O ABADE TRAVESTI
O erudito abade de Choisy (1644-1724), que fez parte da Academia Francesa e escreveu preciosos volumes sobre a história da França e da Igreja Católica, teve na juventude um estranho hábito: gostava de se vestir de mulher, apreciava o luxo das roupas, o brilho das joias e, como era costume em sua época, adorava cobrir o rosto de pintas.
A fim de exercer à vontade o seu gosto pelo travestismo, François-Timoléon de Choisy (nome de batismo do abade) preferia viver em bairros mais discretos de Paris ou na província. Nesses locais, costumava ser bem visto tanto pela pequena aristocracia quanto pelo clero, desde que não exagerasse em seu coquetismo e mantivesse a distinção. O fato de ele frequentar diariamente a igreja e ajudar em obras de caridade também contribuía para a sua aceitação.
O abade tinha, porém, outra paixão, além das roupas femininas: adorava levar para a sua cama lindas mocinhas e com elas se entreter em jogos eróticos. O que conseguia realizar com frequência, pois as famílias viam nele menos um homem do que uma rica e honorável "madame", incapaz de desonrar as garotas.
Toda essa história está narrada nas "Memórias do Abade de Choisy Vestido de Mulher", lançadas pela editora Rocco, com ótima tradução e esclarecedor prefácio de Leonardo Fróes. É um dos livros mais curiosos que li recentemente, tanto mais que há algo nesta obra que permite entender um pouco as relações intrincadas entre roupa, aparência e auto-satisfação.
Leia este trecho, em que o abade busca explicar sua psicologia: "Tentei saber de onde me vem esse prazer tão bizarro, e aqui está: ser amado, adorado, é próprio de Deus; o homem, tanto quanto sua fraqueza lhe permite, ambiciona a mesma coisa; ora, como é a beleza que faz nascer o amor, e como geralmente ela é o quinhão das mulheres, quando acontece de homens terem, ou acreditar que tenham, alguns traços de beleza que podem fazer amá-los, tratam eles de aumentá-los pelos adornos femininos, que são muito vantajosos. E é então que sentem o inexprimível prazer de ser amado. Mais de uma vez eu senti isso que digo como experiência agradável e, se acaso me encontrava em comédias ou bailes, com vestidos vistosos, diamantes e pintas pelo rosto, e se ouvia dizer perto de mim em voz baixa: 'Que mulher mais bonita!', experimentava em mim mesmo um prazer que não se compara a nada, de tão grande que é. Nem a ambição nem as riquezas, nem o próprio amor a ele se igualam, porque sempre nós nos amamos mais do que aos outros".
O mais espantoso, porém, na história do abade de Choisy é que seu gosto pelas roupas femininas tem uma origem "política", relacionada à sucessão do trono francês.
O irmão mais novo de Luis XIV, Philippe d'Orléans, foi criado _por determinação da rainha Ana da Áustria e do cardeal Mazarin_ entre meninas e com modos afeminados, para que no futuro não entrasse em disputa com o rei e repetisse assim o enfrentamento que houvera entre Luis XIII e seu irmão Gastão.
Como era próxima à corte, e seguindo uma "sugestão" da realeza, a mãe de François-Timoléon de Choisy também resolveu criar o seu filho como menina, a fim de que Philippe d'Orléans tivesse um amiguinho de trejeitos iguais para brincar, além das mulheres e garotas que cercavam o príncipe continuamente.
Havia, porém, uma pequena e determinante diferença entre o travestismo de François-Timoléon e o de Philippe, que o abade de Choisy descreveu assim, na maturidade: "Por mais bonita que fosse (ele se refere a Philippe no feminino), as damas da rainha me preferiam a ela; sem dúvida percebiam em mim, apesar das minhas toucas e saias, algo de masculino".
Bem mais que François-Timoléon, Philippe d'Orléans conservou durante boa parte da vida o hábito de se vestir com roupas femininas. Se a "educação" do príncipe, porém, o transformou num notório homossexual, a do abade de Choisy não foi capaz de tanto e conseguiu no máximo levá-lo a esta situação limítrofe e ainda mais perversa: fazer dele um monsieur que gostava de se passar por madame, mas conservava debaixo das rendas do vestido o gosto viril pelas mulheres.
