Última Moda
Última Moda
 

INSPIRAÇÃO

Para fechar bem o meu ano no blog, fiz uma lista de 5 (+1) itens para inspirar 2009. Espero que vocês gostem.

Ano que vem estou de volta, rasgando tudo.

Obrigada pela atenção, pelas idéias e pela presença de todos os que passaram por aqui.E 2009, pressinto, será um ano para olhos e corações abertos... Inocente

Justice and love 4 all!!! Bjs, Vivian

1 - As canções do Vanguart (que lança seu primeiro DVD em 2009) e as do The Verve (que lançou disco novo em 2008 e, dizem, deve tocar por aqui no ano que vem). Uma banda brasileira, de Cuiabá, e outra inglesa. De um lado, Hélio Flanders, melhor letrista que apareceu por aqui nos últimos dez anos. Do outro, Richard Ashcroft e sua poesia que nem parece desse mundo. Para ouvir agora, amanhã e sempre.

2  - Roça. A tradição rural do Brasil é uma coisa riquíssima. Do bolo de milho e da moda de viola aos lindos vestidinhos de algodão. A música sertaneja roots arrasa. Incluindo  a fase clássica de Chitãozinho e Xororó (aquele corte de cabelo deles, aliás, é última moda na Inglaterra, todos os garotos rockers usam), que muita gente gonga, mas sabe cantar tudinho...

3 -  O livro "Cântico dos Cânticos"(ou "Cantares"), atribuído ao sábio rei Salomão e presente no Antigo Testamento. Tem muitas interpretações, mas a beleza é uma só.  "Teus lábios são fitas de púrpura, de fala maviosa. Tuas faces são metades de romã, na transparência do véu..." Coisa fina. 

4 - O documentário "A Ponte", de Roberto T. Oliveira e João Wainer, sobre a "parede" que isola as periferias das grandes cidades (especificamente a de São Paulo). Tem Dagmar Garroux, a pedagoga brilhante que criou a Casa do Zezinho, e Mano Brown, um dos maiores gênios da música brasileira, que vive o que canta. Um CD novo do Racionais, aliás, seria coisa linda para 2009... 

5 - A reedição de "A Descoberta do Mundo", de Clarice Lispector, que acaba de sair pela Rocco. Leiam.

+1 - Vermelho. Será a minha cor para 2009.

Escrito por Vivian às 18h54

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THERE´S SOMETHING ABOUT BETTIE

Pouca gente comentou a morte de Bettie Page, no último dia 11. Bettie foi uma das maiores pin-ups da história, embora jamais tenha alcançado, digamos, o "mainstream", como algumas de suas colegas.

Bettie influenciou diretamente o estilos de beldades do momento, como a cantora Katy Perry e a performer e atriz Dita Von Teese, que citam a pin-up como uma das principais fontes de inspiração para seus looks, incluindo a famosa franjinha curta, reta e lisa.

Nascida em Nashville, numa família pobre, Bettie teve uma trajetória difícil. Foi violentada pelo pai, explorada por seus contratantes (que a pagavam miseravelmente) e acusada pelos moralistas, que condenavam suas fotos _ em muitas delas aparecia nua e chegou a fazer séries com imagens tipo "bondage". Perto das poses ginecológicas exibidas hoje em certas revistas e do tanto de nudez presente na TV, o material chega a ser ingênuo.

Bettie não foi apenas mais uma pin-up. Desenhava e costurava seus próprios vestidos e biquínis: muitos deles aparecem em suas fotos. Se formou em artes cênicas, o que contribuiu para que ajudasse a dirigir suas próprias sessões de fotos. Foi uma das melhores modelos de todos os tempos (embora nunca tenha entrado para o circuito fashion), arrasava diante das câmeras. E conseguia isso com curvas generosas, femininas.

Havia algo de especial em Bettie. 

Em geral, as pin-ups _ tanto as de carne quanto as feitas por desenhistas_ faziam carinhas falsas de meninas ingênuas e levadas, como se tivessem sido surpreendidas seminuas por um garanhão qualquer.

Bettie não. Ela sabia sorrir aberto. Se mostrava mulher. E às vezes, só às vezes, se deixava fotografar em momentos de explícita tristeza, os olhos melancólicos. Suspeito que fosse essa a sua nudez mais verdadeira.

