Última Moda
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KATE MOSS VAI FILMAR COM LEOS CARAX?

Crescem os rumores de que a top Kate Moss irá estrelar um filme do francês Leos Carax, um diretor muito talentoso, além de temperamental e avesso a badalações (não gosta de dar entrevistas, quase não se deixa fotografar etc.).

Segundo o jornal "Libération", o filme seria uma adaptação moderna de "A Bela e a Fera" e também uma espécie de variação do curta "Merde", que Carax fez com o seu ator-fetiche, Denis Lavant, para o recente longa-metragem "Tokyo!" (que ainda não teve exibição comercial no Brasil).

O próprio Carax descreveu assim a história de seu próximo filme: "Denis a rapta depois de uma seção de fotos de moda e a leva para os esgotos". Parece que é o primeiro filme de cinema do qual participaria Kate Moss.

Carax tem hoje 48 anos. Seus primeiros longas são dos anos 80, como os maravilhosos "Boy Meets Girl" (1984) e "Mauvais Sang" ("Sangue Ruim", 1986). Ao ver estes dois filmes, me tornei um fã ardoroso deste diretor, que parecia reunir o melhor do cinema tradicional francês (Cocteau, Renoir, Vigo...) com a herança da Nouvelle Vague (Godard, Rohmer, Rivette...).

Depois, meu entusiasmo se arrefeceu um pouco. Achei seus filmes seguintes um tanto grandiloquentes ("Os Amantes da Pont Neuf, 1991, e "Pola X", 1999). Mas é impossível não reconhecer que se trata de um dos principais nomes do cinema contemporâneo.

Há dez anos Carax não faz um longa-metragem. Exigente, ambicioso, ele não gosta de fazer concessões e realiza filmes sempre complexos e apaixonados, não se importando muito em agradar a massa de espectadores que enche os produtores de dinheiro.

No YouTube tem um filme sensacional de 1 minuto que Carax fez por encomenda do Festival de Cinema de Viena e vale a pena assistir. Incrivelmente, ele é o próprio ator deste microfilme bastante cínico: 

O trailer de "Tokyo!", longa que tem ainda os curtas de Michel Gondry e Bong Joon-ho, é muito legal. Quem quiser ver, é só clicar abaixo:

E, para quem não conhece, um dos momentos mais sublimes (e cults) do cinema de Carax: a sequência de "Sangue Ruim" em que toca "Modern Love", de David Bowie (hit na época) e em que o personagem Alex (Denis Lavant) começa a correr sem parar, numa verdadeira expiação física de sua paixão pela personagem Anna (interpretada por Juliette Binoche). O final é maravilhoso, uma imagem cinepoética da ausência e do vazio:

 

A sequência é evidentemente inspirada no final de "Os Incompreendidos" (1959), de François Truffaut, em que Jean-Pierre Léaud, menino, foge do internato, vestindo seu uniforme negro e austero, rumo ao mar. É um momento culminante do cinema moderno e, de certo modo, até mais radical do ponto de vista cinematográfico que a sequência do filme de Carax (porque estende muito mais o tempo da corrida e da fuga, quase não tem trilha musical e termina com o inquietante close final, que deixa o espectador sem fôlego e em completo desalento). Nunca é demais revê-la:

Ah, parece que o filme de Carax é inspirado na canção "La Belle et la Bête", na qual Kate Moss canta um trecho, ao lado de seu então namorado, Peter Doherty, e a banda Babyshambles. Tem este filminho feito num festival em Brighton, em que ela entra no palco, no final da música, para delírio da plateia:

"La Belle et la Bête" é também um dos filmes mais bonitos do poeta e diretor Jean Cocteau (1889-1963). Feito em 1946, com o grande ator Jean Marais, no papel da Fera (e Josette Day, como a Bela), é um clássico do cinema francês. Quem quiser assistir um trecho desta história fantástica e, afinal, trágica, que certamente servirá de referência em algum momento a Leos Carax, aqui está. O diálogo (notável, no filme inteiro) começa neste trecho com a Fera dizendo: "... como eu sou tão horrível!":

Escrito por Alcino Leite Neto às 16h18

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MENSAGEM DE FÉRIAS

Querida rapa,

Então, estou saindo de férias, que eu também sou filha de Deus. Mãããs, antes, deixo um post de final de temporada, daquele jeito.