Escrito por Alcino Leite Neto às 20h04
HUIS CLOS E INBRANDS
Tanto Clô Orozco quanto a Inbrands desmentiram a este blog os boatos que correram no final da última semana de que as grifes Huis Clos e Maria Garcia estariam entre as próximas aquisições do grupo de moda.
Escrito por Alcino Leite Neto às 19h11
VOLTA POR CIMA
O empresário Vicente Mello, que foi presidente da I'M (Identidade Moda), é o nome responsável pela primeira loja da Missoni no Brasil, a ser inaugurada no ano que vem, no shopping Iguatemi.
Vicente era quem pilotava a implantação da I'M, dona da Zoomp e da Fause Haten e que quase adquiriu as grifes de Alexandre Herchcovitch. Ele deixou a empresa depois da crise que atingiu a holding HLDC, dona da I'M. Para a operação Missoni, ele conta com dois outros sócios: Rodrigo Martinez e Roberto Jorge.
Escrito por Alcino Leite Neto às 16h33
HERMÈS NO CIDADE JARDIM
Está confirmada a data de inauguração da primeira loja Hermès no Brasil, no shopping Cidade Jardim. A festa de abertura será no próximo dia 13 de setembro. Todo o empreendimento foi bancado pelo grupo JHSF, dono do shopping, que construiu especialmente um depósito climatizado para abrigar os preciosos produtos da marca, por exigência da própria Hermès.
Há anos, a Hermès planeja se instalar em São Paulo e manteve alugado por longo tempo um terreno em local nobre nos Jardins, onde pensava abrir sua loja. Encontrou, no entanto, um entrave legal. Uma empresa carioca de venda direta de roupas, a Hermes, reivindicava o uso exclusivo do nome no país. Seguiu-se um longo processo, que culminou com um acordo entre as duas companhias. Nem uma nem outra marca gosta de falar no assunto.
A história é curiosa, pois entre as duas empresas há mais diferenças do que a pronúncia. A Hermès (se pronuncia "hermés") e a Hermes (se pronuncia "hérmes") estão situadas em lados opostos da economia da moda. A primeira grife é considerada a quintessência do luxo. A outra é voltada aos consumidores de baixa renda. Só mesmo no Brasil poderia ocorrer um episódio tão interessante e melindroso de homonímia e copyright, entrelaçando pobres e ricos.
Escrito por Alcino Leite Neto às 01h41
MAIS CIDADE JARDIM
Também no Cidade Jardim, será aberta em novembro a primeira loja Carolina Herrera no país. Os perfumes da estilista venezuelana-americana são recordistas de vendas no Brasil.
O shopping também vai de vento em popa na instalação de grifes mais "comerciais", como se diz, no segundo andar. Entre as atrações, lojas da Richards e da Vivara. O terceiro andar terá novos restaurantes, inclusive um árabe, ainda a ser definido, e uma filial da churrascaria Pobre Juan. O cinema também será ampliado, mudará a entrada e ganhará duas novas salas.
Escrito por Alcino Leite Neto às 01h40
QUANTÉQUIÉ? OI?
Então, saíram os preços dos ingressos para ver o Oi Fashion Rocks.
Quanto? Baba beibe: de R$ 700 a R$ 1.200. Tá me tirando, tio?
Sinceramente? Eu pegaria esse dinheiro e passaria uns dias na praia. Se desse saudade da Mariah (única atração musical confirmada para o evento), bastaria vestir um top de crochê e botar aquele Greatest Hits amigo pra tocar. Aí é só mergulhar na dublagem.