Escrito por Vivian às 19h00

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ATÉ QUE ENFIM!

Ontem, a Record News transmitiu uma ótima entrevista com o Ministro da Cultura Juca Ferreira. Entre os assuntos abordados, estava a prisão da pixadora Caroline Piveta, levada para um presídio após participar de um protesto de pixadores durante a 28ª edição da Bienal de SP, que terminou no mês passado.

O ministro, que não é simpático à pixação em geral (em muros, casas e monumentos), defendeu o direito de Caroline e condenou sua prisão como um ato "de censura e cerceamento da liberdade de expressão". Durante a entrevista, usou argumentos muito pertinentes, alguns deles apresentados por este blog logo após o episódio da "invasão" da Bienal.

Alguns deles:

1 - Os curadores vieram com a história de Bienal do Vazio, que teve um andar inteiro sem obras, com paredes nuas. Para justificar a escolha, "convocaram" a população a se expressar e a usar a imaginação, diante do imenso branco conceitual. Os pixadores não fizeram nada além de corresponder ao chamado da curadoria. Depois, os mesmos organizadores chamaram o ato de "vandalismo", o que não coresponde à realidade, já que a pixação aconteceu dentro de um contexto de expressão artística e durante uma exposição de artes que se dizia "interativa".

2 -  A reação foi injusta, desmedida e autoritária como há muito não se via no Brasil

3 - As paredes da Bienal, único "ponto" atingido pelos pixos, foram feitas para receber obras, pregos, pinturas etc Depois, basta uma nova camada de branco. Segundo o ministro, a repintura é praxe após o término das exposições

Aos que apoiaram a prisão com argumentos caquéticos, burocráticos e reacionários, o desfecho do caso traz uma lição de Justiça. O ministro interferiu pessoalmente na história, e, após ter dois habeas corpus negados, Caroline foi libertada hoje.

 

Para a curadoria da Bienal, o ano termina mal, muito mal. Uma edição fraquíssima, sem idéias relevantes, sem substância. E o mais irônico é que, com o episódio da pixação, isso poderia ter sido revertido. O evento poderia ter recebido a manifestação com olhar artístico, não policial. Poderia ter visto nela uma possibilidade real e concreta de justificar a proposta do vazio como convite à expressão popular. Perdeu a chance. Deu uma aula de caretice, de autoritarismo, de histeria e preferiu fechar a arte numa caixa sem ar e sem horizonte. É uma pena. 

 Aliás, na entrevista, Juca Ferreira sinalizou com o desejo de rever o formato e o conceito de curadoria da Bienal. Tomara que leve à frente a idéia. O circuito de artes brasileiro precisa mesmo se preocupar menos com as paredes e mais com os ares de mudança.

Escrito por Vivian às 18h40

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O LENÇO ROSA DE GLAUBER

Qual é o lenço mais famoso da cultura brasileira? Essa pergunta, um tanto ociosa fora do meio da moda, me passou pela cabeça quando estava escrevendo recentemente uma reportagem para a revista "Serafina" sobre os famosos "carrés" da Hermès.

Os "carrés" são lenços de seda produzidos pela grife francesa desde 1937. Com diferentes temas e estampas, eles são feitos em Lyon com um cuidado artesanal. Já somam mais de 2.500 tipos diferentes. Hoje, são parte da cultura visual da moda.

E, no Brasil, qual é o lenço mais famoso, qual deixou uma marca indiscutível na cultura visual do país? Só encontrei um resposta convincente (quem tiver outra, que me envie, por favor). É o lenço cor-de-rosa de Antônio das Mortes no filme "O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro", de Glauber Rocha, primeiro longa colorido do diretor, com fotografia extraordinária de Afonso Beato, feito em 1968.

"O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro", aliás, começa como uma verdadeira composição de lenços: os lenços brancos na cabeça das mulheres do povo, o lenço vermelho do líder cangaceiro Coirana (Lorival Pariz) e o lenço rosa de Antonio das Mortes (Maurício do Valle), matador de aluguel, contratado para acabar com os jagunços.