Falando em temporada, a de desfiles internacionais começou mal, com o papo furado de Anna “Perucão de Cuia” Wintour, e terminou pior, com a vergonhosa tendência batizada de “nova modéstia”.

Nem vou entrar no mérito das roupas em si, sempre muito bonitas, cujas características estéticas já foram amplamente comentadas. Mas não posso deixar de notar que, se compararmos as coleções com o discurso de grande parte “dazelite-féxiun” sobre essas mesmas coleções, vamos chegar à conclusão de que o hit da temporada deveria ser a camisa de força, dado o ridículo das análises publicadas em sites, revistas e jornais mundo afora.

Vamos começar por esta preciosidade do “Grande Vocabulário Pusilânime”, a “nova modéstia”. Consiste, basicamente, em esconder o ouro. Wintour já havia cantado a bola, certo? “Nada muito Dubai”, disse a Zé Besteira, sempre muito aplaudida. Não mostre seus brilhos, suas jóias, suas “poo-priedades”, porque AGORA não pega bem.

Finja que você realmente está solidário com a pindaíba alheia. Claro que até anteontem, quando só os pobres estavam na lama, você podia esfregar todos os seus “brilhos” na cara deles, afinal estamos num mundo uber-democrático-pós-moderno, né? Mas agora muita gente rica perdeu dinheiro. Bancos foram à falência, querida fofolete, ai que pânica! Aliás, se você mostrar que tem muito, vai que alguém vem te pedir uma bufunfa emprestada, já pensou?  Melhor não. Vamos esconder o saldo, criticar o consumo e defender o “slow-fashion”, esse novo slogan publicitário maravilhoso que serve tão bem para fazer cartaz e mudar pencas de nada equanto for necessário.

A falsa, oops, nova modéstia é o que liga. Corta um pouquinho dos preços, endeusa o manjadérrimo hi-lo (roupa de loja pseudopopular + roupa cara) e fecha os códigos. O que é fechar os códigos? Você tira a maior parte dos ornamentos, foca nos tecidos caros e no “primor” dos cortes, escolhe cores sóbrias e esconde a logomarca. Assim, a aparência é de uma certa simplicidade. Mas só na foto (que é o que importa, right?), olhando de longe, sem os seguranças e o blindadão por perto, claro.

Eu não tenho nada contra o consumo em si, até porque seria uma posição ridícula. Afinal, as pessoas precisam comer, se vestir, a grana do país precisa circular etc. Mas, há escolhas que fazemos ao consumir. Escolhas que vão além de preto ou cinza, justo ou largo, couro de “bichinho”ou couro fake.

Quer ter o produto X? Morre se não tiver, “must have it”, feito um monólogo da Carrie Bradshaw? Então tenha a dignidade de bancar os seus desejos. Não venha se esconder atrás de couro ecológico, de falsa modéstia, de vale-caridade, de limpa-consciência. Essa covardia, que muitas vezes manifesta uma covardia de classe, é lamentável. É mais: é feia, horrorosa.

As coisas têm preço, e não é um preço que se pague só com grana. Vai andar feito vitrine de joalheria em São Paulo? Pode ser tomado. E aí não adianta chamar o Rambo pra te salvar. A realidade é uma só, não adianta fingir, brincar de escapismo infantilóide.

Quer “ter o direito” de usar lenço palestino só porque é “bonitinho”, sem ter a obrigação de saber o que ele significa? Ou vai entrar pro hype do protesto e limpar a consciência com o lencinho? Use, arrase, mas antes de usar, que tal ler algumas reportagens (aquiaqui e aqui) que saíram hoje? Nelas, os próprios soldados israelenses envolvidos nas ações contra os palestinos denunciam que foram incitados a matar crianças, civis desarmados e a incendiar casas, em resumo, a massacrar. Pense nos corpos enrolados nos lenços para os funerais, sinta o drama.

