QUESTÕES SOBRE O ESTILO - TAKE 1
12. Conjunto de características da forma e dos motivos ornamentais que distinguem determinados grupos de objetos de acordo com a época e o modo de fabricação
16. Moda (3. Arte e técnica do vestuário) quando encarada do ponto de vista do bom gosto, da estética.

Escrito por Vivian às 20h17
QUESTÕES SOBRE O ESTILO - TAKE 2
Escrito por Vivian às 20h14
QUESTÕES SOBRE O ESTILO - TAKE 3

Escrito por Vivian às 20h13
QUESTÕES SOBRE O ESTILO - TAKE 4
Mas a pergunta que não quer calar é... não é isso tudo que faz a roda da moda girar? Se as marcas não criarem essas necessidades de consumo enlouquecidas, quem vai comprá-las? Os fashion victims são peça fundamental da engrenagem toda, e não algo indesejado à moda, como parece neste post. Ou não? Ou existe algum outro objetivo da indústria da moda que não seja vender,vender, vender?
Escrito por Vivian às 20h06
"OS PÁSSAROS": A BONECA
Meninos não brincam com bonecas, mas talvez cinéfilos e fashionistas possam arriscar, ainda mais se se trata de uma Barbie que imita a atriz Tippi Hedren em "Os Pássaros", de Hitchcock. Veja só:
Este brinquedo tentador foi criado para uma edição especial feita pela indústria Mattel. O tailleur verde é uma minicópia do usado pela personagem Melanie Daniels, desenhado pela figurinista Edith Head (1897-1991), talvez a mais célebre de Hollywood. É um dos dois looks que Hedren usa no filme, que foi muito bem analisado pela ensaísta americana Camille Paglia no livro "Os Pássaros" (ed. Rocco).

Paglia faz algumas reflexões sobre o figurino da personagem. Vale a pena ler o trecho em que ela analisa a passagem do primeiro look (um tailleur preto) para o segundo (um tailleur verde-claro, inicialmente coberto com um casaco de vison marrom e bege):
"A mudança de roupa de Melanie é significativa. Ontem, no papel da solteira não-conformista, usava um preto austero e invernal: o casaco do tailleur sob medida, com luvas pretas e longas sob a manga três quartos, tinha gola alta, lembrando batina de padre (como a que Montgomery Clift usou em 'A Tortura do Silêncio', também de Hitchcock). Hoje, em sua missão romântica, usa as cores primaveris marrom-claro e verde pastel, como se estivesse anunciando o cio, a promessa de fertilidade. Além disso, o verde da roupa combina com o verde dos periquitos, que têm uma mancha vermelha na cabeça. Ela também será batizada com sangue no barco, atravessando Bodega Bay. Além disso, seu opulento casaco de pele simboliza a supremacia humana sobre a natureza e também o poder econômico masculino na sociedade. Desde a antiguidade as peles e as jóias têm sido troféus com que os homens presenteiam as mulheres em homenagem a sua beleza. Mimada e parasita, Melanie é um artefato requintado da alta civilização".
Hitchcock já foi exaustivamente analisado, mas desconheço livros ou ensaios especificamente dedicados a refletir sobre o uso do figurino e a composição dos looks femininos nos seus filmes (se você conhecer alguma trabalho sobre isso, por favor me diga).
Parece coisa menor, diante do que o cinema do diretor suscita, mas deveriam desprezados: é a parte do "significante" que pode ajudar muito na compreensão do significado das obras. Ainda mais que Hitchcock era um detalhista, além de um extremado fetichista.
Para dar um exemplo conhecido, veja uma imagem de "Um Corpo Que Cai" (no original "Vertigo"), que mostram o cabelo de Kim Novak com um penteado em espiral _uma das formas recorrentes do filme, como anuncia o cartaz e aparece nas formas recorrentes das escadas:



Veja também esta bela sequência, que faz um paralelo entre um quadro e a personagem de Kim Novak: http://www.youtube.com/watch?v=OtVqLQcZreM.
Escrito por Alcino Leite Neto às 02h56
"OS PÁSSAROS": O VAZIO
E por falar em Hitchcock e "Os Pássaros", uma das coisas mais sensacionais que vi nos últimos tempos foi um trabalho do artista plástico holandês Martijn Hendriks, em que, graças a recursos digitais, ele apagou do filme todas aquelas aves vorazes. Não se trata de uma brincadeirinha, nem de uma paródia, coisas tão comuns por aí. O trabalho, que se chama "Dai-nos Hoje Nosso Terror Cotidiano", é complicadíssimo do ponto de vista técnico (porque tira cada imagem dos bichos nos fotogramas em movimento) e suscita muitas interpretações.
O apagamento das aves produziu um novo filme, muito absurdo e estranho. Os personagens correm e se debatem sem motivo, como se uma força invisível os atingisse. Já não são os pássaros que provocam pânico: o terror vem da ausência e do vazio (Martijn Hendriks não faria feio na 28ª Bienal, cunhada de "Bienal do Vazio").
Veja abaixo um trecho de "Dai-nos Hoje Nosso Terror Cotidiano":




Cenas de "Dai-nos Hoje Nosso Terror Cotidiano"/Reprodução
Escrito por Alcino Leite Neto às 02h50
SLIMANE, LOUIS GARREL E ''A BELA JULIE''
São muito boas as fotos do estilista Hedi Slimane feitas nos Estados Unidos. Estão no blog http://www.hedislimane.com/diary/ _que merece uma visita. Numa delas, ele clica o diretor Gus Van Sant, que acaba de lançar o filme "Milk", sobre o primeiro gay a ser eleito para um cargo público no país, Harvey Milk (interpretado por Sean Penn).O blog de Slimane traz também uma série de fotos que ele fez de Louis Garrel, o ator-fetiche do momento na França e estrela de dois ótimos filmes lançados recentemente: "La Belle Personne" (A Bela Pessoa), de Christophe Honoré, e "La Frontière de l'Aube" (A Fronteira da Aurora), dirigido por seu pai, Philippe Garrel.
Aliás, o filme “La Belle Personne” que, no Brasil ganhou o nome de "A Bela Julie", será exibido hoje (segunda, dia 24, às 18h30 e 21h), no Festival Varilux, mostra de filmes franceses que acontece no HSBC Belas Artes.
É uma adaptação supercharmosa do livro “A Princesa de Clèves”, escrito em 1678 por Madame de
O diretor Christophe Honoré contou para um jornal francês que decidiu adaptar o livro após o presidente Nicolas Sarkozy ter chamado de “sádica” a decisão de incluir “A Princesa de Clèves” nas provas de um concurso público na França.
Indignado, Honoré resolveu tomar a defesa do clássico, para mostrar que ele não era um romance embolorado e tinha muito a dizer para a nossa época. O resultado é uma comovente ciranda amorosa juvenil, ambientada num colégio de classe alta francês, embalada pelo cinema dos mestres da Nouvelle Vague, como Godard, Rohmer e Jacques Demy.
Fique de olho na bela Léa Seydoux, que faz Julie. Nova estrela do cinema francês, ela já embarcou para Hollywood e vai estar nos próximos filmes de Tarantino ("Inglorious Bastard") e Ridley Scott ("Nottingham"). Veja o trailer aqui.

