IODICE DESISTE DE DESFILAR EM NOVA YORK
E NEGA QUE IRÁ DISTRIBUIR VESTIDOS GRATUITOS NOS EUA
A Iodice desistiu de desfilar nas passarelas da semana de moda de Nova York, que acontece entre 13 e 20 de fevereiro. Na mesma época, porém, a grife irá fazer uma apresentação da nova coleção no showroom de seu representante americano. Para os cerca de 100 compradores agendados para visitarem o showroom, a marca irá distribuir um bônus de US$ 200 (aproximadamente de R$ 464). "O bônus será uma pequena ajuda de custo para a viagem, uma espécie de cartão de crédito, que irá junto com o convite da apresentação", disse o estilista Valdemar Iodice à Folha. Ele negou que irá dar gratuitamente um vestido de sua última coleção para cada comprador-visitante, como foi divulgado pelo "Wall Street Journal", no último dia 20, em reportagem que ouviu a porta-voz da grife nos EUA, Myra Joloya, e o filho do estilista, Adriano Iodice. "Me parece que esta matéria está equivocada, mas vou conversar direito com meu filho (Adriano), para saber o que houve", declarou o estilista, que contou ter lido o artigo, mas "não se lembra direito" dele. Segundo o "Wall Street Journal", "Mr. Iodice tem um plano incomum para atrair compradores e editores de moda à sua apresentação: ele vai oferecer a cada um deles um vestido gratuito de sua atual coleção, bem como um serviço gratuito de carro para conduzi-los ao showroom". O jornal ressalta que os detalhes deste presente ainda estavam sendo acertados, mas que os convidados ganhariam vestidos de jersey (uma especialidade da grife) e algumas pessoas poderiam ter os ajustes das roupas feitos pessoalmente por Valdemar Iodice, caso ele tenha tempo. Adriano Iodice declarou ao jornal americano que o custo dos presentes ficaria em torno de US$ 7.000. Para a porta-voz Joloya, dar os vestidos é a maneira pessoal que o estilista encontrou de "agradecer ao mercado americano pelas duas últimas temporadas que ele foi capaz de fazer na semana de moda nova-iorquina". O "Wall Street Journal" conta que a Iodice gastou US$ 150 mil para fazer seu desfile em setembro, sendo US$ 28 mil no aluguel da sala no Bryant Park, US$ 65 mil na contratação de modelos, US$ 55 mil em gastos com maquiagem, cabelereiro e outras produções, além de US$ 3 mil em alimentação. Para fevereiro próximo, a marca teria um orçamento de apenas US$ 40 mil. Ao ser indagado pela Folha à respeito da distribuição gratuita de vestidos, Iodice disse que não aconteceu um curto-circuito de comunicação entre a matriz brasileira e os representantes americanos. "Não sei o que houve, para que dissessem isso no jornal (americano). Foi tudo acertado em detalhes. A única coisa que faremos de fato é oferecer o serviço gratuito de carros e o bônus de US$ 200, que o convidado pode gastar como quiser, inclusive na compra de algum de nossos produtos", disse. Na última São Paulo Fashion Week, ocorrida neste mês, a Iodice apresentou uma de suas melhores coleções nos últimos anos, apostando em temas futuristas e dos anos 80. As grifes brasileiras Carlos Miele e Alexandre Herchcovitch mantiveram os seus desfiles em Nova York. Vão se apresentar, respectivamente, nos dias 16 e 18, na Mercedes Benz Fashion Week.

Look da coleção de inverno da Iodice/Foto Alexandre Schneider/Folha Imagem
Escrito por Alcino Leite Neto às 15h19
POSSE DE OBAMA ROMPE
REDOMA DA SEMANA DE MODA

Público da SPFW assiste à posse de Obama em telão na semana de moda - Foto: Mastrangelo de Paula Reino/Folha Imagem
LEANDRO NOMURA
Raras vezes, as quatro paredes da São Paulo Fashion Week são rompidas por causa de um acontecimento externo. A posse do primeiro presidente negro norte-americano, Barack Obama, foi um deles. Na tarde ontem, os telões e TVs espalhados pela Bienal substituíram os costumeiros desfiles pela transmissão ao vivo da passagem da faixa presidencial norte-americana.