Quer seguir cegamente Annas, Carines, Suzys e Cathys da vida, pois então siga, cada um tem o sinhozinho que escolhe ter. Quer seguir a moda-fashionista no pique do hysterical-chic? Então, se jogue. Ninguém está em posição de julgar ninguém, certo? Mas depois não venha com chororô de que está tudo muito rápido, muito repetitivo, muito caro. E não faça cara de dó quando as empresas demitirem costureiras e alfaiates, porque isso também faz parte do jogo que você escolheu jogar, certo?   

Tem certeza de que conhece os seus próprios desejos? Então vá até o fim, defenda o seu esnobismo, se for o caso. Não faça a humilde, não se esqueça dos degraus que você escolheu subir, daqueles que você preferiu pisar, excluir ou ignorar. E aguente as consequências feito Homem, feito Mulher. Não se esconda feito rato quando a situação apertar.

Por isso, melhor seria rever os próprios desejos. Desejos não são espontâneos, isso não existe. Qualquer um que conheça um pingo de psicanálise sabe disso. Desejos são criados a partir de uma série de fatores_ fatores esses que os publicitários sabem explorar com maestria. Investigue os seus desejos, descubra se eles são mesmo seus, se vêm de você ou se alguém está te dizendo como e o quê desejar. E tire suas próprias conclusões.

E por hoje é só, "galerem". Obrigada a todos pelo interesse, pela paciência, pelos elogios e pelas críticas. A repercussão do blog tem superado as nossas expectativas. No final de abril, estou de volta. E seguimos "en la luchita". Besos. 

Em dúvida PS: Para quem reclamou da “falta de humor” (depende do ponto de vista, não é mesmo?), fica aqui uma singela piada-enigma dos Irmãos Marx em “O Diabo a Quatro” (“Duck Soup”, 1933):

 “Cavalheiros, ele pode parecer um idiota e falar como um idiota, mas não se deixem enganar: ele é um idiota."

  

Espelho, espelho [m]eu!

Escrito por Vivian às 19h15

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SAINT LAURENT: ARTISTA OU APENAS ESTILISTA?

Uma polêmica estourou na França nos últimos dias, envolvendo simultaneamente o mundo das artes plásticas e o da moda, por conta de uma grande retrospectiva de retratos feitos por Andy Warhol que será aberta amanhã, dia 18, no Grand Palais, em Paris.

Entre os quadros expostos, haveria um conjunto de quatro retratos de Yves Saint Laurent, emprestados pela Fundação Pierre Berger-Yves Saint Laurent. Porém, poucos dias antes da abertura da mostra, Berger _que foi companheiro do estilista_ pediu a devolução das obras, pois não gostou do local onde elas seriam instaladas, na seção XI, chamada "Glamour", ao lado de "portraits" de Hélène Rochas, Giorgio Armani, entre outras personalidades da moda e do estilo _todos feitos pelo artista americano.

"Foi o próprio Warhol quem disse que Saint Laurent era o maior artista francês vivo! E eu tenho sempre um princípio: Saint Laurent jamais desfila com outros costureiros", declarou Berger ao jornal "Libération". Segundo o curador Alain Cueff, Berger preferia que os quadros fossem expostos sozinhos numa escada ou colocados na seção "Artistas", ao lado dos retratos de Man Ray, Lichtenstein, David Hockney, entre outros.

Decisão complicada para o curador, pois, na escada, os quadros corriam riscos materiais. Colocá-los em outra seção, por sua vez, implicaria em dispensar alguma outra obra já emprestada, o que poderia acarretar problemas jurídicos. O mais provável é que a mostra abra sem as retratos do estilista.

A reivindicação de Berger suscita várias questões, entre elas: saber se um estilista tem o direito de estar no panteão reservado aos artistas, ou se ele estará sempre relegado ao mundo da moda (e do glamour). 

