, elas foram enquadradas de imediato num outro regime despótico, aquele que lhes pede um corpo perfeito. É essa fantasia de perfeição que alimenta a poderosa indústria da beleza, das dietas, da moda e das ginásticas no mundo.

Ainda se contará a história medievalíssima dos tormentos interiores e físicos, das auto-punições, torturas e doenças, da longa série de angústias com regimes, das anorexias perigosas, das depressões infindas que vão fazendo a história da mulher no período pós-feminista.

Há quem diga que a minissaia cai melhor nos corpos jovens e bem feitos. Mas por que diabos qualquer mulher, a menos certinha dentre elas, não poderia usar uma saia curtíssima?

Eis uma nova forma de vestir revolucionariamente a minissaia: rompendo com esta lei tirânica que se impôs às mulheres em nome do fantasma da perfeição física. A exibição assumida das imperfeições do corpo, a exibição do corpo como singularidade, é o modo atual de elas lutarem contra a dominação masculina e também contra as pressões servis que as próprias mulheres se impõem mutuamente nos desfiles de moda, nas revistas, nos programas de TV, nas conversas soltas.

E assim eu termino este manifesto em prol da rebelião das saias curtas: que todas as mulheres possam exibir soberanamente seus corpos tais como eles são! Que todas as mulheres usem minissaias sem medos nem rancores! E que todas as minissaias tenham no máximo 20 centímetros!

 

Escrito por Alcino Leite Neto às 00h36

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PRÊMIO MODA BRASIL

Aconteceu na última quarta-feira a entrega do Prêmio Moda Brasil 2009. A jornalista Regina Guerreiro foi homenageada com um prêmio especial, por sua importante trajetória na moda brasileira. Conheça a seguir os demais premidados:

ESTILISTA MODA MASCULINA - Alexandre Herchcovitch 
ESTILISTA MODA FEMININA - Glória Coelho 
ESTILISTA REVELAÇÃO - Juliana Jabour 
COLEÇÃO MODA PRAIA - Lenny
DESFILE DO ANO - Reinaldo Lourenço 

DESIGNER DE JÓIAS - Jack Vartanian 

DESIGNER DE ACESSÓRIOS - Glorinha Paranaguá 
 
JORNALISTA DE MODA - Costanza Pascolato

DIRETOR DE ARTE - Giovanni Bianco
MAKE-UP - Daniel Hernandez
HAIR-STYLIST - Max Weber
FOTÓGRAFO - Gui Paganini
STYLIST - Flavia Lafer

MODELO FEMININO - Raquel Zimmermann
MODELO FEMININO - NEW TOP - Carmelita
MODELO MASCULINO - Michael Camiloto

VEÍCULO - MÍDIA IMPRESSA - Vogue
VEÍCULO - MÍDIA ELETRÔNICA - PROGRAMA DE TV - GNT Fashion
VEÍCULO - MÍDIA ELETRÔNICA - SITE - Erika Palomino
VEÍCULO - MÍDIA ELETRÔNICA - BLOG - Blog Flavia Lafer

CAMPANHA PUBLICITÁRIA - Ellus - Inverno 2009

Escrito por Alcino Leite Neto às 22h56

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LA VIDA LOCA DE GAULTIER

Personagens do filme "La Vida Loca", fotografados pelo diretor Christian Poveda/Divulgação

Para os fashionistas, um dos filmes que merecem atenção na Mostra Internacional de Cinema é "La Vida Loca", de Christian Poveda. Trata-se de um documentário sobre as Maras, facções criminosas violentíssimas que atuam em El Salvador. 

Poveda pagou com a própria vida a realização deste filme difícil. Foi assassinado em El Salvador em setembro deste ano, depois que o documentário já estava pronto.

O diretor adentrou _até onde pode_ nos bastidores das Maras, registrando com crueza as articulações e motivações dos membros das organizações criminosas, sua vida cotidiana e até familiar, além do esforço de reabilitação de alguns dos bandidos. É um trabalho de cunho jornalístico, uma reportagem sobre o submundo do crime em El Salvador.

Sucesso de público e crítica na França, "La Vida Loca" inspirou a nova (e forte) coleção de Jean Paul Gaultier, mostrada em outubro em Paris.

Gaultier, cuja criação flerta frequentemente com o underground, foi atraído pelos ritos e a plástica das tatuagens dos Maras, pelos aspectos físicos dos "personagens", pelo jeito abusado como as mulheres se vestem, pela maneira como ali se misturam o feio e o bonito, o horror e o familiar, o perigo e o cotidiano.  