O programador visual Tal Barbosa era uma das pessoas que decidiram parar tudo para assistir à posse. "É um evento histórico. É como o impeachment de Fernando Collor, todo mundo tem que ver, independentemente da área de atuação", diz.
Teve gente que até desistiu de ver algum desfile para acompanhar o momento em que Obama se tornaria o homem mais poderoso do mundo, como a jornalista Gloria Kalil. Ela considera que Barack e sua mulher, Michelle, sabem da importância da moda como instrumento de comunicação. "É um casal jovem, super-informado, ligado com assuntos contemporâneos e que sabe fazer uso da imagem. A Michelle só se veste com marcas dos Estados Unidos", afirma.
As imagens de Obama também desfilaram pelos corredores da SPFW em estampas de camisetas. Richard Luiz, diretor de transmissão do SPFW, comprou a ideia. Pagou US$ 45, em uma loja em Nova York, durante a semana de moda da cidade, ocorrida em setembro do ano passado, ainda durante a campanha presidencial. "Escolhi usar, pois o mundo da moda norte-americana votou em Obama."
Mas o que Obama tem a ver com moda? Nada, na opinião de Paulo Borges, organizador do evento -e outra pessoa que levava o novo presidente no peito. "A camiseta é para mostrar meu apoio a uma pessoa que tem uma visão real de mundo, mas Obama não tem nada a ver com moda. A Michelle, sim, tem uma imagem forte que pode virar moda."
Para os norte-americanos, ela já é um ícone fashion. "Michelle é a rainha do 'hi-low'. Se ela usa um look da Banana Republic, por exemplo, na outra semana essa peça esgota", diz a personal stylist brasileira Cris Gabrielli.
No Brasil, porém, os fashionistas são mais cautelosos e consideram que ela ainda não chegou a alcançar tal status. "Acho o próprio Obama mais elegante do que a sua mulher", diz a empresária e crítica de moda Costanza Pascolato. Ela admite, no entanto, que a maneira adequada com que Michelle se veste tem encantado os norte-americanos. "Ela é natural e espontânea."
Opinião compartilhada pelo estilista Jum Nakao: "Michelle pode se tornar uma referência fashion, principalmente por ter consciência da importância do papel da indústria da moda na economia dos EUA".
A jornalista Regina Guerreiro é mais radical. Diz nunca ter visto Michelle bem vestida. "O que eu vi da mulher de Obama, eu não gostei", dispara.
Para o promoter Fabio Queiroz, o fato de ela ser negra não a impede de já ser considerada uma referência de moda. "O importante é a atitude. É ter postura e saber se apresentar bem em qualquer situação. A Michelle já tem tudo isso", diz.
Na disputa pelo título de ícone fashion, a principal "rival" de Michelle é a primeira-dama francesa, Carla Bruni. "Ela tem a vantagem de ter nascido bonita. O termo 'fashion' combina mais com ela", afirma Regina.
Costanza concorda, mas com ressalvas. "A Carla é macaca velha, entende tudo de imagem e copia o estilo da Jacqueline Kennedy."

Richard Luiz, diretor de transmissão do SPFW - Foto: Mastrangelo de Paula Reino/Folha Imagem
Escrito por Alcino Leite Neto às 02h22
FASHIONISTAS SE DIVIDEM
SOBRE LOOK DE MICHELLE
POR VITOR ANGELO
Quando Michelle Obama, 45, apareceu na manhã de ontem se dirigindo para a missa na Igreja de St John, em Washington _o primeiro compromisso da agenda da posse presidencial norte-americana_, estava dada a largada para mais uma disputa fashion. Desta vez, a respeito do look usado pela nova primeira-dama: um vestido amarelo, um casaco da mesma cor e sapatos e luvas verdes, tudo desenhado pela americana-cubana Isabel Toledo.
"Michele Obama já é uma referência para a moda", diz a atriz Alice Braga, 25, que era só sorriso para a roupa da nova primeira dama dos EUA e vê no amarelo do vestido um tom de "esperança e mudança".