Olha a nota oficial e a tradução:
Foi dada a largada para venda de ingressos do Oi Fashion Rocks. Um pequeno lote inicial de convites está sendo direcionado para uma lista de nomes selecionados via “insiders” de todo Brasil, que são pessoas escolhidas a dedo pela organização do evento. Trata-se de uma oportunidade de levar o Oi Fashion Rocks a todo o país. A lista compreende jet setters (gente rica que gosta de ser "convidada"), empresários (gente muito rica que patrocina eventos e que não paga ingressos), artistas (que vão de graça ou receberão cachê-presença), pessoas ligadas as áreas de moda e música e formadores de opinião (gente que vai divulgar o evento, como estou fazendo agora). A mecânica é bem simples: o mailing selecionado recebe uma senha através de email e pode adquirir um número limitado de ingressos via internet.
Os convites variam de R$ 700,00 a R$ 1.200,00. A partir do dia 8 de setembro as vendas (para quem não se encaixa nas categorias acima, e que de fato vai pagar pelo ingresso) começam a ser realizadas via site oficial do evento (www.oifashionrocks.com.br).
Escrito por Vivian às 17h28
NOVOS E ABSOLUTOS
Um pouco atrasadas, é verdade, mas aí vão algumas impressões sobre o desfile de jovens designers bancado pela Absolut e dirigido pela jornalista e fofolete Camila Yahn. O evento rolou na última terça-feira e funcionou como uma boa apresentação para as três grifes selecionadas, que tiveram plateia e casting tipo São Paulo Fashion Week.
A.Boom – A abravanista
O que foi legal: A estamparia ultracolorida, feliz da vida. As jaquetas, o camisão-casaco estampado (lindo!), o macacão feminino, a saia volumão e todas as peças masculinas
O que não foi tão legal: Os vestidos assim meio curtos, meio longos, meio lisos, meio estampados, meia mussarela, meia calabresa, sabe? Recicla "os tecido", A.Boom!
Renato Paiutto – O vestidista
O que foi legal: Todos os minivestidos secos e, especialmente, o vexxtidinho com uma cena estampada em paetê e barra xadrez. Se ele estivesse produzindo, venderia pencas.
O que não foi tão legal: Os balonês, que sofrem no momento daquela síndrome do excesso de exposição, tipo Juliana Paes (mas estavam bem feitos, é verdade). Congela "os balão", Paiutto!
André Lacerda – O pedricoelhista
O que foi legal: A blusa (chiquérrima) com ombros de fora e volumes nas mangas foi o ponto alto das peripécias em neoprene, coisa fina. Mas, no backstage, André escondeu uns vestidinhos hot de malha cirúrgica gritando nude+bondage (sucesso!) que deveriam estar na passarela
O que não foi tão legal: O neoprene é uma faca de dois “legumes”. Algumas peças ficaram com costuras “gorduchas” por causa da complexidade da modelagem. Emagrece "os contorno", Lacerda!
Glossário:
Abravanista - Seguidor do Abravanation, fã de Dudu Bertholini, Fabio Gurjão, Rick Castro, gente sem medo de estampar
Vestidista - Aquele que tem olho, know-how, goixxto e talento para fazer vestidos
Pedricoelhista - Fã seguidor de Glória Coelho e Pedro Lourenço, pessoa com apego ao fashion-futurista-aristocrático
Escrito por Vivian às 18h57
CINEMA E MODA
O ciclo "Cinema, Corpo e Moda" faz seu segundo encontro amanhã, dia 18 de agosto. O tema será "A aparência e o vestuário na narratividade histórica", com análises a partir do filme "A Duquesa", que ganhou o Oscar de melhor figurino em 2009 (para Michael O'Connor). Os palestrantes são os professores Ana Claudia de Oliveira, Jô Souza, Mirella Diniz Luiggi, Suely Garcia e Valeria Pereira da Silva. O evento acontece das 9h às 12h, no Auditório Banespa - PUC/SP (r. Monte Alegre, 984, tel. 11-3670.8000). A entrada é gratuita, mas as vagas são limitadas.
No dia 25, acontece o último encontro, no mesmo horário e local. O tema será "Estilismo e a criação de moda em documentário performático", com a exibição de "Identidade de Nós Mesmos ou Anotações para Roupas e Cidades", o ótimo filme que Wim Wenders fez a partir do trabalho de Yohji Yamamoto. Os participantes do debate são os professores Ana Claudia de Oliveira, Cíntia Fernandes, Jô Souza, Luciano Ramos e Ana Shirlei Araújo.