Léa Seydoux em "A Bela Julie"/Divulgação
Escrito por Alcino Leite Neto às 14h50
TROPA DE ELITE

Oficial de divisão especial da polícia italiana mostra DVD com uma das cópias piratas do filme "Gomorra" ,de Matteo Garrone, apreendidas hoje em Nápoles.
O filme, inspirado no livro homônimo de Roberto Saviano, revela as numerosas atividades ilícitas da máfia napolitana, a Camorra.
Segundo Saviano, entre outros "negócios fashion", a Camorra tem uma série de ateliês de costura clandestinos, onde produz roupas e acessórios para grifes de luxo italianas. As peças, feitas por funcionários subempregados (ou seja, que trabalham num regime praticamente escravo), são compradas a preço de banana pelas grifes e vendidas normalmente nas lojas oficiais. Coisa muito fina...
Escrito por Vivian às 19h40
A SÍNDROME DOS HOMENS-PLACA
"...Não tem mico maior e falta de educação do que a nova mania, copiada dos EUA de descrever looks e nominar o designer de cada peça que se está vestindo. Os finos e bem educados devem responder: não lembro."
O comentário acima foi deixado pela leitora Ana, no post "O Que é Mal Vestido?". Achei muito bacana, até porque essa prática, já tão comum nas semanas de desfiles e em certos eventos, sempre me incomodou muito. Em algumas (raras) ocasiões, já respondi à pergunta: "De onde é?" [ou seja, de que marca é a sua roupa/sapato/acessório], que geralmente é feita depois que você aceita posar para uma foto. Mas sempre achei essa cena toda muito cafona e constrangedora. Da próxima vez, vou seguir o conselho da Ana e dizer: não sei, não lembro (ou inventar um nome!)...
As celebridades e os "top fashionistas", especialmente os editores de moda, estão sempre na mira das câmeras. Muitos deles aceitam fazer a descrição do próprio look apenas por educação e respeito ao repórter que está ali fazendo o seu trabalho. Outros, no entanto, a-do-ram anunciar suas novas compras. E a mídia vem abrindo cada vez mais espaço para isso.
Na hora de montar o figurino das semanas de moda, por exemplo, uma certa galera pensa muito bem nas grifes que vai vestir. Há o grupão dos "fundamentalistas", gente que simplesmente se recusa a ser flagrada com uma pecinha da Zara ou da Marisa (que só saiu temporariamente do "inferno fashion" em 2007, época em que Patricia Field, figurinista de "Sex and the City", e Marie Ruckie, do Studio Berçot, visitaram o Brasil e fizeram compras lá). Se rola uma peça "sem nome", ou é de uma feirinha em Paris (ou qualquer outro lugar que indique uma viagem fina), de uma loja de fast-fashion gringa, um vintage-chic ou uma peça artesanal da Bahia combinada com uma bolsa que grita: fui muuuuuuuuuuito cara!
Na hora da foto, 1-2-3 pose/flash e, na sequência, começa o "name-dropping" (para quem não conhece a expressão, é o ato chatérrimo de assim, muito casualmente, ficar recitando nomes de grifes de luxo como forma de comprovar certo status).
Há fashionistas e celebridades que recebem (dinheiro, presentes etc) para usar peças de certas grifes. É a mesma lógica dos atendentes de certas lojas: todos "uniformizados" com os produtos que estão vendendo, para chamar a atenção. Até aí, são negócios, ok.
O problema é que nem sempre esses negócios são anunciados, enganando o público. Exemplo óbvio: Uma certa atriz, com fama de ter bom gosto (embora tenha três stylists para escolher suas roupas), começa a sair diariamente com peças da marca XYZ. É fotografada em eventos. Sempre que questionada, solta o nome da grife, que sai publicado em revistas, sites, jornais, etc. A certa atriz recebe dinheiro da marca XYZ, mas isso jamais é revelado. É um comercial que, no entanto, não tem seu caráter de propaganda divulgado ao público final. Ou seja, caô, truque.
Vale lembrar que as cifras em jogo, dependendo do caso, são muito altas. E, para piorar, o produto em questão às vezes é de quinta!!!!
Os disfarces são bem variados (há inclusive a máscara jornalística, ou seja, anúncios pagos travestidos de reportagens e editoriais), atingem diversas profissões ("formadores de opinião" das mais diferentes áreas) e batem recordes de falta de ética. Tentar descobrir esses engodos é um exercício saudável, que esclarece os processos e evita que você seja feito de bobo.
Há também aqueles que não são pagos. Pessoas que simplesmente têm alguma chance de aparecer e que, quando vislumbram essas oportunidades, fazem questão de estar com a roupa "certa" (a que, no final das contas e das metáforas publicitárias, comunica riqueza). Um grupo crescente de fashion victims, no que a expressão pode significar de mais triste.
Pagos ou não, certos fashionistas (sejam eles profissionais ou "amadores") parecem versões mutantes dos homens-placa, aqueles senhores e senhoras que anunciam serviços carregando placas nos ombros, nos centros das grandes cidades.
O interessante é que os homens-placa tradicionais são bem-resolvidos. As letras garrafais anunciam logo o que está sendo comprado/vendido. A divisão entre homem/corpo e produto é bem evidente. Já os homens e mulheres-placa do tipo fashion são mais complicados. Fica difícil saber onde começa a pessoa e termina o produto. O homem divulga e qualifica a marca ou a marca divulga e qualifica o homem? O que (ou quem) está à venda?
Sabe, NADA contra a inspiração. Olhar para o outro e encontrar nele idéias bacanas de como montar um visual é um processo divertido, saudável, legal mesmo. Copiar (a mãe, os irmãos, um cantor, um ator, uma modelo etc) faz parte. Agora, quando a brincadeira começa a ser regida por interesses e regras comerciais, perde toda a graça. Quando a neurose (da grife, do status, da tendência, do consumo, do "e o que vão pensar de mim?") toma conta, acaba a diversão. E isso vale para muitas outras áreas (a "grife" dos carros, dos cabeleireiros, das escolas, dos bairros etc).
Enfim, o comentário da Ana e o meu post são apenas a pontinha do iceberg. Vale a pena mergulhar para sacar o resto dele, não?
Leitura sugerida: "Vida para Consumo - A transformação das pessoas em mercadoria"- Zygmunt Bauman Editora: Jorge Zahar