"Ela adora prestigiar estilistas de descendência latina, não tem medo das cores como a Carla Bruni, que nunca arrisca e fica só em tons neutros e é conhecida por usar acessórios grandes", afirma a personal stylist Fernanda Resende, 31. "Então esse look da posse traduz a personalidade de Michelle", arremata.
Para a blogueira de moda Julia Petit, 36, ela é a primeira de todas as primeiras-damas a não ser apenas um ícone fashion, como Jackie Onassis, ou uma mulher que despreza a moda para poder ter posições políticas respeitadas, como Hillary Clinton. "Ela é uma visão nova, pois une a mulher intelectual com a fashionista", diz. Na opinião de Julia, Michelle foi muito feliz na escolha de seu look para a posse. "É uma roupa que daqui 20 anos você vai ver e ainda achar elegante, já nasceu clássico."
Mas foi exatamente esse clássico que desagradou a estilista Clô Orozco, 58. "Ela é elegante, longilínea. Vem da sua raça esta elegância, mas eu não gostei nem da proporção nem da cor da roupa. Acho que ficou clássico, no sentido que envelheceu sua imagem", analisa.
Quem também não gostou nada do look de Michelle foi outra estilista conhecida por criar roupas para mulheres fortes, Fabia Bercsek, 30. "Não gostei desta roupa nem daquela do dia da vitória de Obama, o vestido preto e vermelho feito pelo estilista Narciso Rodriguez. Achei que esse amarelo a envelheceu", diz.
Então o que Michelle deveria vestir na posse? "Eu proporia uma outra cor, como um azul piscina lavado, e, no lugar do casaco, um robe-mantô e uma manga e uma gola mais novas, e seria, sim, um vestido, pois ela fica muito bem com esta peça", sugere Clô.
Já Fábia apostaria em "muitas batas, kaftans, looks étnicos, roupas mais leves e divertidas". "Tudo bem, não precisa exagerar, usando turbante, mas roupas menos estruturadas e mais relax. Mas quer saber? Eu prefiro mesmo é o Barack", confessa a estilista, com um sorriso malicioso.
Escrito por Alcino Leite Neto às 02h16
PARA MODELO NEGRA, MODO DE VER
RACISMO MUDARÁ
Gracie Carvalho desfila para Alexandre Herchcovitch - Foto Alexandre Schneider/Folha Imagem
POR CAMILA YAHN
A modelo Gracie Carvalho, 18, uma das raras estrelas negras nas passarelas da São Paulo Fashion Week acha que Obama "vai mudar o mundo, especialmente a forma como as pessoas percebem o racismo". Questionada sobre o estilo da primeira-dama Michelle, Gracie indaga: "Aquela superchique? Sim, ela ocupa um lugar de poder e pode influenciar o estilo dos americanos". Gracie pegou 20 dos 39 desfiles da SPFW e está de viagem marcada para a temporada de Nova York. No Brasil, foi contratada para alguns dos desfiles mais influentes. "Estamos abrindo portas e chamando a atenção dos estilistas para as modelos negras", diz.
Escrito por Alcino Leite Neto às 02h15
''DITADURA DA MODA'' SERÁ LANÇADO HOJE

A jornalista Nina Lemos lança hoje, dia 21, na São Paulo Fashion Week, o seu primeiro romance, "A Ditadura da Moda" (ed. Conrad, 118 págs., R$ 27,90). O livro é a história de Ludmila Correa, jornalista de moda, que, de repente, começa a ser assombrada pelo passado de seus pais, militantes comunistas que atuaram na luta armada contra a ditatura militar no Brasil. Nina, que também co-assina a coluna "02 Neurônio", da Folha, autografa o livro a partir das 20h, na Pop Up da Livraria Cultura na SPFW. Leia a seguir um trecho do livro:
Quando a semana de moda acaba, passo três dias na redação fechando a revista. Vejo uma média de 350 fotos por dia e escrevo legendas _"top designer" aposta em maxibolsas", "o preto é o novo branco", "silhueta reta é o must da temporada''_ e outras coisas que sei de cor e que são, de fato, fáceis para mim. Tento não escrever palavras em inglês para que a minha tia não brigue comigo quando receber o exemplar dela, mas isso é impossível. São mil legendas, imagine. Esgoto rapidamente o extenso vocabulário da língua portuguesa, que no mundo da moda torna-se muito limitado. Tendência,cores quentes, temporada, aposta. Pronto,acabaram as palavras.