O ciclo, que fez seu primeiro debate no dia 11/8, é realizado pelo Centro de Pesquisas Sociossemióticas (CPS), da PUC-SP. A coordenação do evento é da professora Ana Claudia de Oliveira, e a organização, da professora Jô Souza.
Escrito por Alcino Leite Neto às 17h05
O FIM DO MUNDO
Uma das imagens assustadoras do novo trailer do filme-catástrofe "2012", de Roland Emmerich, mostra o Cristo Redentor se desfazendo sobre uma paisagem tenebrosa do Rio de Janeiro. É apenas o início de uma série de destruições espetaculares de monumentos e cidades no mundo todo.
Escrito por Alcino Leite Neto às 22h06
NOVOS DESIGNERS
Acontece na próxima terça, dia 18, o desfile do evento "In An Absolut World", organizado pela jornalista de moda Camila Yahn e promovido pela vodca Absolut. Dedicado a revelar novos talentos, o evento vai levar pela primeira vez às passarelas as criações do coletivo A Boom e dos estilistas André Lacerda e Renata Paiutto. Às 20h, no Cartel 011 (r. Arthur de Azevedo, 517).
Escrito por Alcino Leite Neto às 17h46
COLÔMBIA OLHA O BRASIL COMO MODELO PARA SEU MERCADO DE MODA
POR MAURICIO MORAES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Dona de uma larga experiência na confecção de vestuários de alta qualidade para exportação, a Colômbia quer se tornar um pólo de criação de moda e agregar valor às marcas. E o Brasil serve de modelo nesse processo, como mostrou a Colombiamoda, em Medellín, realizada entre 28 e 30 de julho.
O evento foi aberto pelo estilista mineiro Ronaldo Fraga, que repetiu na passarela montada no moderno jardim botânico da cidade seu desfile Disneylândia, apresentado na última edição do São Paulo Fashion Week. Convidado especial, Fraga se mostrou um entusiasta da integração latino-americana. Mas os colombianos estão mais interessados nas oportunidades de negócios.
Depois das feiras de moda do Brasil, a ColombiaModa é a mais rentável no continente. A estimativa é que os contratos travados no evento rendam mais de US$ 10 milhões em negócios (ainda muito distante do Fashion Business, no Rio, com um volume de R$ 443 milhões na última edição, segundo o evento). A fashion week colombiana é promissora. Hoje a indústria têxtil e a do vestuário respondem por 10% do PIB colombiano (de US$ 198,5 bilhões) e concentra 23% do emprego industrial do país, segundo a InexModa.
Tradicional exportadora para Venezuela e Equador, a Colômbia vem amargando uma queda significativa nas vendas para esses países nos últimos meses. Para compensar a baixa, reflexo da tensão política com os vizinhos, o país busca novos mercados para seus produtos. E o setor é considerado estratégico pelo governo colombiano, tanto que o próprio presidente, Álvaro Uribe, abriu a semana de moda de Medellín. Mas para se destacar e agregar valor, os colombianos sabem que é preciso fortalecer seu setor de criação.
“Nós convivemos com dois estilos de moda na Colômbia, um mais voltado para a Europa e outro mais voltado para dentro do país. São duas propostas muito distintas. Sentimos que a única forma de termos sucesso e quando se consegue uma proposta própria, sem imitações, que faz a diferença”, diz Clara Enriques, diretora comercial e de mercado do evento. "Temos que aprender muito com o Brasil, a fortalecer marcas, a criar valor agregado", afirma.
Uma das mais conhecidas estilistas do país, Isabel Henao diz que o setor de criação e confecção ainda vivem em mundos separados. "É preciso criar uma marca-país sustentável e produzir alianças entre os estilistas e o setor têxtil", defende a estilista, mais conhecida por seus modernos vestidos de noiva. Dona de três lojas próprias na Colômbia, Isabel tem planos para expandir os negócios para os Estados Unidos e os vizinhos latino-americanos e se mostra otimista com as perspectivas.