O lenço rosa, por fim, será o "protagonista" da cena mais famosa do filme, o duelo entre Antonio das Mortes e Coirana. Uma sequência genial, que merece ser revista:

http://br.youtube.com/watch?v=YxcZ5iwAoA4

O duelo com o lenço na boca é realizado à maneira de uma coreografia, já que todo o filme é uma espécie de auto teatral.  Mas por que cor-de-rosa?

O lenço vermelho do cangaceiro Coirana (Lorival Pariz)/Reprodução

"O Dragão da Maldade" mereceria uma análise completa do ponto de vista do figurino. Sabemos como Glauber não dissociava a militância política de uma estética visual revolucionária. No fundo, era também um esteta, fascinado tanto pela cultura popular quanto a erudita, mas que não se conformou a fazer arte-pela-arte. Atento a todos os elementos do filme, não descuidou nunca do figurino. Conheço poucos diretores no país que, como ele,  tenham dado tanta atenção às roupas _e um significado tão forte a elas nos filmes. Glauber, inclusive, co-assina os figurinos, junto com Paulo Lima e Paulo Gil Soares.

O filme foi restaurado e existe uma boa cópia disponível em DVD, lançada recentemente, que restitui a ele as cores originais. Fotos que sobraram do filme muitas vezes podem dar uma idéia errônea das tonalidades, como nesta abaixo, em que o vestido de Odete Lara, que é roxo, aparece próximo do violeta. Compare com a outra imagem, mais fiel ao original. O vestido roxo de Odete Lara, que tanto impacto causou na crítica estrangeira, foi uma criação de Hélio Eichbauer, o cenógrafo da histórica montagem de "O Rei da Vela", em 1967.

 

Odete Lara em "O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro"

Escrito por Alcino Leite Neto às 09h57

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BARBIE, A TOP

Em 2009, serão comemorados os 50 anos do lançamento da primeira Barbie. Sucesso absoluto no mercado de brinquedos, a boneca alta e magrela já ultrapassou a marca de 3 bilhões de unidades vendidas em 150 países e se tornou um ícone de beleza para mulheres de verdade. 

Nem todo mundo sabe, mas há muitas evidências de que a Barbie foi inspirada numa boneca alemã chamada Bild Lilli. O brinquedo, por sua vez, reproduzia a personagem central de uma tirinha chamada "Lilli"_ sobre uma jovem atrevida e oportunista, que faz de tudo para arrumar um marido rico. O brinquedo, inicialmente, era vendido para (homens!) adultos.  

Essa história sobre as origens nada fofas da boneca já rola há algum tempo nos EUA e foi publicada no Brasil em abril deste ano na revista "Mundo Estranho", da editora Abril.

A Barbie, em sua entrada no mercado, foi apresentada como uma "teen fashion model", ou seja, uma top model adolescente. 

A trajetória da boneca, que já foi astronauta, médica, ginasta e até presidente, foi marcada por muitas polêmicas. Na versão em inglês do verbete "Barbie" da Wikipedia estão listadas três delas, muito interessantes (que não constam da versão em português, considerada não-confiável pelo site por não especificar suas fontes):

1 - Estudo feito na Finlândia a partir das medidas da boneca, publicado em livro, afirma que, se ela fosse humana, estaria num estado de anorexia tão grave que já não poderia menstruar

2 - A "Barbie Slumber Party" (Festa do Pijama) de 1965 vinha com um livrinho chamado "Como Perder Peso". Uma das dicas do livrinho: Não coma!

Acessórios originais da Barbie Slumber Party, à venda no Ebay: livrinho e balança de banheiro

3 - Uma versão falante da Barbie, lançada nos EUA em 1992, dizia as frases: "Matemática é difícil", "Eu amo fazer compras" e "Será que um dia teremos roupas suficientes?" A frase sobre a Matemática causou protesto nos EUA e foi gongada do chip de frases da boneca.

Escrito por Vivian às 21h14

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BARBIE: TUDO O QUE VOCÊ QUER SER?

Aqui no Brasil, as propagandas da boneca lançaram o slogan: "Barbie, tudo o que você quer ser". Para começar, trata-se de estratégia de marketing muito baixa. Um publicitário dizer a crianças que elas querem ser "X" ou "Y" é um absurdo em todos os sentidos.