Mas difícil que isso é escrever a coluna "O que todos têm que usar" sem que a frase do demo volte a me perturbar. O povo, na rua, derruba a ditadura! Não há música que eu coloque no meu i-pod que me liberte desse grito de guerra. Maldição. Estou ficando maluca."
Escrito por Alcino Leite Neto às 02h11
IMAGENS DO FASHION RIO 2
Os estilistas Jum Nakao e Lorenzo Merlino compareceram ontem a desfiles do Fashion Rio. Jum assistiu à apresentação da Tessutti (na terceira fila), Lorenzo conferiu a coleção da Maria Bonita Extra (na primeira fila). Mas foi o Fashion Business, que acontece paralelamente e no mesmo local do Fashion Rio, que trouxe os designers às terras cariocas. Jum acompanha, no Fashion Business, a apresentação da coleção das agricultoras-artesãs do Programa Talentos do Brasil, do qual ele participa. Lorenzo veio conhecer a feira de negócios. "Sempre tive vontade de saber como é", contou. Jum e Lorenzo já foram ilustres participantes da São Paulo Fashion Week.

Quem foi ao desfile da Cavendish, espantou-se com o cenário: um poderoso tronco de árvore no meio da pista, que parecia arrancado à força da terra. Em tempos ecologicamente corretos, seria uma aberração, não fosse o tronco feito de isopor, com apenas algumas cascas de árvore na superfície, para ampliar a ilusão.
Um calor estupendo tomou conta do Rio, e todo mundo só fala nisso nos corredores do evento carioca. Na terça, o ar-condicionado falhou na sala de imprensa, e a administração do evento teve que encher o local com uma penca de ventiladores, que aparecem na foto abaixo sendo montados pelos funcionários.
Um esquisito São Jorge foi colocado num canto da sala de imprensa. Será que é para proteger o evento dos maldosos jornalistas?

Escrito por Alcino Leite Neto às 11h23
IMAGENS DO FASHION RIO 1
Começou a temporada outono-inverno 2009 do Fashion Rio. Na chegada, um susto: a nova arquitetura e a cenografia do evento, na Marina da Glória. Imensos e pomposos painéis criados pelo diretor de cinema Ricardo Naunberg, reproduzindo os arcos da Lapa, cobriam as tendas dos desfiles e dos lounges. Grandes palmeiras decoravam o lugar, para dar o toque tropical. De imediato, lembrei-me de uma visita que fiz à Cinecittà, a cidade-estúdio do cinema italiano, em Roma, na década de 80. A decoração do Fashion Rio parece o cenário de um filme histórico em preto-e-branco. Seguem duas fotos:

Quem chega na área aberta, vindo do Fashion Business, não adivinha a bela vista do mar, que ficou oculta por trás dos painéis. Só depois de dar a volta nos cenários é que deparamos com a imagem única que a Marina da Glória oferece, inclusive uma visão panorâmica do aeroporto Santos Dumont. Ali, até hoje permanece, solene e retrô, o néon da Vasp, empresa que encerrou as atividades em 2005. É como se o tempo tivesse parado.


Bancos de madeira foram colocados diante do mar, para a contemplação dos visitantes. Mas quem tempo para isto, fora os que vêm passear no Fashion Rio? Findo o desfile, os jornalistas correm para a sala de imprensa, agora com janelões para o mar, de onde se avista o Pão de Açúcar:
E você pergunta: que tal os desfiles? A crítica está saindo na edição de amanhã da Folha. Abaixo, os fiscais da entrada da sala Ipanema, uma das três e a menor do Fashion Rio, numa foto feita pela Vivian.