Foto Rafael Hupsel/Folha Imagem
Escrito por Vivian às 21h43
FASHIONICES DO YOU TUBE
O You Tube é um poço sem fundo. Conteúdo que não acaba mais e, é claro, muita, mas muita bobagem online.
Com os vídeos de moda não é diferente. Trechos de desfiles do mundo todo, dos lindíssimos aos totalmente podreira, programas de TV, comerciais e uma quantidade absurda de gravações dos "shows" da Victoria´s Secret. E, no meio de tudo, algumas preciosidades.
As preferidas do momento estão abaixo, numa singela seleção feita somente para vocês! ![]()
1- 1930s Futuristic Fashion Predictions
É um vídeo em preto-e-branco no qual o locutor anuncia as previsões de alguns estilistas americanos dos anos 30 sobre o que seria moda no ano 2000. E não é que uma versão bizarra do cabelón Amy Winehouse está lá? E os saltos malucos, tipo Marc Jacobs, Balenciaga e Alexandre Herchcovitch? Também. E tem ainda o look com telefone e rádio embutidos, precursor das jaquetas com MP3 e celular. Totalmente visionário!
http://www.youtube.com/watch?v=txaR2HvnwVg
2 - Mr. T Fashion Show
Bom, para começar, é um desfile dançante apresentado pelo Mr. T (no Brasil, o BA do "Esquadrão Classe A"). A introdução é fantástica: Mr. T gonga Paris e Milão e diz que, se Calvin Klein, Gloria Vanderbilt e Bill Blass (bem anos 80 mesmo, não?) não usam roupas com nomes de pessoas "comuns", por que é que as pessoas têm de usar roupas com os nomes desses estilistas nas etiquetas? E declara: "Table the label, wear your own name!"_ algo do tipo, "Derrube a grife, vista o seu próprio nome". Atentem para as apresentações das gêmeas Xena e Zena e do sapequinha
Manny.
3 - 60's Fashion Peggy Moffitt
Ela dança, ela causa, ela abravana. E tudo isso lá nos anos 60! Peggy Moffitt foi uma das modelos-ícone do período e musa absoluta do estilista Rudi Gernreich, o inventor do monokini. Ela é uma das beldades que aparece no clássico "Blow-up", de Michelangelo Antonioni, e também no impagável filme-sátira da indústria fashion da época "Qui êtes vous, Polly Maggoo?", de William Klein.
As roupas, lindíssimas, são todas de Gernreich. Para ver e rever.
4 - Fellini´s Rome Catholic Fashion Show
Esse é um clássico absoluto assinado por Federico Fellini, um homem que quebrava tudo e não deixava por menos, sabe? Trata-se de um trecho do filme "Roma" em que ele critica toda a opulência e a ostentação da Igreja Católica com um desfile sensacional. Os trajes luminosos vazios, os cardeais cheios de ouro e pedrarias, os padres de patins e, no final, a entrada do papa (representado por um boneco). Um tapa na cara que poucos tiveram a coragem de dar. E pode ter tantas outras interpretações... Impecável, deveriam exibir nas escolas de moda.
+ 1 Superhero Fashion Emergency
Ok, esse é bem bobo, e muita gente deve conhecer. São super-heróis em crise e preocupados com a falta de masculinidade de seus uniformes. É muito engraçado, gente, até um pouco ridículo e nada politicamente correto (tenho alergia a essa expressão). Bom, nem só de seriedade se faz a vida (Deus me livre!). Adoro a parte do He-Man! "Shake that laffy taffy!"
![]()
http://www.youtube.com/watch?v=W19wr5rXVHk
Escrito por Vivian às 23h00
CALIFÓRNIA FREAK
O fotógrafo norte-americano Tony Stamolis vai lançar um novo livro com suas imagens, que sai nos EUA no próximo dia 20.
Tony já fez diversas exposições nos EUA, e seu trabalho pode ser visto em colaborações no "The New York Times" e nas revistas "Rolling Stone", "Giant", "Urb" e "Nerve", entre outras.
Em seu novo livro, chamado "Frezno", o fotógrafo voltou à sua cidade natal _ Fresno, na porção central da Califórnia_ e fotografou o estilo de vida, às vezes muito decadente, dos moradores de lá. Adolescentes entediados, velhotas freak, figuras mascaradas. Me lembrou um pouco as fotos da Diane Arbus em alguns momentos. Em outros, Terry Richardson.
Olha só:

Escrito por Vivian às 19h20
O QUE É MAL VESTIDO?
Nesta semana, algo me chamou atenção no noticiário policial: Jovem é morto por segurança nas Casas Bahia.
A notícia me fez pensar no depoimento da noiva (que o acompanhava na ocasião) e da irmã do jovem. Ambas disseram que o vigilante começou a implicar com o rapaz porque ele estaria "mal vestido"_ "usava bermuda, camiseta e chinelos".
Não sei o que se passou neste caso em específico e não quero fazer julgamentos. Porém, não dá para deixar de pensar no papel das roupas em certas situações de discriminação. Fiquei imaginando as roupas da vítima. Seriam de grife? Ou seriam simples? Uma bermuda e uma camiseta são sempre uma bermuda e uma camiseta, ou a marca e o grau de sofisticação mudam tudo?
Muitos foram os veículos de mídia, inclusive a Folha, que já mandaram repórteres vestidos de forma simples para testar a mudança de atendimento em lojas, restaurantes e outros pontos comerciais. O resultado foi sempre catastrófico, com graus altíssimos de preconceito
A moda é incrível por sua capacidade de alimentar imagens de sonho e fantasia. Mas chega um momento em que é preciso botar os pés no chão e avaliar a responsabilidade dos jornais, revistas e TVs sobre o que divulgam a respeito de status, elegância e imagens pessoais que devem ser endeusadas ou desprezadas. As roupas, sozinhas, não dizem nada. Fazem parte de um sistema de valores cada vez mais abstrato. Está aí algo que não pode ser ignorado...
Escrito por Vivian às 18h44
TALENTOS MÚLTIPLOS
Tem ilustrador novo na área!
Mais conhecido por sua (estilosa) presença à frente da banda Multiplex, Leandro manda bem nos looks, "do palco ao supermercado", como ele contou na edição de número 19 da revista "Moda", da Folha. Nos últimos meses, porém, o moço descobriu um novo talento, e tudo graças a técnicas de inspiração resgatadas da obra do guru beat Timothy Leary.
Tendo como base colagens, que ele mesmo faz, recorte por recorte, Leandro criou uma série de ilustrações artesanais. Depois, mostrou o resultado à estilista Karlla Girotto, que adorou, aprovou e o incentivou a continuar com o trabalho.
Na sequência, as imagens começaram a emplacar em blogs, sites e revistas, entre elas, as de Joyce Pascowitch.
A próxima série assinada por Leandro, que está em produção, será feita com imagens eróticas. Olho nele!
Abaixo, dois trabalhos de Leandro