Pessoalmente, acho estas hierarquias bastante superadas, hoje. O próprio Warhol (1928-1987) foi responsável por quebrar muitos dos preconceitos do mundo da arte que ainda resistiam sua época, mesmo depois de todas as rupturas promovidas pelas vanguardas modernas.

Com isso, é claro,  não pretendo dizer que todos os estilistas possam reivindicar um lugar de honra na cultura. São muito poucos os que têm direito a fazê-lo _e Saint Laurent é certamente um deles.  

Abaixo, os quadros da polêmica, realizados por Warhol em 1974:

 

Saint Laurent segundo Andy Warhol (Reprodução)  

Escrito por Alcino Leite Neto às 10h51

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WHY SO SERIOUS? (OU A PIADA DO CORINGA)

Alexander McQueen - Out/Inv-2010 Paris/Reuters

   Palhaça da moda? (Diet)Cokehead?

"I started a joke, which started the whole world crying,
but I didn't see that the joke was on me, oh no."
("I Started a Joke", Bee Gees)

Escrito por Vivian às 21h07

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SE NÃO AGUENTA... 4

Não sou contra a ajuda e admiro muito os fundamentos da caridade cristã, que vão muito além da esmola, tão além que poucos têm coragem olhar para eles de frente. Aliás, ontem, no Café Filosófico, da Cultura, Leonardo Boff fez uma palestra muito bonita, dividindo sua compreensão altamente sofisticada e lúcida sobre o verdadeiro significado do amor cristão, além dos limites da religião.

De qualquer maneira, ajuda aquele que de fato ajudar, certo? E quem doa grana, que não pare de doar, mas que não faça carnê de consciência limpa. E quem ajuda, que ajude pianinho, sem chamar tanto a atenção para a sua própria "bondade".

 

Também não sou contra associação de estilistas, stylists e marcas com cooperativas e comunidades da periferia. Muito pelo contrário, suspeito de que nesse palheiro exista uma agulha-chave.

 

O que me intriga é a maneira com que as parcerias foram feitas até hoje. Temos os casos clássicos de quando a grife faz simplesmente uma encomenda a um grupo de artesãs de periferia, por exemplo. Claro, é bom para as artesãs, que levantam uma grana e para a grife, que “agrega” o tag “trabalho manual feito por cooperativa/moda social” ao seu produto. Tem também o modelo estilista convidado desenha roupas/uniforme para grupo/ONG/etc. Nesse caso também o grupo se diverte, ganha presentes, em certos casos, fatura com a venda das roupas “inspiradas” no próprio grupo.

 

Ou seja, sem dúvida há pontos positivos, mas falta algo essencial. Não se trata de negar o que já foi feito de bom, mas de pensar em novos passos.

Escrito por Vivian às 23h43

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SE NÃO AGUENTA...3

Roupas inspiradas na pobreza não são novidades também. Tivemos até a capacidade de criar uma tendência chamada “pauperismo”. Gostamos de olhar para pobres de outros países, incluindo aí o fascínio da garotada mudéérna pelo visual trailer/white-trash e pelos guetos americanos. Os “nossos” pobres são tanto mais interessantes quanto mais longe estiverem de nós. Se estamos em São Paulo, são bacanas os do Nordeste. Os do Rio, que logo associamos ao funk e ao samba, afinal, somos multiculturais. Um “regionalismo” sempre ajuda a quebrar o gelo.

 

 

Para falar do que conheço, pelo menos um pouquinho, cito o exemplo da periferia de São Paulo. Ninguém que more por lá (“lá” sendo regiões imensas e muito populosas) ganha muita simpatia, infelizmente. A relação é tensa e os pontos de encontro entre os dois lados da ponte são escassos. É uma pena. A periferia reúne bairros e comunidades onde a criatividade imposta pela necessidade construiu novos modos de viver junto e com pouco, novos modos de inteligência.