O universo das Barbies é o da riqueza, da ostentação, da vida de prazeres sem fim. Milhares de roupas, carro conversível, casa luxuosa, salão de beleza próprio, iate, loja de roupas, piscina com hidro e até um castelo estão entre as "propriedades" desta boneca. Só o básico...

Não é o caso de demonizar a Barbie, isso é bobagem. Mas não é nada bobo repensar qual seria a faixa etária mais adequada a esse brinquedo. Numa análise rápida, eu diria que colecionadores adultos (que, aliás, existem aos montes pelo mundo inteiro) fariam melhor par com uma boneca desse tipo.

A escolha está, e sempre esteve, nas mãos dos pais. Dar a boneca sob certas condições? Comprar a boneca, mas com limites para os "acessórios" da moça? Dar a partir de certa idade? Não dar em hipótese alguma? Apesar de toda a publicidade, os pais ainda podem manter o controle do que oferecer ou não oferecer a suas crianças. 

Ou não podem?

Escrito por Vivian às 20h59

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O PARAÍSO DAS DAMAS

No século 19, apareceram em Paris as primeiras grandes lojas de departamento, como Le Bon Marché e Printemps, que transformariam o sistema comercial e industrial da moda. Nesses novos espaços, criados como verdadeiros palácios de compras, se podia encontrar de tudo, tocar e experimentar.

Inspirado pela novidade, Émile Zola, um dos grandes autores do realismo francês, escreveu "Au Bonheur des Dames", um romance excepcional publicado em 1883, que finalmente ganhou uma (nova) edição brasileira, pela editora Estação Liberdade, com tradução de Joana Canhêdo e o título de "O Paraíso das Damas". É um livro obrigatório para as pessoas que lidam com moda _e algumas delas já leram, gostaram e estão recomendando a leitura, como Sônia Gonçalves, que me escreveu um email entusiasmado.

Os grandes magazines coincidem com transformações substanciais na produção e no consumo de tecidos, roupas e produtos de beleza. E todas as questões suscitadas por essas mudanças estão lá, no livro, tratadas literaria e criticamente _desde a força da publicidade ao incipiente culto do corpo, desde produção frenética da novidade aos dispositivos de sedução utilizados no comércio.

A observação social é a melhor coisa do livro, que tem como fio condutor a relação amorosa entre uma balconista vinda da classe baixa e o rico proprietário do grande magazine Au Bonheur des Dames. É particularmente sagaz e importante a análise que Zola faz da maneira como este comércio nascente explora a psicologia das mulheres.

Mas não se trata de um livro "de tese". A narrativa é deliciosa, conduzida por personagens inesquecíveis _dos principais, como o capitalista Octave Mouret, aos secundários, como a penca de balconistas do Paraíso das Damas, e até mesmo os tipos bem episódicos, como uma condessa cleptomaníaca, acometida de um "desejo furioso, irresistível" de roubar.

Fica aí a dica, de um fã de Zola, escritor que adoro ler e reler. Nos últimos tempos, a crítica literária de corte mais formalista colocou este autor de lado, por causa de sua literatura um tanto "sociológica". Mas Zola é um escritor notável, envolvente, além de um dos maiores observadores do capitalismo. Neste momento de crise econômica, aliás, valeria também reler "L'Argent" (O Dinheiro) _sobre o aventureirismo dos investidores no grande cassino da Bolsa de Valores.

Escrito por Alcino Leite Neto às 09h47

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O PARAÍSO DAS DAMAS: DOIS TRECHOS

A disputa pelas mulheres

"Era a mulher que os magazines disputavam, a mulher que capturavam na armadilha de seus preços, depois de tê-las atordoado diante das vitrines. Os grandes magazines haviam despertado novos desejos na carne feminina, eram uma tentação constante, à qual a mulher sucumbia fatalmente, cedendo inicialmente a suas compras de boa dona de casa, conquistada em seguida pela vaidade, e finalmente devorada. Ao decuplicar as vendas, ao democratizar o luxo, essas lojas se tornavam um terrível agente de gastos, devastavam os laras, tirando proveito da loucura da moda, cada vez mais cara. E, se no Paraíso das Damas a mulher era tratada como rainha, adulada e lisonjeada em suas fraquezas, envolta em pequenas atenções, ela reinava como uma rainha dócil, de quem os súditos se aproveitam, e que paga com uma gota de seu sangue cada um de seus caprichos". (pág. 112)