Escrito por Vivian às 18h22
FASHION RIO DIVULGA DATAS
Os desfiles da temporada inverno-2009 do Fashion Rio serão realizados em janeiro, entre os dias 11 (domingo) e 16 (sexta). Os da São Paulo Fashion Week, como divulgado anteriormente, acontecem em seguida: entre 18 (domingo) e 23 (sexta). Fause Haten vai abrir os desfiles em São Paulo, e a Neon vai encerrar.
Escrito por Alcino Leite Neto às 16h13
KATE MOSS NA FORUM
A top Kate Moss foi contratada pela Forum para estrelar a campanha da grife para o inverno 2009, conforme comunicado à imprensa distribuído nesta manhã. A campanha será fotografada nos EUA, em dezembro, por David Sims e terá direção de arte de Giovanni Bianco. O estilista Tufi Duek, que vendeu a marca para o grupo AMC Têxtil, vai acompanhar os cliques em Nova York.
A AMC é também dona da Colcci, cuja garota-propaganda é Gisele Bündchen. Não foi divulgado, é claro, o valor do cachê (provavelmente milionário) pago a Kate Moss. Será maior que o de Gisele? Comenta-se que a top brasileira ganha US$ 1,5 milhão por temporada.
Escrito por Alcino Leite Neto às 13h03
COOL KIDS
Conhece Alice Glass? Pois prepare-se para ouvir falar dela.
A moça, vocalista da banda Crystal Castles (eles às vezes usam o logo da Chanel, dois "C"s, sacaram?), ficou em primeiro lugar na lista da revista inglesa "NME" que elege as 50 pessoas mais cool da música. Geralmente, quem fica no top 10 acaba virando hype e ícone de estilo, o que já está acontecendo com Alice.
Por exemplo: Lovefoxxx, que ficou em terceiro no ano passado, estampou uma penca de editoriais nas revistas de moda de maior prestígio no mundo. Neste ano, caiu para o 32º lugar, mas isso é bem discutível. O figurino dela está cada vez mais incrível, por sinal.

Alice e seu modelo Darth Vader
Alice Glass é bacana, tem língua afiada e um jeito divertido... Gosta de camisetas kitsch, meia-calça de oncinha e saias de cintura alta. Tem um cabelo tigela bem engraçado. Mas, não sei... A conferir. No momento, sou mais Alex Turner (4º), do Arctic Monkeys, Caleb Followill (7º), do Kings of Leon, ou a fashioníssima e linda MIA (8º).
No fórum de discussão da "NME", os leitores reclamaram mesmo da ausência do malucão Ryan Jarman, do The Cribs. Ele tem um visual meio paródia de Ramones, só que não é tão magro. E tem ótimos jeans rasgados _ eterna tendência rocker que agora está voltando às ruas. Usa uns cabelos estranhos (ótimos!) e é conhecido por ter causado na festa da própria revista, em 2006. Ele pulou numa mesa, se cortou num jarro, foi para o hospital, tomou pontos, fugiu, voltou para a festa, sumiu e foi encontrado sangrando numa calçada, de onde foi levado de volta ao hospital. Tá?

Jarman, no meio: os fãs te amam!
Para ouvir:
Crystal Castles: http://www.myspace.com/crystalcastles
The Cribs: http://www.myspace.com/thecribs
Escrito por Vivian às 22h30
E POR FALAR EM BANDAS E GAROTOS LEGAIS...
E no underground de SP, está rolando um novo espaço de encontro de bandas. É o Kafka Estúdio, que fica pertinho da Torre e já foi até locação para um editorial fotográfico da revista "Key". Stylists e produtores de moda também costumam baixar por lá.
O dono do estúdio, Diogo de Nazaré, também tem uma banda, o Kafka Show. O CD sai no início de 2009, mas as apresentações ao vivo já estão rolando por aí. Fun House, CB, Berlin, enfim, o baile todo (e sempre com casa lotada). O que mais chama a atenção é a ótima performance do frontman_ "rasgação" de roupas, dancinhas surtadas, vocal afiado. Formado em cinema, o moço ainda ataca de produtor musical e diretor de vídeos.
Foto: Flávio Dermarchi/Divulgação

Diogo é fã de um visual meio 80, década de onde vem boa parte das influências musicais da banda. Mas o lance dele é Brasil, no eixo Rio-SP: Gang 90, Cazuza, uma vibe meio "Rock Estrela" meio Fellini (a banda, não o diretor). A musa do vocalista é a (incrível e lindíssima) Sandra Bréa, pra quem ele até fez uma música.
Sandra, que foi diva no final dos anos 70 e início dos 80, teve uma vida louca (digna de filme): foi modelo, atriz, apresentadora de TV, sex symbol e, poderosa, teve a coragem de convocar uma coletiva de imprensa para anunciar que tinha Aids.
Arquivo Folha

Reprodução
E, como em qualquer point que se preze, a graça do Kafka Estúdio são os frequentadores. Entre figuras da moda e de músicos já bem conhecidos da cena rocker indie de SP, como Leandro, do Multiplex, e Maurício Fleury, que toca com o Montage, quem vem chamando a atenção são os divertidos meninos do Lovni.
O vocalista, Riccardo Lovni, veio direto do Rio, cheio de charme marrento. Por lá, trabalhou no Circo Voador e pilotou o bar do Mercado Mundo Mix carioca. Em 2006, sua banda lançou um disco, que recebeu diversos elogios da imprensa local. Mas o moço decidiu mudar tudo: veio de mala e cuia para São Paulo e trocou a formação do grupo, que agora tem também um itegrante paulistano e um libanês.
A nova fase da banda investe num eletrônico pesado, com funk, rap e uns climas bem viajantes. Em menos de um mês, o MySpace do Lovni começou a bombar de acessos, o que já rendeu contatos com DJs de Nova York, da Califórnia e até da Sérvia.
Foto: Flávio Dermarchi/Divulgação

Quando não toca, Riccardo faz design de iluminação e arrasa como videomaker. Para os novos clipes do Lovni, que saem em 2009 junto com o novo CD, ele está apostando em colagens feitas com trechos de vídeos "roubados" do You Tube. O cineasta hype Harmony Korine, em entrevista à "Interview", em maio, disse que está começando a trabalhar com esse método, que tem tudo para virar mania rapidinho.
E para não dizer que não falei de moda, Diogo e Riccardo têm entre seus hobbies a arte de estampar, pichar e derreter (
!!!) camisetas. Eles também são entusiastas da crescente onda de compradores de roupas de brechó (inclusive os "de bairro", que cobram preços bem amigos).
Para pensar: comprar em brechó, é uma das poucas coisas realmente "verdes" e "sustentáveis" da moda. Afinal, a peça que vai do brechó para o seu armário é, de certa forma, reciclada, certo?
Para ouvir:
Kafka Show: http://www.myspace.com/kfkshw
Lovni: http://www.myspace.com/lovni
Escrito por Vivian às 22h04
MINAS NA MODA