O principal risco de uma coleção assim é glamourizar a vida infernal descrita no filme, marcada pela miséria, pela crueldade e pela morte. Gaultier resolveu assumir o risco. Talvez porque, afinal, seja uma faculdade e até uma função da moda transformar a tristeza deste mundo em beleza nas passarelas.

Look da coleção para a primavera-verão 2010, de Gaultier/Foto de Jacky Naegelen/Reuters

Escrito por Alcino Leite Neto às 19h39

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VERMELHÔ! BABADÔ!

Duas das minhas peças preferidas da temporada;  modelos sem complicação, para uso prático e intenso. Srs. donos de lojas fast-fashion: favor copiar pencas. Precisamos desses babados vermelhos para ver o sol nascer. 

 

Stella McCartney Verão/2010

Dolce & Gabbana Verão/2010

Escrito por Vivian às 20h10

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Adiós, Mercedita!

Mercedes morreu. Mas, antes disso, arrasou mucho nessa vida.

 

Escrito por Vivian às 19h34

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CAVALERA, FIRMONA

E rolou ontem a festinha de inauguração da nova loja da Cavalera, num espaço bem grande e bacana na Oscar Freire. Lá, estão à venda os produtos top da grife, além das coleções mais básicas e até uma nova linha feitas para pets.

 O coquetel bombou, e o sr. Alberto Turco Loco Hiar, que pode ser "loco" mas não é nada bobo (aliás, tem um feeling de primeira para tudo o que pega nas ruas), fechou logo com a firrrrrrrrrrma, tio. DJ KLJay arrasando no som, Ice Blue e Rappin Hood, só no istáile. Quem é esperto, captou a mensagem, certo? Então, "siliguem" no movimento.

Ice Blue (vocês PRECISAM escutar as brisas filosóficas dele no Balanço Rap da 105 FM )

KLJay (A festa dele no DJ Club, todas as quintas, é muuuuito boa)

 

Rappin Hood (Dizem que ele vai ganhar um programa novo na TV, aguardem notícias em breve)

Escrito por Vivian às 18h44

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XXL RAP FESTIVAL - É AMANHÃ!

E para fechar essa semaninha cheia de shows, dou uma dica fora do circuito, festa que vai bombar na certa.

Amanhã, no Ginásio do Palmeiras, vai rolar o XXL Rap Festival, com Big Ben Bang Jhonson. Para quem ainda não conhece (demorô, né?), trata-se de um coletivão de rap que reúne Mano Brown e Ice Blue, do Racionais; Dom Pixote, do grupo U Time; Sandrão e Helião do histórico RZO; além de Quelynah, Du Bronx, Conexão do Morro e Consciência Humana.

O Bang Jhonson lotou o Sesc Pompéia faz alguns meses, e a apresentação só recebeu elogios, até de gente que não conhecia as músicas e não acompanha o cenário do hip-hop no Brasil. Rap de primeira, vocês podem ter certeza (é só sacar os nomes envolvidos).

Além deles, tocam antes GOG, DJ Cia, Ndee Naldinho e Função RHK, entre outros, enfim, o baile todo. Os portões abrem às 20h e os ingressos antecipados (ou seja, pra quem comprar ainda hoje) custam 20 mangos. Amanhã, nas bilheterias do Palmeiras, R$ 30.

Comandando a festa, o locutor Fabio Rogério (sou fã!), apresentador do programa Espaço Rap (da 105FM) que eu adoro e sempre comento por aqui. Aliás, andei ouvindo algumas coisas novas (e outras nem tão novas), e muito boas, nos programas das últimas semanas. Na sequência, vão algumas dicas.

Dê um tempo do coquetel com espumante chocho e das festinhas hype com as mesmas carinhas pintadas de sempre e cole por lá. Rap nacional é booooom demais, e um show como essa não rola todo dia. A gente se vê na féixxxta, então. Besos para todos e bom finde.

Pentágono –  É o Moio (Aliás, se puderem, escutem o disco inteiro do Pentágono, que é muito bom. O CD, que se chama “Natural”, mistura rap, ragga, dancehall e outras cositas más com muita propriedade)

Raphão - Futebol na Quebrada é Racha

TR3F - De Sofrimento Já Basta o Meu Passado

Relatos da Invasão - Picadilha Jaçanã

A Família ft. Edy Rock - Sopra Lobo Mau

 

Escrito por Vivian às 17h22

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HERCHCOVITCH FAZ SEU PRIMEIRO DESFILE NA ROSA CHÁ

Acabou há pouco o desfile da Rosa Chá no dia 1 da semana de moda de Nova York. Foi a primeira coleção feita por Alexandre Herchcovitch para a grife, desde que ele assumiu neste ano a direção criativa, no lugar de Amir Slama.