 

Tão pouco que a gente sente vergonha em olhar, não vergonha deles. Vergonha de voltar para casa e fingir que está tudo bem, levar a vida de boa, apagar da memória. E isso não é discurso meloso-demagógico, é o mínimo de espanto humano diante da crueldade de uma situação e da resistência diante dela. Não se trata também de dizer, oh, eles sobreviveram, batemos palmas e vamos deixar tudo como está, comer pipoca e ver novelinha. 

 

Muitas vezes quem por algum motivo vai a uma área pobre se posiciona como turista. Nesses casos, a proximidade física só faz escancarar o abismo, a distância que parece insuperável.

 

A distância é insuperável? Não sei. Mas apostar na versão de que a distância de alguma forma esteja relacionada a uma mudança de posicionamento e que, a partir desse ajuste poderemos encontrar soluções até então impossíveis porque não podiam ser “alcançadas” dado o nosso “ângulo de visão” , é um dos motivos pelos quais vale a pena viver.

Escrito por Vivian às 23h42

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FLASHS DE NOVA YORK

Vivian Whiteman tem tecido ótimas reflexões sobre moda e consumo neste blog (leia abaixo) e fico até sem graça de intercalar entre suas idéias algumas notas e fotos sobre as semanas de moda internacionais, que estou acompanhando desde meados deste mês. Como faz parte, porém, dos objetivos deste blog falar das fashion weeks, pensei em mostrar aos leitores os locais onde são realizados os eventos de Nova York, Londres e Milão, aproveitando a fartura do espaço virtual. Os comentários aos desfiles têm saído no jornal, na coluna "Última Moda" (às sextas-feiras).

Na próxima temporada, a semana de moda de Nova York muda-se para perto do Lincoln Center. Esta foi a última vez que foi realizada no Bryant Park, perto da Broadway, onde é erguida uma série de tendas, com entrada pela Sexta Avenida:

O hall de entrada é montado em torno de uma fonte do parque, que, durante o evento, naturalmente, fica seca. Ali são colocados telões e, desta vez, foi feita uma "homenagem" aos 50 anos da Barbie (aliás, a boneca mereceu um desfile com roupas criadas por vários estilistas):

O hall da Mercedes Benz Fashion Week (nome oficial do evento) é bastante reduzido, quando comparado com o espaço de que dispõe a São Paulo Fashion Week. Em torno da fonte, ficam os pequenos lounges, como o da Havaianas:

Para penetrar nas salas de desfiles, o convidado deve antes apresentar seu convite na entrada, para umas garotas que vão conferir em uma lista o lugar da pessoa. É um processo complicado, chato e pouco eficiente, que provoca longas filas antes das apresentações. Abaixo, as meninas da recepção do estilista britânico Matthew Williamson, que mostrou um dos melhores desfiles de Nova York:

São três tendas apenas para os desfiles, uma pequena, uma média e uma grande. Abaixo, uma imagem da tenda Promenade (média), onde ocorreu o desfile de Williamson:

Escrito por Alcino Leite Neto às 20h10

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FLASHS DE LONDRES

Assim como em Nova York, Milão e Paris, os desfiles em Londres acontecem em várias partes da cidade. Desta vez, porém, como o calendário londrino estava muito concentrado (a cidade perdeu dois dias no cronograma mundial da moda), grande parte dos desfiles ocorreu na sede da temporada da London Fashion Week, nos jardins do Natural History Museum. Como em Nova York, é montada uma gigantesca tenda no local, que abriga, além das salas dos desfiles, numerosos showrooms, lanchonetes e um restaurante. Na foto, a entrada da tenda; ao fundo, o museu:

Os showrooms ocupam não apenas o térreo, mas o andar superior, vendendo roupas, calçados, bijoux e todo tipo de acessórios:

 

Uma imagem da sala de imprensa:

A alguns passos dali, no Science Museum, acontecem os desfiles da mostra On/Off, com grifes independentes e ascendentes. Abaixo, duas garotas com guarda-chuvas recepcionam os convidados:

Vizinho aos museus, ocorre a Vauxhall Fashion Scout, uma outra mostra de jovens estilistas. "Scout", ou escoteiro, porque a casa onde são realizados os desfiles foi do fundador do escotismo, Baden-Powell (1857-1941) _uma coincidência bem ao gosto do humor inglês. A seguir, vista da entrada do local e detalhe da estátua do chefe dos escoteiros, zelando pelo local:

A semana de moda de Londres também está mudando de lugar na próxima temporada. Deixará os jardins do Natural History Museum e será feita na  Somerset House, um espetacular palácio neoclássico às margens do Tâmisa.