A terceira edição do Minas Trend Preview, evento para lojistas que antecipa o lançamento das coleções outono-inverno 2009 de 30 grifes, começa hoje e vai até o próximo dia 15,
Hoje, rola um misto de desfile e shows musicais, na linha do gringo Fashion Rocks, e amanhã acontece a premiação do AngloGold,
segundo a organização, o maior concurso de design de moda da América Latina. Enquanto isso, os comerciantes locais (e os visitantes do resto do país) vão antecipando suas compras. Muitos negócios e pouco alarde, como manda a etiqueta mineira.Escrito por Vivian às 18h44
FEITIÇO BRASILEIRO
Só mesmo no Brasil poderia ocorrer esta cena imortal: Valentino, um dos maiores estilistas da história da moda, vendo (de pé) e aplaudindo o desfile da nova grife fast fashion 284, no clube gay The Week, durante o Claro Rio Summer.
Escrito por Alcino Leite Neto às 02h56
ISSA NO RIO SUMMER
A grife Issa, da brasileira Daniela Helayel, sediada em Londres e sucesso entre as "it girls" britânicas, deve ser convidada para desfilar no próximo Rio Summer, em 2009.
Escrito por Alcino Leite Neto às 02h25
ETIQUETA FASHION-JORNALÍSTICA
Duas coisas que as assessorias de imprensa, estilistas, parentes e amigos das grifes não devem perguntar para o crítico de moda, durante ou após os desfiles:
1) Se ele gostou do desfile;
2) Se ele vai publicar uma boa matéria sobre o desfile.
Uma crítica não é uma opinião, um "gostei ou não gostei". Ela exige maturação das idéias e das sensações, raciocínio, visão do conjunto e precisão da análise, para não resultar em julgamento leviano. Quem vive soltando "parabéns" para estilistas e afins no final dos desfiles não é crítico: é amigo, marketeiro ou puxa-saco.
Escrito por Alcino Leite Neto às 02h24
A VISÃO EUROCÊNTRICA
Uma das coisas mais perturbadoras para um crítico brasileiro num evento fashion nacional com a presença de jornalistas estrangeiros é verificar que, muitas vezes, estes não estão esperando que as grifes daqui façam aquilo que se chama de moda.
Há jornalistas estrangeiros que apenas esperam ver produtos "diferentes", "típicos" ou "divertidos" nos desfiles no Brasil, porque partem do princípio de que a moda mesmo, no sentido forte do termo, como criação original, de alta qualidade técnica e capaz de indicar novos horizontes, é algo que eles só poderão encontrar nas passarelas européias.
Foi o que deduzi de conversas informais com alguns jornalistas e compradores estrangeiros no Rio Summer. E eis porque alguns deles gostam tanto de grifes que, no conceito da imprensa nacional, ocupam apenas um lugar secundário no cenário fashion do país.
Escrito por Alcino Leite Neto às 02h21
AJUSTE CONTEMPORÂNEO
Entre os anos de 1940 e 1970, para ficar neste século, o Rio de Janeiro viveu um apogeu cultural, agremiando os principais talentos do país na música, na literatura, no teatro e em outras artes _bem como os principais símbolos da elegância nacional. Neste período, ali se determinava o estilo brasileiro de vida.
Por isso, é natural que imagens nostálgicas e retrôs tenham pontuado os desfiles do Rio Summer, como na grife Adriana Degreas (que estampou o rosto de Carmen Mayring Veiga e paisagens cariocas antigas em um tecido de tom amarelo-velho) ou na grife Cris Barros (que exibiu no telão um filme em preto-e-branco com cenas do Rio no final da década de 50 ou dos anos 60).
Bem, já que esta época acabou, valeria, no próximo Rio Summer, se debruçar sobre a riqueza sociocultural contemporânea da Cidade Maravilhosa e as suas novas imagens fashion, já exploradas inclusive por várias revistas brasileiras e estrangeiras: a energia do funk; a Copacabana trash, com seu universo de putas, michês e travestis; e o kitsch da Barra da Tijuca _para citar os mais óbvios.
Escrito por Alcino Leite Neto às 02h19
MODA PRAIA E UMA IDÉIA FEITA
É frequente ouvir entre os fashionistas o comentário de que, dadas as suas limitações formais, a moda praia é menos moda e mais produto. Trata-se de uma idéia feita, que parte de um princípio equivocado, segundo o qual um segmento especializado não pode fazer moda por inteiro.
Penso que a moda, como design criativo e como diálogo com a época, está em toda parte, dos sapatos à bijuteria, dos biquínis ao vestido de noiva. Os melhores estilistas de beachwear brasileiro, que são muito inquietos, já demonstraram isso.
O que de fato ocorre é que a moda praia trabalha de maneira muito mais sutil que outros setores, em detalhes mínimos de construção da peça, elaborações arquitetônicas contidas, numa meticulosa seleção e combinação de cores e estampas. Mal comparando, é como se uma roupa completa fosse uma epopéia, e um biquíni fosse um hai-kai _sendo ambos parte desta coisa maior que se chama poesia.
Escrito por Alcino Leite Neto às 02h16
MODA PRAIA NO RIO SUMMER
Das 16 marcas que desfilaram no Claro Rio Summer, 8 eram grifes de moda praia. A seguir, um breve comentário sobre as coleções das grifes de beachwear do evento, cujas fotos podem ser encontradas no "Estilo/Moda", do UOL:
Blue Man
A grife carioca Blue Man tem um consagrado know-how de moda praia _e o desfile no Rio Summer foi uma prova disso. Mas as estampas (na maioria, florais) e suas combinações não fizeram jus ao resultado obtido nas modelagens. No conjunto, a coleção pareceu apressada, feita de improvisos, e com idéias e formas ainda em processo de maturação.
Adriana Degreas
Na grife paulista Adriana Degreas, o destaque foram as peças iniciais em preto e transparências, mais arquitetônicas e que exploravam uma sensualidade madura, bem provocativa, quase de "boudoir". Algumas delas, aliás, são mais apropriadas para se usar como top ou entre quatro paredes _não por puritanismo, mas por praticidade.
Em seguida, vieram os estampados, um tanto enfadonhos, sem surpresas: uma variação geométrica da calçada de Copacabana e, depois, imagens retrôs do Rio printadas em amarelo velho. O uso do brilho e do nude em algumas peças ficou excessivo _a coleção pareceu, então, atirar em várias direções formais, escudada pela onipresença do tema, que era o Rio dos bons tempos.
A grife criou uma das imagens marcantes do Rio Summer: a modelo Isabeli Fontana, com um caftã estampado com a imagem do Cristo Redentor, de braços abertos _como uma verdadeira redentora da moda. De tão kitsch, ficou divertida.
Apesar do show gostoso de Bebel Gilberto, do ambiente cool da varanda do Copacabana Palace, o desfile foi um tanto arrastado. A grife insistiu demais numa imagem chique e sofisticada _a tal ponto, que algumas vezes tudo parecia irreal, apenas um espetáculo sobre mulheres inexistentes. Não seria melhor se debruçar sobre o contemporâneo e as garotas concretas?
Salinas
A carioca Salinas acertou em quase tudo, com sua coleção leve, divertida, atual e despretenciosa, mas com pequenas invenções aqui e ali, que enchiam os olhos do público. Também não insistiu no erotismo, deixando a sensualidade vir espontaneamente, o que é sempre mais encantador. Esta coleção, aliás, foi melhor do que a exibida pela grife no último Fashion Rio.
Rosa Chá
A coleção da paulista Rosa Chá, inspirada no trabalho do artista plástico Gonçalo Ivo, começou com uma boa série de looks monocromáticos laranjas, em que Amir Slama concentrou sua maestria na arquitetura das peças.
A primeira série de estampas também foi boa, assim como os looks em preto que vieram em seguida. Pouco a pouco, porém, o exagero decorativo foi se sobrepondo ao rigor arquitetônico _um excesso de brilhos, rendas, transparências, "bondages", deixando a imagem da coleção rebuscada e confusa.
Nem sempre a busca de referências na arte é um bom caminho para o design de moda. Dependendo do artista escolhido, pode até mesmo levar ao precipício.
Jo de Mer
A estilista Amalia Spinardi desfilou a coleção da sua grife Jo de Mer na Casa das Canoas, sensacional construção de Oscar Niemeyer dos anos 50, em São Conrado. Alguma coisa do modernismo do arquiteto resvalou para os maiôs e biquínis, como nas peças com recortes em losangos ou formas circulares.
Uma série de looks com babados apareceram ao final _mas o detalhe romântico funcionou melhor em construções simples nos biquínis do que nas formas abundantes usadas em maiôs.
Fiquei com a impressão de que Amalia é melhor colorista do que "arquiteta". E de que os maiôs inteiriços _que têm uma superfície "pictórica" maior_ foram as peças mais bem-sucedidas e elegantes deste seu primeiro desfile, particularmente os bicromáticos com contraste forte de tons.
Triya
O desfile da Triya foi marcado pelo desenho dramático das peças, que apostaram numa feminilidade forte e esfuziante. A grife mostrou vários bons looks, certas silhuetas arrojadas e algumas estampas vibrantes, mas muitas vezes partiu para soluções fáceis de design e recorreu a efeitos decorativos elementares, ginasianos.
A grife tem energia e personalidade, mas precisa depurar as formas, amadurecer conceitos, sofisticar o design e pensar melhor e com mais inteligência na unidade da coleção. Ela tem tempo para isso, este foi apenas o seu primeiro desfile.
Cia. Marítima
Para a Cia. Marítima o beachwear é uma modalidade do erotismo. Seus desfiles são sempre muito quentes, e o do Rio Summer não foi diferente, com minibiquínis muito provocativos. Mas a grife também mostrou opções mais "conservadoras", em que o esforço de design apareceu um pouco mais.
Gostei dos nós que amarravam decorativamente a frente dos maiôs e dos biquínis _um recurso simples, charmoso e também malicioso. Os broches de metal já me pareceram um pouco pedantes, ainda mais que foram usados numa profusão desnecessária. O trabalho com rendas mostrado no início do desfile foi um dos destaques da coleção.
Lenny
Sobre a grife carioca Lenny já escrevi algumas palavras no meu artigo na Folha, publicado na segunda-feira (10/11/2008). Foi um dos melhores desfiles do evento, em termos gerais, e não apenas no setor de beachwear _porque a estilista não mostrou só moda praia, mas uma coleção casual completa, ainda que pequena, para o verão e as férias.
É preciso ressaltar também o trabalho com os tecidos e as estampas. As lycras piqués, nas cores areia, azul e café _"caiadas a mão", como diz o release, o que as deixou manchadas_, causam forte impacto. Nas estampas, aparecem formas baseadas na pele da cobra, na casca do besouro, nas cores da borboleta, no casco da tartaruga e nos riscos do bambu, mas tudo com um desenho que flerta com a abstração, mais preocupado em construir massas de cores, riscos e manchas do que em mimetizar a textura dos bichos.
O que mais impressiona, porém, no trabalho de Lenny é como ela consegue criar um design tão sofisticado sem transformar a mulher num laboratório visual de moda. As garotas carregam um biquíni de última geração, mas permanecem superfemininas e, claro, chiquérrimas.
Escrito por Alcino Leite Neto às 02h15
MTV E A OBAMANIA
A cerimônia do MTV Europe Awards, que rolou ontem à noite, deu sequência ao clima de euforia mundial graças à vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais dos EUA. O rosto de Obama apareceu até no telão, para comoção geral da platéia. E mais:

A cantora Katy Perry, que apresentou o evento, usou vestido Obama do estilista Jean-Charles De Castelbajac

Os meninos do 30 Seconds to Mars com as camisetas Obama by Obey, que venderam feito água nos EUA
Mas preciso confessar que hoje, vindo para a Folha, vi o Obama boy mais presença da semana. Um garotão da galera dos nigerianos aqui do Centro (eles são MEGA estilosos), com camiseta Obama de inspiração vintage, uma bermuda de rapper luxuosa, blings diversos e óculos absurdos. De botar no chinelo qualquer fashionista de nariz empinado. Pena não ter dado para fotografar...
Escrito por Vivian às 20h11
LIVRE PARA COPIAR
O estilista e diretor de arte Jum Nakao, um dos designers mais dispostos a pensar a moda além das cifras e do mercado, é o idealizador da exposição Re[Produzir], mostra gratuita que rola até domingo em estações de metrô (entre elas, Ana Rosa, Brás, Saúde, República, Tatuapé e Campo Limpo) de São Paulo.
Foto: Folha Imagem

O estilista Jum Nakao
A idéia da exposição, que faz parte da semana Viver Design em SP, organizada pela Prefeitura da capital, é discutir a questão da cópia e do acesso à moda. Dezoito estilistas e grifes, entre eles, Fabia Bercsek, Huis Clos, João Pimenta, Karlla Girotto e Ronaldo Fraga, criaram looks que foram colocados nas estações. Os moldes dessas peças foram impressos em papel e serão distribuídas à população, que terá acesso ao processo de construção das roupas expostas. Assim, costureiras, alfaiates e estudantes de moda, além de amadores que curtem uma máquina de costura, poderão reproduzir em casa, a partir dos moldes e instruções, as criações dos estilistas.
"Nos segmentos em que trabalhamos _cultura e moda_ só se consome marcas ou preço e não conteúdo e design. Por isso aceitei fazer esse projeto, que é direcionado à população sem ser populista, fala do saber e resgata a construção e seu lado humano", diz Jum.
Dica da leitora Fernanda:
"Vc pode ter acesso aos moldes e às fotos de todas as peças pelo site http://www.viverdesignsp.com.br/exporeproduzir2.htm". Tks, Fê.
Escrito por Vivian às 18h53
CAETANO E O PRESIDENTE "MULATO"
Foi uma delícia o pocket-show de Caetano Veloso no coquetel de abertura do Claro Rio Summer, na noite de ontem (5/11). Ele se apresentou sozinho à beira da piscina do hotel Fasano, com uma vista de arrepiar para a praia de Ipanema. Antes do show, falava-se que ele cantaria apenas seis músicas. Na verdade, cantou 15, fazendo uma espécie de miniantologia de seu repertório, acrescida de alguns standards brasileiros. Decerto estava pensando no público estrangeiro que assistia à apresentação _jornalistas, compradores e celebridades, como o estilista italiano Valentino.
Caetano abriu com "Coração Vagabundo’’ e seguiu com "Cidade Maravilhosa’’. Encerrou com "Terra’’ e "Desde Que o Samba É Samba’’. No recheio, "Chega de Saudade’’, "Você É Linda’’, "Menino do Rio’’... O compositor, vestido de camisa listrada azul e calça cinza, falou pouco durante o show. No início, disse apenas: "Boa noite. Eu estou aqui’’.
Mais tarde, fez comentários sobre o clima no Rio: "O tempo tá bom, a chuva não cresceu, eu vou cantar mais um pouquinho, porque estou aqui por causa de vocês’’. O publicitário baiano Nizan Guanaes, sentado em frente ao pequeno palco improvisado, não se conteve e gritou: "Coisa linda da vida!’’. Ao que Caetano retrucou, em tom levemente repreensivo: "Nizan, Nizan...’’. A platéia, muito atenta, mas blasé, evitou acompanhar em voz alta as músicas e transformar tudo aquilo numa roda de MPB _no máximo, sussurrou em algumas passagens.
Ao final, perguntei a Caetano como ele recebeu a vitória de Barack Obama. "Fiquei muito contente. É um presidente mulato. Nós, brasileiros, estamos acostumados com os mulatos. Adorei também as comemorações nas ruas americanas, fiquei comovido’’, disse o músico, antes de ser assediado pelos convidados.
Havia um número bem maior do que os cem convidados previstos no concorrido coquetel no Fasano. Valentino foi dos primeiros a chegar, às 19h30. O estilista da Calvin Klein, Francisco Costa, vestido de Osklen, também foi pontual. Três celebridades chamaram a atenção pelo look branco total: a ex-modelo e jet-setter Andrea Dellal, a estilista Lenny e a cantora Marina. A festa na cobertura do Fasano durou até às 22h30.
Escrito por Alcino Leite Neto às 02h50
DESFALQUE NA PRIMEIRA FILA
O estilista Francisco Costa não vai mais assistir aos desfiles do Rio Summer. Embarca hoje (6/11) de volta para Nova York.
Escrito por Alcino Leite Neto às 02h44
PROVA DE AMIZADE
A Salinas, grife de moda praia carioca, cedeu um espaço de sua fábrica para que a Rosa Chá, grife de moda praia paulista, pudesse fazer ajustes de última hora em sua coleção. As duas se apresentam no Rio Summer.
Escrito por Alcino Leite Neto às 02h43
VISTA PARA O MAR
A organização do Rio Summer teve que rebolar para dispor os fashionistas estrangeiros no hotel Fasano, já que nem todos tiveram direito a um quarto com vista para o mar. Foram parar nos fundos do hotel _inteiramente reservado para o evento.
Escrito por Alcino Leite Neto às 02h42
QUERO O PAULO BORGES!
Nizan Guanaes voltou a conversar com Paulo Borges, diretor da São Paulo Fashion Week, e também com o grupo Inbrands, o novo sócio do evento de moda paulista. O publicitário quer porque quer que Borges pilote as próximas edições do Claro Rio Summer, que, segundo um estilista, reuniu um patrocínio três vezes maior do que o da SPFW.
Escrito por Alcino Leite Neto às 02h42
FASHION RIO E PETROBRAS