Foi também a primeira vez em sua carreira que ele criou uma coleção completa de beachwear. Por isso havia, da parte de pessoas da moda, uma forte expectativa a respeito do que seria mostrado na passarela. O público reagiu bem, com muitos aplausos, sobretudo quando o estilista apareceu na "boca de cena".

Diferentemente do que costuma fazer quando sua própria grife desfila, ele não caminhou pela passarela, de mãos dados com uma modelo. O desfile também não contou com a presença de Geanine Marques, amiga e musa do estilista, além de uma espécie de talismã de suas apresentações. Na plateia, estavam as atrizes Carol Castro e Larissa Maciel.

A maravilhosa modelo afro-americana Chanel Iman abriu a apresentação, encerrada por Jeneil Williams, fulgurante jamaicana, também negra.

O estilista não recorreu a um "tema" para conduzir esteticamente a sua coleção: preferiu um caminho mais formalista, trabalhando a própria arquitetura do beachwear e também as sutilezas da lingerie.

A estratégia parece ter funcionado também, para ele, como uma maneira de explorar este terreno novo, que é a moda praia _como alguém que, ao decidir construir a sua própria casa começasse, logicamente, por estudar engenharia e arquitetura, para só depois pensar na decoração.

Esse formalismo, porém, não limitou o glamour da coleção. As "investigações construtivas" do estilista (por exemplo, com a forma dos bojos e com as transparências) surgiram em meio a poás com graciosas aplicações de cristal, vigorosos listrados branco-e-preto, peças bi ou tricolores, combinações de tecidos (como lycra-seda-jeans) e deliciosas peças feitas de listras trançadas em verde limão, amarelo e laranja, a última série de looks do desfile.

A direção de arte (Zee Nunes e Ruy Furtado) e o styling (Maurício Ianês) foram muito eficientes na tarefa de tornar mais legível o caminho feito por Herchcovitch _e, na imagem geral do desfile, a mão singular do estilista ficou ainda mais nítida. A fim de marcar posição no conjunto da moda praia brasileira, ele buscou uma feminilidade sem impostação e sem aflição (nem "perua" nem "matadora") e propôs uma sensualidade mais leve,  desencanada e menos neurótica. Mais mulher-sujeito do que mulher-objeto.

Ficou perceptível que Herchcovitch se referiu a vários a elementos estilisticos "históricos" da Rosa Chá, legados por Amir Slama. Mas também ficou claro que a grife, sem negar o passado, começa agora uma outra história: sai o requintado barroquismo de Slama e entra o pop exuberante de Herchcovitch.

(Alcino Leite Neto, enviado especial a Nova York)

Escrito por Alcino Leite Neto às 21h40

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PANO DE PRIMEIRA

O Brasil, considerado o terceiro maior mercado de urbanwear do mundo, ganhou mais duas marcas do segmento neste mês. Já chegaram por aqui as grifes G-Unit, marca hype do rapper 50 Cent, e a Zoo York, que também segue a linha street ligada ao hip-hop, skate, grafite, enfim, aquele combo que faz sucesso no mundo todo. As peças serão vendidas em lojas multimarcas.

A manobra foi comandada pelo grupo TBC (The Brands Company), que gerencia as operações no Brasil de grifes como Anni Futuri, Lés Filos e Sean Jhon, além das marcas do grupo Ecko, que atualmente ostenta o título de maior conglomerado de marcas de streetwear do mundo. Ou seja, minha gente, grana da alta.

Não é à toa que tem muito empresário de olho nesse segmento, que só faz subir em faturamento e hype, principalmente quando a imagem dos produtos é associada a grandes nomes da música, como no caso de 50 Cent e de rappers como Pharrell e Jay-Z que, entre muitos outros, também entraram para o mercado fashion. No Brasil, com uma proposta diferente (que trabalha também o lado social da roupa e seu contexto nas periferias), temos a 1Dasul, que eu já comentei por aqui, além de várias outras marcas bacanas, como as do subsolo da famosa galeria "do rock" no centrão de São Paulo_ que hoje em dia é 50% do rap.  