O ataque às promoções

"Enfim, abriram novamente as portas e a maré de gente entrou. Desde a primeira hora, antes que a loja se enchesse, produziu-se no grande saguão central um empurra-empurra tamanho que foi preciso contar com os recursos da polícia para restabelecer a circulação na calçada. Mouret calculara justo: todas as donas-de-casa, uma tropa serrada de pequenas burguesas e de mulheres de touca, tomavam de assalto as promoções, os descontos e os cortes avulsos, expostos desde a rua. Mãos ávidas apalpavam continuamente as "penduras" da entrada, uma chita a sete soldos, uma mescla de lã e algodão a nove soldos, sobretudo uma orleã a trinta e oito centravos, que estavam esbulhando as pobres bolsas. Era um acotovelamento sem fim, com empurrões frenéticos em torno das estantes e dos cestos, onde as pechinchas transbordantes _rendas a dez centavos, fitas a cinco soldos, ligas a três soldos, luvas, anáguas, gravatas, meias de algodão_ desapareciam em um nada de tempo, como se devoradas por uma miríade voraz." (pág. 288)

Escrito por Alcino Leite Neto às 09h44

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A CAMISETA DE BANDA _ ESSA INJUSTIÇADA

Anualmente leio por aí novas-velhas versões da famosa lista de itens clássicos de um guarda-roupa. Camisa branca, vestido preto, aquela ladainha... Chegou a hora de exigir novas inclusões. A principal delas: uma camiseta de banda.

A "camiseta de banda" (termo que inclui cantoras, cantores, trios, instrumentistas, bondes, duplas etc) é um clássico incontestável. Sobrevive há décadas, em meio a tendências furadas e pirotecnias de temporada. A minha primeira eu ganhei de uma tia, aos 7 anos. Era da Madonna: uma foto PB da época de "Into the Groove", uma moldura de oncinha e rabiscos, em rosa e amarelo, bem 80. Usei até desbotar.

Depois vieram muitas: New Kids on the Block (hahaha, é verdade!), Sonic Youth, Cash, Guns, Manic Street Preachers, Jesus & Mary Chain, CSS, Bowie, bom, pencas. Algumas eu usei por cinco, seis anos. Agora estou querendo fazer uma da Dolly Parton e outra da (be-lís-si-ma) Grace Slick (do Jefferson Airplane).

Grace Slick em foto de Linda McCartney: diva!

Outro dia vi uma ótima, do Beethoven! A música clássica representa todo um filão ainda não explorado pela camiseta de banda. Assim como boa parte dos sambistas velha-guarda, das duplas sertanejas antigas, das cantoras "tipo noite", dos grupos de pagode... Já pensaram uma camiseta Cascatinha & Inhana? Eles foram nossos Johnny Cash e June Carter, gente (Cascatinha era filho de carroceiro, virou baterista de circo; ela o conheceu quando o circo passou por Araras, largou o noivo e fugiu com ele, tá?)! 

Cascatinha & Inhana: amor que causa e arrebenta!

Tem gente que compra camiseta de banda a partir do hype do momento. Enfim, fazer o quê, depois passa. O importante é que a maioria usa como se fosse assim uma camisa de time, sabe, com aquele fervor todo no coração.  Às vezes a camiseta vira assunto, cria amizades, inimizades, inicia romances, junta novas bandas, ajuda a escrever histórias (ou a resgatá-las). 

Além disso, pode ser feita com silk, numa das famosas lojas de estamparia da Galeria do Rock, com canetinha, tinta de tecido, fita adesiva etc A camiseta de banda, nesse sentido, é bem punk, sem grife, sem logo. Vale mais a força da canção. 

Para a infelicidade de muitos, a camiseta de banda ainda é tida como coisa de criança, de adolescente. Bobagem. A MÚSICA é coisa grande. Ela desafia o tempo. 