Algumas grifes que se apresentam no Rio Summer convidaram para os seus desfiles a diretora do Fashion Rio, Eloysa Simão, cujas relações com Guanaes não são das melhores. As reações da tradicional semana de moda carioca à investida do publicitário no ambiente fashion carioca não devem, porém, tardar _fala-se, inclusive, de um megapatrocínio da Petrobras para as próximas edições do Fashion Rio.
Escrito por Alcino Leite Neto às 02h41
SPFW DEFINE DATAS
A temporada do inverno-2009 da São Paulo Fashion Week vai ocorrer de 18 a 23 de janeiro.
Escrito por Alcino Leite Neto às 02h40
THE OBAMAS

They will rock you!
Os maiores ícones pop do momento não vêm do rock nem do cinema. São os Obama, especialmente Barack, presidente recém-eleito dos EUA, e Michelle, uma primeira-dama bonitona, estilosa e muito inteligente. Vamos acompanhar os próximos capítulos dessa história de sucesso na Casa Branca e nos muitos palcos de debate político mundo afora (e nas vitrines, nos editoriais, nas passarelas...).
PS: E o look em preto e vermelho da família? Ousado, bem dramático, bem "fierce", como diriam os americanos. Coisa de quem não está para brincadeiras... Charme e poder! Gostaram?
PS2: O vestido (na foto) que Michelle escolheu para aparecer no anúncio da vitória de Obama é de Narciso Rodriguez. Desnecessário dizer a moral que o estilista ganhou e quanta gente ele deve ter desbancado nessa briga...
Escrito por Vivian às 16h28
EM VIVO CONTATO
“I have always relied on the kindness of strangers” (Eu sempre dependi da bondade de estranhos), diz a personagem Blanche Dubois na clássica passagem de “Um Bonde Chamado Desejo”, de Tenessee Williams.
No caminho de Blanche (e da esmagadora maioria da humanidade), o artista plástico, estilista e stylist Maurício Ianês também dependerá da ajuda de desconhecidos durante sua performance na 28ª edição da Bienal de SP, cujo tema é "Em Vivo Contato".
Em “Bondade de Estranhos”, Ianês só poderá vestir, comer, beber e usar coisas que forem dadas a ele. Hoje, na estréia, o artista, que começou nu, logo ganhou água e uma camiseta.

As pernocas de Ianês e a água oferecida por um bom coração
Chama a atenção para a arte do contato. Fala da comunicação real com o outro, que passa pela “bondade de estranhos”, pela generosidade e pelo incômodo que origina novos pensamentos e leva à ação. Ianês não traz respostas prontas, antes pergunta em silêncio. Merece todos os aplausos.
Mas a Bienal não parece assim tão aberta a fazer um debate mais recheado sobre seu próprio tema...
(continua abaixo)
Escrito por Vivian às 22h37
BIENAL DO PIXO
O episódio dos 40 pichadores que entraram (não invadiram, entraram pela porta da frente) no pavilhão da Bienal e escreveram nas paredes do já famoso andar “do Vazio” é uma das grandes discussões artísticas do ano. Pena ter sido abafada por preconceitos disfarçados, pela falta de disposição a um debate real (extenso e complexo) e pela criminalização instantânea e reacionária do ato.
Eu não me dei por satisfeita com o desfecho (o de mandar uma garota para a cadeia) e proponho retomar o assunto.

Estudantes questionam a "Bienal do Vazio"
Algumas considerações e perguntas, para começar o remelexo:
Muitos artistas, inclusive o designer e fashionista Karim Rashid, apontaram a falta de verbas e de idéias como o verdadeiro motivo do andar vazio. Circulam na mídia críticas e elogios à Bienal como um todo e especificamente à proposta do "nada". Segundo o curador Ivo Mesquita, a idéia é convidar o visitante a usar a imaginação e a pensar o papel do vazio no processo criativo. Além disso, foi uma maneira, sim, de abordar o tema da crise pela qual a Bienal vem passando, incluindo graves problemas de administração.
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O ponto de partida da curadoria, duramente criticado, pode ser defendido a partir de alguns aspectos. A beleza do espaço cru e o estímulo inusitado à mente dos visitantes (tão acostumados a bombas podres de informação) parecem ser os mais pertinentes.
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Já o também polêmico pixo (no dialeto, com x), especialmente o feito em São Paulo, é alvo de estudo de teses em todo o mundo. Alguns tipos de “tags” (aquelas letras estranhas, complicados hieróglifos urbanos) foram criados aqui e não existem em nenhum outro país. O pixo usa a cidade como galeria aberta, sem curadoria. Ganha moral quem se arrisca mais, quem vence mais obstáculos.
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A legislação brasileira considera a pichação ilegal, no entanto, a polícia admite a impossibilidade de prender todos os pichadores, visto que o pixo, como indiscutível elemento da cultura urbana, se tornou uma atividade muito popular, principalmente (mas não só) na periferia das metrópoles. A Prefeitura de São Paulo calcula em 5.000 o total de pichadores, mas basta circular na cidade para ver o quanto o número está defasado.
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Aliás, a Prefeitura não parece ter definido muito bem a diferença entre pixo e grafite e, por engano, mandou cobrir com tinta cinza um painel gigante da dupla brasileira Os Gêmeos, que está entre os maiores nomes do grafite mundial.
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Vale lembrar que o grafite, que hoje enfeita roupas de luxo, paredes de residências finas e galerias, também esteve muito tempo na ilegalidade. O que acontece atualmente é que o poder público oferece paredes específicas a determinados artistas, algumas delas feitas sob encomenda, ou seja, com tema específico. O grafite sem permissão, no entanto, ainda existe nas metrópoles, até porque artistas “sem nome” dificilmente conseguem paredes oficiais.
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Será que o pixo também vai virar tendência? Ganhar as passarelas? ![]()