Abaixo, peças da Zoo York (que tem uma linha de xadrezes incrível) e look da G-Unit, estilo piriguetchi, em imagem de JR Duran.

 

Escrito por Vivian às 20h11

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GRIFES MASCULINAS NO FASHION RIO

A ideia de Paulo Borges de concentrar os desfiles de moda exclusivamente masculina no Fashion Rio, além dos de moda praia, como ele divulgou nesta semana, me parece bastante razoável. Escrevi anteriormente neste blog que uma das deficiências da última temporada tinha sido justamente a exibição de moda para homens _que vinha ganhando certa expressão nas edições anteriores do evento. Espero que a proposta de Borges dê certo.

A possibilidade de assistir em conjunto, numa mesma fashion week, as exibições de grifes masculinas permitirá aos jornalistas (e também ao mercado) ter uma visão mais coesa e racional. E dará um sentido extra ao próprio Fashion Rio, que ainda está em busca de uma definição clara a respeito de seu papel no calendário de moda brasileiro, à parte representar a indústria carioca.

A ideia parece boa também para as grifes masculinas. Elas não são muitas na SPFW, mas aqui acabam ficando um tanto sufocadas pela agenda principal, que é, obviamente, dominada pelas grifes femininas.

Sobretudo, dado o volume de grifes e a atual configuração das semanas de moda, a concentração do masculino num só evento trará a esse setor (cuja força é crescente) uma visibilidade que, suponho, ele jamais teve no Brasil, em termos de moda.

Algumas dúvidas, porém, surgem a partir dessa mudança, quais sejam:

1) A primeira questão é saber se as grifes que apresentam desfiles mistos _feminino e masculino ao mesmo tempo_ irão desmembrar suas apresentações, ou se manterão a forma atual. Por exemplo, se a Osklen mostraria suas roupas masculinas no Rio, onde tem sede, e as femininas em São Paulo. Ou se Alexandre Herchcovitch, que já separou suas apresentações em São Paulo, levaria o seu masculino para o Rio.

Não é tarefa fácil realizar isso, tanto mais que significa multiplicar por dois a despesa já alta de um desfile. Mas, certamente, a separação acrescentaria relevância ao projeto, levaria uma tremenda novidade para o Fashion Rio e amplificaria a repercussão midiática das marcas.

2) Outra questão é saber se as grifes selecionadas (porque outras devem ser acrescentadas, imagino) terão boa qualidade de design e se representarão um variado espectro de gostos e tipos masculinos, e não apenas o estilo "garotão de praia" _com sua visão ociosa e adolescente do homem brasileiro.

Não acho ruim esse estilo, esclareço. Ao contrário, penso que é interessante e agradável. O que me incomoda é sua quase hegemonia nas semanas de moda. Além do que, em termos concretos (e de mercado), ele não é a única maneira que o homem brasileiro adota para se vestir. Criar uma relação "conceitual" entre as grifes masculinas do Fashion Rio e o "lifestyle" carioca (pelo que ele representa de uma "brasilidade") implica em limitar muito a criação.

Mais lógico e razoável é pensar a decisão de reuni-las no evento carioca simplesmente como uma tática, um método, que pode contribuir para a visibilidade, o fortalecimento e a diversificação do design de moda masculina no país.

Escrito por Alcino Leite Neto às 13h08

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O ABADE TRAVESTI

O erudito abade de Choisy (1644-1724), que fez parte da Academia Francesa e escreveu preciosos volumes sobre a história da França e da Igreja Católica, teve na juventude um estranho hábito: gostava de se vestir de mulher, apreciava o luxo das roupas, o brilho das joias e, como era costume em sua época, adorava cobrir o rosto de pintas.

A fim de exercer à vontade o seu gosto pelo travestismo, François-Timoléon de Choisy (nome de batismo do abade) preferia viver em bairros mais discretos de Paris ou na província. Nesses locais, costumava ser bem visto tanto pela pequena aristocracia quanto pelo clero, desde que não exagerasse em seu coquetismo e mantivesse a distinção. O fato de ele frequentar diariamente a igreja e ajudar em obras de caridade também contribuía para a sua aceitação.

O abade tinha, porém, outra paixão, além das roupas femininas: adorava levar para a sua cama lindas mocinhas e com elas se entreter em jogos eróticos. O que conseguia realizar com frequência, pois as famílias viam nele menos um homem do que uma rica e honorável "madame", incapaz de desonrar as garotas.