Escrito por Vivian às 19h48

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ESTRÉIAS NO FASHION RIO

Quatro novas grifes vão participar do próximo Fashion Rio, que acontece entre 11 e 16 de janeiro. São elas: Printing (de Minas Gerais), Francisca (de Pernambuco), Cláudia Simões e Ausländer (do Rio de Janeiro).  

As demais 28 marcas que desfilarão no evento carioca são: Acquastudio, Alessa, Apoena, Cantão, Cavendish, Complexo B, Coven, Elisa Chanan, Espaço Fashion, Filhas de Gaia, Graça Ottoni, Giulia Borges, Homem de Barro, Ivan Aguilar, Juliana Jabour, Koolture, Kylza Ribas, Mara Mac, Marcia Ganen, Maria Bonita Extra, Melk Z-Da, Redley, Santa Ephigênia, Tessuti, TNG, Victor Dzenk, Virzi e Walter Rodrigues.

Escrito por Alcino Leite Neto às 16h16

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1DASUL. CONHECE?

A grife 1DASUL é um exemplo de sucesso à brasileira. Surgiu em 1999, com pequeno capital, e se mantém de pé sem anunciar em TV, jornais e revistas e sem aparecer em nenhum editorial de moda. No ano que vem, completará dez anos de existência e, em março de 2008, abriu sua segunda loja própria em São Paulo.

Criada pelo rapper e escritor Ferréz, a 1DASUL não está na pauta da moda brasileira, embora seja a primeira e única grife criada e mantida na periferia de São Paulo _ se alguém souber de outra nesses moldes, por favor, me corrija. O berço da marca é o Capão Redondo (uma das lojas fica no bairro, e a outra, em Santo Amaro), região que muita gente só conhece pelas páginas policiais (e às vezes nem assim), mas que abriga movimentos e iniciativas culturais surpreendentes. Uma delas é a 1DASUL.

A 1DASUL não tem complexo de Paris, não está esperando pelo "selo de qualidade" do circuito internacional. Também não é uma instituição de caridade, é uma marca que está no mercado, que produz e vende como qualquer outra. Mas prefere investir numa parcela da população completamente ignorada por muitos top-fashionistas do país em suas infinitas discussões sobre a mítica questão da "identidade da moda brasileira". A grife de Ferréz fala com os moradores das (imensas, gigantescas e muito populosas) regiões periféricas das metrópoles, pessoas deixadas à margem do sonho dourado fashion (só para citar um deles) do Brasil .

Lá a tendência é o que a galera gosta de usar. Moletons de presença, bermudas, bonés bordados, camisetas bacanas estampadas por artistas de rua da região e de outros bairros de periferia. Os preços não ofendem a inteligência de ninguém. A grife tem um monte de comunidades no Orkut, ficou conhecida em outros estados. Grupos de rap ajudam na divulgação. Assim, sem alarde. Sem afetação.

 

E Ferréz conseguiu um feito genial, que merece toda a atenção. Muitos meninos e meninas que se apertavam para comprar roupas (caras) de grifes gringas de streetwear, passaram a usar 1DASUL. E, de repente, uma grife criada no Capão Redondo conseguiu, em diversas situações, superar o status de uma gigante como a Nike, por exemplo!!!!

Vejam só, uma grife conseguiu ajudar um jovem a deixar de ter vergonha de morar na periferia. Conseguiu dizer de alguma forma que a criatividade, a pegada cool e a beleza também brotam _e como brotam!_ por lá. Produziu uma rachadura (mesmo que seja uma rachadura microscópica diante da complexidade da questão social no Brasil) num ciclo perverso de humilhação e injustiça.

E "derrepentemente" (acho esse neologismo incrível!), uma grife conseguiu "falar" de algo além da marca em si, além do dinheiro, além do status. E não é coisa de gangue, não é segregação às avessas. É comunicação e ato (legítimo) de justiça e fraternidade.

Quer revolução na moda? Tá aí. Quer exemplo bem-sucedido de negócio a ser incentivado e seguido para acabar com o chororô de muita gente? Tá aí. Quem tiver olhos, veja.

Escrito por Vivian às 21h09

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LÉVI-STRAUSS E O LUXO DOS BORORO

O jornalista Vitor Angelo escreveu em seu blog Dusinfernus (http://dusinfernus.wordpress.com) um interessante (e engraçado) post sobre o antropólogo Claude Lévi-Strauss, que completou cem anos neste mês. O comentário me levou a reler rapidamente o megaclássico "Tristes Trópicos", em busca de algumas passagens que pudessem interessar aos leitores deste blog.