Escrito por Alcino Leite Neto às 03h30
MAYSA, CAPÍTULO DOIS
(E COMO EVITAR A TELE-IDIOTIA)
Tão frustrante quanto ver o primeiro capítulo de "Maysa", foi assistir ao segundo episódio da minissérie, que pouco evoluiu em termos de construção narrativa. Apesar disso, as cenas finais do encontro da cantora com Ronaldo Bôscoli pareceram apontar um bom veio dramático para o seriado _produção que se espera seja mais rica do que uma novela. A ver.
O esquematismo psicológico dos personagens é o que há de mais infeliz em "Maysa". Isso ocorre sobretudo com os caracteres secundários, que parecem estar ali apenas para servir de pano de fundo, preencher o ambiente ficcional e pontuar o drama. Basta um exemplo para deixar isto claro, como no caso dos pais de André Matarazzo, que apareceram com maior ênfase nesta segunda parte.
A mãe, Wanda Matarazzo, encarnada pela boa atriz Denise Weinberg, e o pai, Andrea (Rogerio Falabella), surgiram muito rasos, sem sutilezas: ela, fazendo a megera aristocrática e reiterando sem parar o seu desgosto com o casamento; o pai, representando o bufão tolerante, em intervenções de ocasião, quase ridículas.
Em todo caso, os Matarazzo ao menos ganharam alguma expressão no seriado, o que não ocorreu até agora com os próprios pais de Maysa, que são de uma platitude sem fim. Bem como a amiga Ana (Priscilla Rozenbaum), que aparece constantemente nas cenas, mas para nada acrescentar.
A entrada de Bôscoli, no final da segunda parte, diluiu de maneira abrupta o principal foco dramático do seriado até agora: o conflito com o marido André. De repente, as crises que se avolumavam no capítulo desapareceram, e Maysa despontou recém-solteira numa bela praia, cercada de amigos boêmios. O difícil desenlace da relação com os Matarazzo e o afastamento do filho mereciam um tratamento ficcional mais vigoroso.
Ao final do segundo capítulo, o encontro com Bôscoli indicou um desenrolar promissor ao seriado, com a deliciosa cena em que Maysa desce de helicóptero nas areias da praia e os diálogos iniciais de confronto e conquista que os dois travaram.
A presença do ator Mateus Solano (que faz Bôscoli) parece trazer uma energia dramática e uma certa espontaneidade à minissérie, até agora muito dura em termos de encenação. Alguns leitores apontaram descontinuidades na montagem, outros se incomodaram com certos diálogos, que parecem inapropriados às épocas da narrativa. Bem, os diálogos ainda deixam muito a desejar no seriado _em geral, são um amontoado de falas previsíveis e clichês (a parte os momentos em que são citados trechos dos diários da cantora, bem melhores).
A fotografia de Afonso Beato de fato tem enriquecido bastante as imagens de "Maysa", sobretudo no que diz respeito à iluminação e às tonalidades de cor. A planificação das cenas, porém, está excessivamente convencional, bem como a montagem, que parece seguir uma cartilha ginasiana de edição.
Em meio a tanto dejà-vu, um plano surpreendente apareceu no segundo capítulo: aquele em que André, situado na sala principal, ou no hall, da mansão dos Matarazzo, conversa com a babá de seu filho, que está no alto da escadaria. Filmado em contra-plongée (posição da câmera em que esta enquadra de baixo para cima), revela André na frente da imagem, a babá bem ao fundo e _incrível!_ os tetos da mansão pesando sobre a imagem do protagonista.
É uma citação ao cinema de Orson Welles e ao filme "Soberba" (The Magnificent Ambersons, 1942), que também trata da decadência de uma família de milionários. Apesar de muito evidente e literal, a citação, no entanto, indica como seria excitante esta minissérie se ela estivesse disposta a explorar outros territórios visuais.
Quanto ao figurino de "Maysa", ele continua impecável.
PS: A minha primeira crítica a "Maysa" provocou uma forte reação em leitores que gostaram do capítulo inicial da minissérie (leia os comentários deles em post abaixo). A maioria dos leitores ficou bastante raivosa com o que escrevi.