Toda essa história está narrada nas "Memórias do Abade de Choisy Vestido de Mulher", lançadas pela editora Rocco, com ótima tradução e esclarecedor prefácio de Leonardo Fróes. É um dos livros mais curiosos que li recentemente, tanto mais que há algo nesta obra que permite entender um pouco as relações intrincadas entre roupa, aparência e auto-satisfação.

Leia este trecho, em que o abade busca explicar sua psicologia: "Tentei saber de onde me vem esse prazer tão bizarro, e aqui está: ser amado, adorado, é próprio de Deus; o homem, tanto quanto sua fraqueza lhe permite, ambiciona a mesma coisa; ora, como é a beleza que faz nascer o amor, e como geralmente ela é o quinhão das mulheres, quando acontece de homens terem, ou acreditar que tenham, alguns traços de beleza que podem fazer amá-los, tratam eles de aumentá-los pelos adornos femininos, que são muito vantajosos. E é então que sentem o inexprimível prazer de ser amado. Mais de uma vez eu senti isso que digo como experiência agradável e, se acaso me encontrava em comédias ou bailes, com vestidos vistosos, diamantes e pintas pelo rosto, e se ouvia dizer perto de mim em voz baixa: 'Que mulher mais bonita!', experimentava em mim mesmo um prazer que não se compara a nada, de tão grande que é. Nem a ambição nem as riquezas, nem o próprio amor a ele se igualam, porque sempre nós nos amamos mais do que aos outros".

O mais espantoso, porém, na história do abade de Choisy é que seu gosto pelas roupas femininas tem uma origem "política", relacionada à sucessão do trono francês.

O irmão mais novo de Luis XIV, Philippe d'Orléans, foi criado _por determinação da rainha Ana da Áustria e do cardeal Mazarin_ entre meninas e com modos afeminados, para que no futuro não entrasse em disputa com o rei e repetisse assim o enfrentamento que houvera entre Luis XIII e seu irmão Gastão.

Como era próxima à corte, e seguindo uma "sugestão" da realeza, a mãe de François-Timoléon de Choisy também resolveu criar o seu filho como menina, a fim de que Philippe d'Orléans tivesse um amiguinho de trejeitos iguais para brincar, além das mulheres e garotas que cercavam o príncipe continuamente.

Havia, porém, uma pequena e determinante diferença entre o travestismo de François-Timoléon e o de Philippe, que o abade de Choisy descreveu assim, na maturidade: "Por mais bonita que fosse (ele se refere a Philippe no feminino), as damas da rainha me preferiam a ela; sem dúvida percebiam em mim, apesar das minhas toucas e saias, algo de masculino".

Bem mais que François-Timoléon, Philippe d'Orléans conservou durante boa parte da vida o hábito de se vestir com roupas femininas. Se a "educação" do príncipe, porém, o transformou num notório homossexual, a do abade de Choisy não foi capaz de tanto e conseguiu no máximo levá-lo a esta situação limítrofe e ainda mais perversa: fazer dele um monsieur que gostava de se passar por madame, mas conservava debaixo das rendas do vestido o gosto viril pelas mulheres.

Escrito por Alcino Leite Neto às 20h04

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HUIS CLOS E INBRANDS

Tanto Clô Orozco quanto a Inbrands desmentiram a este blog os boatos que correram no final da última semana de que as grifes Huis Clos e Maria Garcia estariam entre as próximas aquisições do grupo de moda.

Escrito por Alcino Leite Neto às 19h11

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VOLTA POR CIMA

O empresário Vicente Mello, que foi presidente da I'M (Identidade Moda), é o nome responsável pela primeira loja da Missoni no Brasil, a ser inaugurada no ano que vem, no shopping Iguatemi. 

Vicente era quem pilotava a implantação da I'M, dona da Zoomp e da Fause Haten e que quase adquiriu as grifes de Alexandre Herchcovitch. Ele deixou a empresa depois da crise que atingiu a holding HLDC, dona da I'M. Para a operação Missoni, ele conta com dois outros sócios: Rodrigo Martinez e Roberto Jorge.

Escrito por Alcino Leite Neto às 16h33

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PERFIL

Alcino Leite Neto Alcino Leite Neto, 49, é editor de Moda da Folha, jornal onde exerceu anteriormente as funções de editor da Ilustrada, do Mais!, de Domingo e de correspondente em Paris.

Vivian Whiteman Vivian Whiteman, 30, é jornalista cultural desde 1998 e repórter da editoria de Moda da Folha desde 2005.

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