Escrito por Alcino Leite Neto às 19h59

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FLASHS DE MILÃO

Em Milão, o quartel-geral da semana de moda ocupa uma parte do megaespaço de feiras chamado Fiera Milanocity. Eis a entrada da sede da fashion week:  

O local tem três salas de desfiles (Montenapoleone, Senato e Borgospesso), onde em geral ocorrem os desfiles da manhã. O hall principal é espaçoso, com lounges de todo tipo em torno, sobretudo de publicações de moda. De tão grande (e, afinal, pouco frequentado), o hall tem sempre um ar de desolação pós-moderna:

Mas a maioria das principais grifes não faz seus desfiles na Fiera, que é longe do centro e da área chique de San Babila. Algumas marcas, inclusive, têm seus espaços próprios para as apresentações. É o caso de Giorgio Armani, que montou uma sala de desfiles (o Teatro Armani) no prédio da grife na via Bergognone. Abaixo, a entrada:

O prédio de Armani teve os interiores criados pelo arquiteto japonês Tadao Ando, que desenhou um espaço muito clean, mas imponente. Abaixo, vista do espelho d'água e, ao fundo, o restaurante do local:

Por fim, o Teatro Armani, onde o estilista apresenta seus "espetáculos". Na foto, o local antes da chegada dos convidados para o desfile da Emporio Armani:

A Dolce & Gabbana também possui seu "teatro" particular. Na verdade, construído no espaço onde antes funcionava um cinema, o Metropol, na viale Piave. Na foto, a muvuca na saída do desfile da D&G:

Abaixo, uma imagem do interior do Metropol, na hora do desfile da D&G, cuja coleção para o próximo inverno foi inspirada numa célebre apresentação da ópera "La Traviata" (repare no cartaz ao fundo):

E para não falar que não postei fotos de desfiles (que podem ser vistas aos montes nos sites específicos), coloco uma foto da coleção maravilhosa da Missoni, inspirada em motivos árabes e certamente uma das melhores da temporada até agora. Vendo de perto estas roupas, que exploraram dezenas de recursos de tecelagem e confecção, a gente entende o que é um trabalho de moda de verdade:

E, já que falei da Missoni, não resisto a citar as cinco coleções que mais me chamaram a atenção até agora. São elas:

1. Jil Sander e Calvin Klein: os estilistas Raf Simons (da primeira grife) e Francisco Costa (da segunda) dispensaram toda nostalgia e todo dejà-vu e provaram que a moda não parou no tempo; eles criam o "new look" do milênio

3. Missoni: um deslumbramento visual e uma apoteose técnica da famosa tecelagem da maison. Também criou uma imagem muito forte para o inverno, com suas mulheres "arabizadas", que pareciam sair de um filme technicolor baseado nas "Mil e Uma Noites"

4. Marni: o desfile foi de perder o fôlego, com seus xadrezes resplandescentes, as formas feéricas moldadas sobre jacquards, as incrustrações volumosas de pedras brilhantes sobre tecidos

5. Marc Jacobs: coleção polêmica, mas que deu o tom da temporada, com sua evocação otimista dos anos 80, a década que voltou com tudo nesta temporada.

E agora, por favor, voltem à Vivian.

Escrito por Alcino Leite Neto às 19h26

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PERFIL

Alcino Leite Neto Alcino Leite Neto, 49, é editor de Moda da Folha, jornal onde exerceu anteriormente as funções de editor da Ilustrada, do Mais!, de Domingo e de correspondente em Paris.

Vivian Whiteman Vivian Whiteman, 30, é jornalista cultural desde 1998 e repórter da editoria de Moda da Folha desde 2005.

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