Alguns deles pareciam à beira da histeria, desfechando-me ataques pessoais, valendo-se do anonimato que a internet propicia. Eis os qualificativos que eles me atribuíram: invejoso, maledicente, bêbado, farsante, totonho (sic!), aberração, frustrado, metido a besta, recalcado, mal-amado, velho cafona, pseudointelectual, asno, ultrapassado, senhor urubulino... Risos!
Os xingamentos não me incomodam. Mas uma coisa me chamou a atenção nos comentários toscos que chegaram: o modo como boa parte dos leitores relaciona crítica e afetividade.
Explico. Eles associam o fato de eu não ter gostado da minissérie com a conjectura de que eu seria um "mal-amado". O que se deduz disso? Deduz-se, por analogia, que os que gostaram do seriado são bem-amados. Mas amados por quem? Pela própria televisão, que retribui a atenção que os espectadores dispensam ao programa enviando-lhes imagens sentimentais e reconfortadoras.
Criticar, portanto, seria o mesmo que recusar a relação de amor com a TV. Como eu sou mal-amado, eu também não sei amar o programa, eu não sei reconhecer o amor infinito que a televisão transmite (impressionante: a TV Globo seria não apenas um objeto de amor, mas também uma fonte de amor!).
Eis por que a televisão é tão rasa, e permanece tão distante da arte: ela precisa ser um comércio deste "amor", ou seja, ela deve negociar com as emoções convencionais dos espectadores, ela não pode perturbá-los profundamente, mas apenas trafegar na superfície sentimental dos dramas, a fim de, com seu tele-afeto, aliviar todos do tédio infinito em que vivem.
Bem, sabemos que a crítica não é isto. Ela não serve para reconfortar, para aliviar as dores cotidianas e para confirmar nossas idéias feitas. Se existe alguma coisa que pode evitar que nos transformemos em tele-idiotas, é a crítica.
Em segundo lugar, me chamou a atenção nos comentários a animosidade que muitos leitores manifestam em relação a um crítico de moda e à moda propriamente dita.
Já que sua preocupação é com estes adereços que cobrem as pessoas, o crítico de moda seria incapaz de mergulhar nas "profundezas" das pessoas (ou dos personagens de um seriado) e também não teria competência para entender a construção de um drama televisivo.
Numa escala hierárquica, o crítico de moda ocuparia o lugar mais baixo da crítica, na concepção de alguns leitores, pois ele se atém a esta coisa superficial, irrisória e efêmera, que são as roupas e os figurinos.
Eis um preconceito muito arraigado _e não apenas entre gente comum_ que merece a atenção dos profissionais da moda.
Escrito por Alcino Leite Neto às 13h13
AMY WINEHOUSE, A ESTILISTA
Diz que a nossa amada Wino vai desenhar uma linha de roupas para a grife inglesa Fred Perry. Aposto que vai ficar ótima_ comenta-se que as peças seriam bem streetwear, com as pólos e a as sainhas micro que a cantora adora . Mas luxo mesmo vai ser o disco novo, inspirado em "O Mágico de Oz". Amy é gênia!
E o penteado de cachos pegou mesmo, né? Eu gostei, cabelos naturais e saudáveis. Além do mais, o aplicão merecia um descanso, assim como a cabecinha da pobre. Além de carregar o peso da cabeleira falsa durante anos, o crânio da moça também acumulou "bad vibes" daquele povo urubuzento que estava contando os dias para a sua morte (rolaram até sites de apostas, lembram?).
Amy, porém, como o incrível "Véi do Rio" da novela "Pantanal", tem o corpo fechado. Apareceu recentemente no Caribe, toda linda e saltitante, curtindo suas merecidas férias.
Fotos: Reprodução/"The Sun"
Amy aproveita as belezas do Caribe
Escrito por Vivian às 18h12
"MAYSA", O FIGURINO
Esteve a beira do desastre o primeiro capítulo de "Maysa". O roteirista Manoel Carlos optou por quebrar a linha cronológica, apresentando o principal do drama já no início da minissérie, em várias idas e vindas no tempo: a adolescência romântica, o complicado casamento da cantora com André Matarazzo, a ousadia pré-feminista, o alcoolismo, a paixão pela música, a morte num acidente de carro etc.