Desfile da grife Leonisa
Quem já trilha há tempos esse caminho é a marca de lingeries e roupas de banho Leonisa. A empresa se internacionalizou há 40 anos e hoje tem negócios em oito países, incluindo Espanha e Estados Unidos. "Nossa meta agora é fortalecer os negócios na América Latina", diz Juan Jiménez, diretor de publicidade da grife. Segundo ele, os produtos colombianos são muito bem aceitos no mercado externo. Na passarela de Medellín, os biquínis floridos e cheios de babados causaram frisson (menos entre as brasileiras, acostumadas a um design mais ousado).
Reconhecida como uma marca colombiana, a Leonisa talvez esteja na vanguarda do processo de internacionalização colombiana. De acordo com Jiménez, nem a crise causou grande impacto nas vendas: "O maior impacto veio no mercado do Equador e da Venezuela", conta. Para ele, a política é ainda o principal obstáculo para a moda colombiana.
O jornalista Mauricio Moraes viajou a Medellin a convite da InexModa, organizadora da ColombiaModa
Escrito por Alcino Leite Neto às 12h52
O BURQUÍNI E A HIPOCRISIA
E quando todos achavam que estariam livres dos meus gigatextos... Enfim, força na leitura e, please, deixem suas impressões e comentários.
Já disse aqui que peguei nojo da palavra tolerância. Se alguém vem com esse papinho de “precisamos ser mais tolerantes” eu desconfio _ desconfio da ingenuidade, da falsidade de intenções, do cérebro vazio ou até mesmo do cinismo.
Sarkozy, o marido da Carla, vem dando um ótimo exemplo do quanto essa palavra vem sendo mal usada mundo afora. Corre na França um projeto para prioibir o uso de burcas _ vestimenta tradicional usada por mulheres muçulmanas, que pode cobrir parte da face ou o rosto inteiro. Nos colégios e escolas públicos franceses, o uso já foi proibido. Há inclusive quem queira proibir também os hijabs (lenços que cobrem cabelos e pescoço). Aliás, a ignorância faz com que muitas pessoas confundam os dois.
O presidente francês considera a burca uma ofensa à liberdade feminina. É preciso que os muçulmanos tenham lições de tolerância para com suas mulheres, elas não podem ser tratadas com regras tão rígidas, não podem ser tão submissas a regras de vestimenta, diz ele em seus discursos sobre o tema. Muito bem.
Nesta semana, uma moça que vestia um burquíni _um macacão inteiriço com saiote e que também tem proteção na cabeça_ foi impedida de nadar numa piscina pública francesa. A justificativa oficial foi a seguinte: ela não estava usando roupa de banho.
Vamos pensar, organizar as informações.
1 – A moça estava, sim, com roupa de banho. Talvez não fosse um biquíni, um fio dental, um maiô de tia, mas era uma roupa de banho. Vejam, não se trata de alguém de calça jeans dizendo: hey, essa é minha roupa de banho. O burquíni é fabricado em diversas partes do mundo, e, principalmente nos países islâmicos, pode ser visto em praias, piscinas e até em competições esportivas oficiais de natação. Com a proibição, fica determinado que as autoridades francesas agora podem decidir os tipos de roupas de banho aceitas nas piscinas. As variações ocidentalizadas são bem-vindas, as que tocarem fora do coro, não.
2 - Apesar da justificativa oficial, obviamente furada, ficou claro que a proibição da presença da moça na piscina estava ligada à questão da proibição da burca no país. Há um projeto para proibir o uso da burca na França, ainda não aprovado, mas a proibição já ocorre, com as autoridades fazendo uso de subterfúgios, falácias e ideias camufladas.
3 - Para Sarkozy, é humilhante que as mulheres usem burcas. E não é humilhante ser abordada pela polícia, ser retirada de um espaço público feito um criminoso ou alguém acometido por grave doença contagiosa?