Pixo amigo na camiseta da R. Groove
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Vandalismo, no Aurélio:
S. m.
1. Ação própria de vândalo.
2. Destruição daquilo que, por sua importância tradicional, pela antiguidade ou pela beleza, merece respeito.

Parede da Bienal pichada
Prédio da Bienal adaptado para feira de aventura
Escrito por Vivian às 22h35
BIENAL DO PIXO - PARTE 2
Agora, algumas perguntas, considerações e provocações:

Detalhe de pixo
Será que o episódio "representa uma ameaça à constituição de um espaço público coletivo, que respeite a integridade de cada cidadão e o patrimônio material e simbólico da nossa cultura", como diz a organização do evento em comunicado público? Os pichadores atacaram alguém ou apenas resistiram à prisão? Destruíram algo além da vidraça? Os pichadores preencheram o vazio com criação ("Em Vivo Contato"?)? Não era essa [a interatividade] a proposta da curadoria?
As paredes da Bienal foram repintadas, estão intactas novamente. Nenhuma obra foi danificada (de fato, não há relatos na mídia impressa e online dizendo que os pichadores sequer tenham tentado danificar alguma obra. Os vídeos no You Tube também reforçam essa versão). É justo e correto, portanto, chamar os pichadores de vândalos? De "bando de criminosos"? Vídeos (1 e 2) mostram, inclusive, que os pichadores foram aplaudidos por diversas pessoas que acompanharam o episódio. Gritos de "maloqueira" se misturam a outros de "solta ela" e "liberdade de expressão" neste vídeo que acompanha a prisão de uma pichadora.
A solução é proibir mochilas, colocar detectores de metal e aumentar a segurança? A Bienal é um espaço de discussão artística, uma vitrine feita para observadores passivos ou um aeroporto pós-11 de Setembro? NDA?
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Aqui, alguns comentários sobre o pixo como arte:
Frase no blog da Editora do Bispo, sobre a pichação na Bienal:
A única maneira coerente do pixo entrar nas galerias de arte é arrombando a porta
Trecho de tese de mestrado em Comunicação Visual, defendido na hypada Central Saint Martins, em Londres, em 2006:
“Observei a maneira com a qual o grafite [em inglês, graffiti, que inclui também o termo pichação (pixo), da língua portuguesa] se desenvolveu como uma ferramenta dos marginalizados para se fazerem ouvidos, por meio da apropriação do aparato da elite: a propaganda, ou, como algumas pessoas preferem chamar, anúncio. Eu só pude chegar à conclusão de que o grafite (pixo) é o desenvolvimento lógico da arte. Uma combinação de arte, cultura popular e do princípio que guia a publicidade, que é onipresente”
O fotógrafo João Wainer, em seu blog “O Tranca Rua”, em post de 24.abr.2007:
O cidadão que nasce pobre na favela é programado pelo sistema para ficar quieto, e quando ele deixa de lado o lugar que lhe foi destinado e se expressa através de um rap cheio de raiva ou de uma pixação de 20 metros num viaduto ele esta fazendo exatamente o que grandes artistas contemporâneos fizeram através de suas obras: Estão incomodando, e a sensação de incômodo é o princípio ativo de toda arte que se preze
Mona Lisa de Sapeck
Nos comentários, vamos evitar opiniões rasas e botar para fora nossas idéias, propostas, alternativas, argumentos bem construídos, sejam eles contrários ou favoráveis aos pichadores ou à organização da Bienal. O importante é falar de arte, de exclusão e rever conceitos. Crise financeira, eleição americana, decadência do luxo... O mundo está mudando. E os momentos de mudança são ótimas oportunidades para a construção de novas formas de pensar.
E aí, vai encarar? ![]()
PS: Para quem se perguntou: e o que isso tem a ver com a moda? Tudo. Pode não ter a ver com roupas e sapatos em si, mas dá pistas importantíssimas para a discussão do sistema da moda, que já está gritando e também deverá passar por mudanças radicais.
Escrito por Vivian às 22h28
AMY TUPINIQUIM

Escrito por Alcino Leite Neto às 14h22
A SÁTIRA DE MICHAEL ROBERTS

O editor Michael Roberts, da "Vanity Fair", lança hoje (terça, dia 4), no Rio, o seu novo livro, o divertidíssimo "Fashion Victims" (ed. Harper Collins), uma coletânea de poemas satíricos sobre o mundo da moda e seus personagens. As ilustrações, muito interessantes, também foram feitas por Roberts. Os autógrafos acontecem na Livraria Travessa, do shopping Leblon, a partir das 18h. Depois do lançamento, Lenny Niemeyer faz um jantar "petit comité" para o editor e amigos.
Meu nome é Trudi e sou da Elite.
Escrito por Alcino Leite Neto às 01h48
FESTA DA ILHA FISCAL
O pessoal da moda adora a auto-ironia. A Ilha Fiscal, no Rio, que abrigou o último grande baile da monarquia, será o cenário de uma megafesta promovida pela empresa La Estampa, com show de Roberta Sá. Será na próxima quinta, dia 9 de novembro _o mesmo dia e o mesmo mês em que ocorreu a festança derradeira do Império, há 119 anos, e onde foram servidos (informa a "Wikipedia"): 800 kg de camarão, 1.300 frangos, 500 perus, 64 faisões, 20 mil sanduíches, 14 mil sorvetes, 2.900 pratos de doces, 10 mil litros de cerveja e 304 caixas de vinhos, champagne e outras bebidas. Seis dias depois, em 15 de novembro, foi proclamada a República.
Escrito por Alcino Leite Neto às 01h27
OSKLEN CONVIDA PARA LENNY, E VICE-VERSA
Escrito por Alcino Leite Neto às 19h28
NIZAN ESTÁ PENSANDO NA SUCESSÃO
Escrito por Alcino Leite Neto às 18h37
LOJA DE MARC JACOBS ADIADA PARA JANEIRO
Escrito por Alcino Leite Neto às 18h19