Isso não seria um problema, se feito com mais inventividade, mas as situações foram muito esquemáticas e em geral ilustrativas, sem tempo para criarem um verdadeiro pathos no espectador. Por isso mesmo, os personagem surgiram limitados e previsíveis, a um passo da caricatura, repetindo amontoados de frases feitas.
Tomara que a série evolua para um caminho dramaturgicamente mais rico. Maysa (1936-1977) merece coisa melhor do que o que foi mostrado no capítulo um.
Quatro coisas ajudaram a salvar um pouco o capítulo: a atriz Larissa Maciel, que faz Maysa e conseguiu contornar boa parte dos clichês com seu carisma (ela é desde já uma bela revelação da TV); a fotografia aplicada de Afonso Beato; os cenários brasileiros (particularmente a surpreendente e vasta reconstituição do interior da mansão dos Matarazzo) e os figurinos (de Marília Carneiro e Lucia Dadário).
Os figurinos, neste primeiro capítulo, se concentraram em duas fases: as décadas de 50 e 70. Não se viu nenhuma criação surpreendente, em termos de design, mas as roupas se destacaram pela correção, pela elegância e por um calculado efeito dramático.
Assim, na primeira vez em que vemos Maysa num palco, ela está vestindo um impactante vestido azul brilhante, que destaca a sua figura e pincela de sublime esta aparição importante. O luxo do vestido também vai contrastar com sua embriaguez, quando ela adentra, trôpega, a porta do quarto no Copacabana Palace, de paredes pálidas e móveis austeros.
Os anos 50 permitiram às figurinistas um extravasamento maior do luxo, sobretudo nas cenas de festas e shows, com belos e rodados longos. Mas foi numa cena dos anos 70 que surgiu o melhor look do primeiro capítulo: uma interessante túnica estampada (salvo engano, em estampa lézard). A personagem também aparece de calça jeans boca-de-sino.
A seguir, relato uma conversa telefônica que tive com Marília Carneiro, que é uma das mestras do figurino na TV, sobre as roupas que ela criou para a minissérie.

Larissa Maciel faz Maysa na minissérie da Globo/Divulgação
Escrito por Alcino Leite Neto às 02h27
"MAYSA ERA CONSERVADORA NO VESTUÁRIO", DIZ FIGURINISTA
Marília Carneiro foi a figurinista que revolucionou os looks das novelas com "Dancin' Days" (1978). Também fez as roupas de "Gabriela" (1975), "A Rainha da Sucata" (1990) e da minissérie "Anos Rebeldes" (1992), entre outros. Agora, é responsável por "Maysa". Numa breve entrevista por telefone, ela falou sobre o figurino da nova série da Globo. "Maysa era moderna só nas ideias. No vestuário, era conservadora. Ela será conservadora do início ao fim. Mesmo quando passar a usar túnicas nos anos 70, jamais vai adotar o estilo hippie", disse a figurinista.
Para a minissérie, Marília dividiu o guarda-roupa em três períodos: os anos 50, 60 e 70. Criou mais de cem looks. O restante das roupas utilizadas, sobretudo dos figurantes, foi adaptado do acervo da Globo. "Jayme Monjardim me deu toda a liberdade do mundo, mas eu tive um orçamento mínimo para fazer as roupas. Economizei o quanto pude", contou Marília.
Para o trabalho, ela e sua equipe pesquisaram no acervo de Maysa, nas revistas de épocas e nos livros históricos de moda. "Também utilizei minha memória", afirmou a figurinista, que foi dona da boutique Le Truc, em Ipanema, entre o final dos anos 60 e o início dos 70.
Para os anos 50, as referências maiores foram Dior e Givenchy. "Também me inspirei nas garotas do Alceu [desenhos feitos por Alceu Penna de meninas estilosas que ficaram célebres sobretudo nas décadas de 50 e 60, quando eram publicadas em 'O Cruzeiro']. Maysa era fã das garotas, como eu descobri lendo o seu diário, que Jayme Monjardim me emprestou."