Encontrei vários bons trechos, mas transcrevo apenas um, em que Lévi-Strauss fala do luxo dos Bororo _a indumentária e os acessórios:

"Contrastando com a austeridade dos objetos utilitários, os Bororo colocam todo o seu luxo e a sua imaginação na indumentária, ou pelo menos _já que esta é das mais sumárias_ nos acessórios. As mulheres possuem verdadeiras caixas de jóias, que transmitem de mãe para filha: são paramentos de dentes de macaco ou de presas de onça incrustrados em madeira e presos por finas ligaduras. Se elas reivindicam dessa maneira os despojos da caça, prestam-se à depilação de suas próprias têmporas pelos homens que, com os cabelos de suas mulheres, confeccionam longas cordinhas trançadas que enrolam na cabeça como um turbante. Os homens também usam, nos dias de festa, pingentes em forma de mei-lua, feitos de um par de unhas o grande tatu (...), embelezados com incrustrações de madrepérola, franjas de plumas ou de algodão. (...)

Um pedaço de casca de árvore, algumas penas fornecem aos incansáveis modistas pretexto para uma sensacional criação de brincos-pingentes. Há que se entrar na casa-dos-homens para avaliar a atividade despendida por esses robustos rapazes em se embelezar: em todos os cantos, corta-se, modela-se, cinzela-se, cola-se; as conchas do rio são quebradas em cacos e polidas em mós de maneira vigorosa para se fazerem colares e tembetás; fantásticas construções de bambu e de plumas são montadas. Com uma aplicação de costureira, os homens de físico de carregadores transformam-se mutuamente em pintinhos, graças à lanugem colada direto na pele" ("Tristes Trópicos", págs. 212-212, Companhia das Letras).

Escrito por Alcino Leite Neto às 01h21

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LÉVI-STRAUSS: A NUDEZ DOS NAMBIQUARA

Não resisto a transcrever outro trecho de "Tristes Trópicos", agora sobre a nudez dos Nambiquara, que coloca numa nova perspectiva a questão do pudor. É um parágrafo maravilhoso do livro:

"Durante os folguedos amorosos a que os casais se entregam de tão bom grado e tão publicamente, e que volta e meia são audaciosos, jamais notei um início de ereção. O prazer buscado parece mais lúdico e sentimental que de ordem física. Talvez por isso é que os Nambiquara abandonaram o estojo peniano cujo uso é quase universal entre os povos do Brasil central. De fato, é provável que a função desse acessório seja, se não prevenir a ereção, pelo menos evidenciar as disposições pacíficas do portador. Povos que vivem completamente nus não ignoram o que chamamos de pudor: deslocam seu limite. Entre os índios do Brasil, assim como em certas regiões da Melanésia, este parece se situar não entre um grau e outro de exposição do corpo, mas, de preferência, entre a tranquilidade e a agitação" (idem, pág. 270).

Será que estas duas passagens do clássico têm algo a dizer sobre o estilo brasileiro contemporâneo _ou apenas indicam a tremenda distância que nos separam dos Bororo e dos Nambiquara?

Escrito por Alcino Leite Neto às 01h20

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RODRIGO FRAGA DE VOLTA

O estilista mineiro Rodrigo Fraga, irmão de Ronaldo Fraga, está de volta ao mundo da moda masculina, depois de quatro anos fora do mercado. Ele acaba de lançar sua linha Costura Especial, cuja primeira coleção se inspira em Cole Porter e sua época. O foco é a alfaiataria, com um olhar meio retrô buscando aprumar o estilo contemporâneo dos rapazes.

No novo site do estilista (http://www.rodrigofraga.com.br), ele apresenta muita roupa de festa, uma camisaria criativa e também peças casuais. Um sapato bicolor (preto e branco) chama a atenção. Às vezes, o editorial é meio pomposo, mas será que tudo isso não vale a pena como antídoto à dominação do surfwear no masculino brasileiro?