4 – A tolerância só funciona de um lado da moeda? A mulher deve ter o direito de não usar a burca. Ok, correto. Mas, a mulher também não deveria ter o direito de, sim, usar a burca? O direito, portanto, é reduzido a "não usar". Como a mídia internacional trata o assunto mal e porcamente, vale lembrar que muitas mulheres escolhem usar a burca, por livre e espontânea vontade. Há inclusive movimentos exclusivamente femininos em defesa do direito de usar a burca.
5 – Entre as mulheres que defendem o uso da burca, há um argumento interessante. Sem a burca, elas se sentem muito expostas e desconfortáveis. Colocá-las num shortinho à brasileira, por exemplo, ou num vestido com decotão, seria um horror para essas moças. Elas se sentiriam “violentadas”, como li no comentário de uma mulher de 27 anos num site pró-burca.
6 – É claro que existem países, ou melhor, certas localidades dentro de certos países, onde há punições horríveis para mulheres que saem às ruas sem burca ou sem lenço. Essa é uma questão que deve ser discutida pelas mulheres atingidas, em conjunto com outras pessoas que realmente estejam interessadas em ajudar, a partir das necessidades reais manifestadas diretamente por essas moças e senhoras prejudicadas pelas leis de vestimenta.
7 – O marido (ou o pai, ou o irmão) proíbe a moça de sair sem a burca. Sarkozy proíbe a moça de sair com a burca. Ou seja, a mulher continua não apitando nada. Não seria menos hipócrita e menos preguiçoso, já que esse assunto parece tão importante ao “modo de vida francês”, pensar num modo em que a decisão sobre o uso coubesse tão somente às mulheres? Uma estratégia decente cobriria inclusive a possibilidade de aplicar multas severas ou prender os maridos/familiares que quisessem submeter as moças usando de força física, cárcere privado ou terror psicológico. É ou não é? Vai fazer cena ou quer resolver o lance de verdade? Vai ser estadista ou quer dar uma de príncipe no cavalo branco? Dá um tempo, Sarkozy, sai dessa vida, irmão.
8 – Principalmente depois do tal 11 de Setembro, a cultura islâmica vem sido vilipendiada, ridicularizada e transformada em motivo de chacota, em sinônimo de atraso. Tudo da maneira mais ignorante, baixa e covarde possível. É de fato uma desgraça em termos de entendimento do mundo em que vivemos e de suas diferenças reais, aquelas que muitos não querem incluir em seus discursos furados e vazios sobre tolerância.
9 – Há problemas ligados à questão da burca e a liberdade da mulher? Certamente que sim. A porção média e oriental do mundo vai precisar rever suas regras de convívio social? Tudo indica que sim, e já está acontecendo. Mas o mundo ocidental não é o dono da verdade nem pode dar muito pitaco no angu alheio. Os índices de violência contra as mulheres_ e eu estou falando aqui de pancadaria séria e de assassinatos_ é altíssimo nas nações "desenvolvidas". Na França, segundo pesquisa divulgada em 2008 com dados de 2003/04, a cada 4 dias uma mulher é morta por seu marido, namorado ou familiar do sexo masculino. E, num outro aspecto, o que dizer das beldades seminuas em anúncios de cerveja, programas de TV e revistas, do culto à exibição vulgar de corpos com selos publicitários, da reificação de bundas e peitos gigantescos? Essa é “a imagem” da liberação feminina? Então, tá. Tentar fazer do machismo e da truculência características sempre ligadas “ao islamismo” ou “aos árabes” ou “aos muçulmanos” é uma forma de criar estereótipos mentirosos, de estimular a segregação, a estupidez e o preconceito.
10 - No mundo atual, não há como falar de tolerância (apesar de a palavra estar em todas as bocas). Precisaríamos, só de começo, passar por um dilúvio de intolerância total, intolerância a tudo, vejam bem, TUDO o que atentar contra a liberdade humana. Só nesse “start” já está contido o abacaxi do milênio: redefinir o que é liberdade destruindo sem dó nem piedade todas as ideias publicitárias/capitalistas sobre esse tema. Aí então poderíamos começar a falar em tolerância tendo o coração tranquilo.