Garotas do Alceu/Reprodução
Marília também buscou referências no cinema, como no filme "Um Lugar ao Sol" (1951), com Elizabeth Taylor.

Elizabeth Taylor e Montgomery Clift em "Um Lugar ao Sol"
O cinema também inspirou o figurino dos anos 60. "Principalmente Jeanne Moreau, em filmes como 'A Noite' (1961), de Antonioni, e 'Trinta Anos Esta Noite' (1963), de Louis Malle. Era a coisa de fossa completa, bem Maysa", disse. Nas cenas desta década marcarão presença os tubinhos pretos, com pequenos casacos. "Mas não terá nada do futurismo de Cardin e Courrèges, que Maysa jamais usaria."

Monica Vitti e Jeanne Moreau em "A Noite", de Antonioni
É dos anos 70 a principal roupa utilizada na minissérie que saiu do próprio acervo de Maysa: uma túnica tipo marroquina, bordada a ouro, que vai aparecer na cena que reproduz um show da cantora no Canecão (que foi também reconstituído). "Usei a mesma roupa que era da Maysa, tive apenas que fazer alguns consertos e ajustes. Achei que ia ficar menor na Larissa Maciel, que eu pensava ser mais alta que a Maysa, mas coube direitinho. Elas têm praticamente o mesmo tamanho."
Nos anos 70, as túnicas vão dominar os looks de Maysa no seriado. "Ela abusou de túnicas, que usava com sandálias rasteiras. Ficava superbonita."
Escrito por Alcino Leite Neto às 02h23
SAI OU NÃO SAI?
Uma dica de leitura: a interessante reportagem da jornalista Cathy Horyn, do "New York Times", sobre os crescentes boatos de afastamento da editora Anna Wintour do comando da "Vogue" americana _e sua substituição por Carine Roitfeld, da "Vogue" francesa. A matéria chama-se "What's Wrong With Vogue?" (O Que Está Errado com a "Vogue"?) e pode ser lida no seguinte link: http://www.nytimes.com/2009/01/01/fashion/01ANNA.html?_r=1
Uma "quase conclusão" da reportagem: Carine não tem o perfil profissional e de "business" que o cargo de editar a revista de moda mais lida do mundo exige _o que Anna teria de sobra.
As declarações de Michael Roberts, editor de moda da "Vanity Fair" comparando Carine e Anna são as mais fortes: "Eu até agora não vi nada de Carine que me surpreenda do modo como ocorre com a 'Vogue' americana. Eu vi coisas excêntricas, sexies, mas não surpreendentes, como quando a 'Vogue' (americana) publicou uma foto de Nadia Auermann fazendo sexo com um cisne". É uma imagem, lembra a jornalista, feita por Helmut Newton no começo dos anos 90.
Uma curiosidade numérica da matéria: a "Vogue" francesa tem uma tiragem de apenas 133 mil, contra 1,2 milhões da americana.
Escrito por Alcino Leite Neto às 20h11
FASHION RIO COM NOVA ARQUITETURA
O Fashion Rio começa no próximo domingo com nova arquitetura, que redispõe sobretudo parte das tendas de desfiles e a sala de imprensa, na Marina da Glória, local onde é realizado.
A entrada para o evento será feita unicamente pela portão do Fashion Business (nº 7, na planta abaixo). Será preciso atravessar boa parte da feira de negócios para chegar à área de desfiles. Não haverá mais a entrada lateral, que obrigava os carros a darem uma tremenda volta. Resta saber se uma entrada única não provocará um grande congestionamento no local.
A sala de imprensa (4) será de frente para a baía da Guanabara, ao lado das salas Copacabana (2) e da Corcovado, o que deve facilitar para os jornalistas, principalmente quando chove. A sala Ipanema (5) permanece no mesmo lugar.
A cenografia do Fashion Rio, cujo tema é "Rio, Caleidoscópio Cultural Brasileiro", foi feita pelo diretor de cinema Ricardo Nauemberg e é inspirada na Lapa. Os famosos arcos do bairro boêmio terão uma "releitura" feita em banners gigantes (de 40 mil m2).

Escrito por Alcino Leite Neto às 20h04