Abaixo, duas imagens clicadas por Marcio Rodrigues, na Casa da Ópera, em Ouro Preto:

Escrito por Alcino Leite Neto às 01h18

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HITCHCOCK E AS ROUPAS: PARTE 2

Um post deste blog sobre "Os Pássaros" (The Birds, 1963) e "Um Corpo Que Cai" ("Vertigo", 1958) suscitou um início de discussão sobre o significado das roupas nos filmes de Hitchcock, assunto sempre pouco abordado, quando se examina a obra do maior diretor do cinema clássico. A ilustradora Luli Penna, que tem um desenho muito charmoso, é das mais entusiasmadas pelo assunto e deixou boas reflexões nos comentários, que merecem ser lidas.

Luli cita uma das sequências cruciais de "Vertigo", aquela em que Scottie (James Stewart) transforma uma mulher na réplica da sua amada que "morreu", fazendo-a usar o mesmo tailleur cinza, o mesmo penteado etc. É uma cena importante no filme, pois deixa ver a complicada dimensão do desejo de Scottie.

No livro de entrevistas de François Truffaut com Hitchcock, o mestre do suspense fala assim desta sequência:

"Truffaut: Justamente as cenas que prefiro são aquelas em que James Stewart leva Judy ao costureiro para comprar-lhe um tailleur idêntico ao que Madeleine usava, o cuidado com o qual escolhe sapatos para ela, como um maníaco...

Hitchcock: Essa é a situação fundamental do filme. Todos os esforços de James Stewart para recriar a mulher, cinematograficamente, são mostrados como se ele procurasse despi-la em lugar de vesti-la. E a cena que eu sentia mais é quando a moça volta depois de ter tingido o cabelo de loiro. James Stewart não está completamente satisfeito porque ela não prendeu o cabelo num coque. O que isso quer dizer? Quer dizer que ela está quase nua diante dele, mas ainda se recusa a tirar a calcinha. Então James Stewar mostra-se suplicante, e ela diz: 'Está bem, vá lá', e volta para o banheiro. James Stewart espera. Espera que ela volte nua desta vez, pronta para o amor" (Hitchcock/Truffaut - Entrevistas, ed. Brasiliense).

Luli, não sei se "Vertigo" é sobre moda, mas aborda certamente a relação da roupa (feminina) com o desejo masculino _este sim, um tema fundamental do filme, como ressalta o crítico espanhol José Luis Castro de Paz: "Se 'Vertigo' põe em cena o itinerário do desejo masculino (...) sua mais essencial, lúcida e pessimista conclusão será a da impossibilidade de satisfação do mesmo, já que está baseado em uma estrutura imaginária, fundamentado sobre o espelhamento de uma mulher fantasiada" ("Vértigo/De Entre los Muertos", ediciones Paidós). Valeria comparar com as roupas e os fetiches de Buñuel, em "Bela da Tarde" e "Este Obscuro Objeto do Desejo", entre outros (assunto para um post futuro).

Luli também chama a atenção para as roupas de Lisa Fremont, a personagem de Grace Kelly em "Janela Indiscreta", com seus elegantíssimos vestidos tipo New Look (desenhados pela figurinista Edith Head), que definem o seu estilo Upper East Side _em contraste com o modelo boêmio vivido por James Stewart no Greenwich Village. Valeria aprofundar.

É interessante ver como os filmes deste período áureo de Hitchcock (dos anos 50 e início dos 60) exploram o sentido das roupas _e o seu fetichismo. Um momento culminante será, claro, a sequência inicial de "Psicose", em que ele explora pela primeira vez (será?) a lingerie feminina e leva Janet Leigh a fazer um "strip-tease ao contrário" (há alguns anos vi numa exposição o sutiã usado pela personagem e escrevi um comentário no Folha Online: http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult682u2.shtml).

John Gavin e Janet Leigh em "Psicose" (1963)

Escrito por Alcino Leite Neto às 01h16

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Alcino Leite Neto Alcino Leite Neto, 49, é editor de Moda da Folha, jornal onde exerceu anteriormente as funções de editor da Ilustrada, do Mais!, de Domingo e de correspondente em Paris.

Vivian Whiteman Vivian Whiteman, 30, é jornalista cultural desde 1998 e repórter da editoria de Moda da Folha desde 2005.

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