11 – Eu não sou muçulmana nem uso burca, mas admiro as mulheres que brigam para manter essa vestimenta (ou as variações modernizadas dela) ativa. Não acho que deva existir um retorno a valores antigos ou mais rígidos (isso sempre leva a demonstrações de selvageria, criação de novas “minorias” e outros atrasos de vida). Porém, admiro a ideia de uma pessoa defender aquilo em que acredita, defender sua religião, por exemplo. Pelo pouco que já li nos e sobre os livros sagrados islâmicos, há, ao contrário do que a turba desinformada e mal-intencionada gosta de alardear, muito respeito às mulheres. Há, aliás, um tipo de adoração ao feminino que nós ocidentais sequer conhecemos. Os conceitos de modéstia e proteção, quando aplicados às mulheres, são descritos com palavras de amor, de respeito, de cuidado. Nem sempre os próprios islâmicos interpretam os textos de maneira razoável, abrindo espaço para a ação dos brutos e para o domínio da ignorância_ muitas vezes com a conivência e incentivo de nações ocidentais, não custa lembrar. Assim também ocorre com muitos católicos e evangélicos que interpretam as palavras da Bíblia de forma lamentável e leviana.
12 – Vamos impedir os judeus de usar quipá ou as judias ortodoxas de andar de saião, manga comprida e meia-calça no verão de 40 graus? Vamos impedir as mulheres africanas de colocar anéis no pescoço ou de usar lenços para esconder os cabelos? Vamos gongar as japonesas que gostam de usar trajes tradicionais? Vamos odiar os índios que marcam suas crianças com fogo e desenhos feitos a faca? Vamos prender as mães que vestem suas meninas de minichacretes e as levam para aplicar botox aos 17 anos? Vamos botar na cadeia a Rachel Zoe (só para não perder o costume hahaha) por ter disseminado o padrão de beleza "cadavericamente magra/morta de fome" na mídia celebrity-fashion mundial? Quem é que decide o que é normal, o que é anormal, o que é aceito e o que ofende? De novo, o que é liberdade e será que realmente estamos brigando por ela? Quem quer realmente ser livre e assumir a bronca?
13 - Dane-se a maldita hipocrisia neoliberalpósmodernasupercool. Insuportável.
+ 1 - O uso da burca tradicional é percentualmente pequeno. O traje mais usado por mulheres muçulmanas nas ruas consiste em: roupas que cobrem o corpo (incluindo pernas e braços) e um lenço que esconde os cabelos e o pescoço ou, no caso dos países com patrulhas mais rígidas, uma versão da burca que não cobre todo o rosto.

Uma moça e seu burquíni vão à praia
Escrito por Vivian às 21h44
TIPO MISS
Não sei vocês, mas eu adoro concurso de miss. É uma cafonalha destemida, um festival de besteiras, muitos desejos de paz mundial e moças treinadas para parecerem ligeiramente "pasmas". Muitas operam na base do tico e teco mesmo, mas desconfio que existam outras bem inteligentes. Não seria ótimo descobrir uma miss gênia, tipo uma nerd disfarçada em trajes típicos? Dá até um romance.
Dá um bico no traje típico da miss Colômbia


Meio Katy Perry, Lovefoxxx e Lily Allen, né? Eu amei.

E a russa, toda Marcelo Sommer!!!
Enfim, bem mais divertido e interessante do que muito desfile por aí... E dia 23 tem a transmissão do Miss Universo. Ui!
Escrito por Vivian às 18h53
YAZBUKEY + LACOSTE
Nesta sexta na nossa coluna da Folha, temos uma entrevista com as moças da grife Yazbukey, criada pela Yaz e pela Emel, duas irmãs que nasceram na Turquia, cresceram viajando pelo mundo e se estabeleceram em Paris.

As Yazbukeys com seus dogs
A dupla, que faz acessórios para Björk, Kylie, Gwen Stefani, Courtney Love, Rolling Stones e mais um balaio de celebrities, vai participar do projeto “Evolução Francesa”, um intercâmbrio Brasil-França patrocinado pela Lacoste e que vai trazer novos nomes da cena cultural francesa a São Paulo. Abaixo, vocês poderão ler trechos da entrevista que não estão versão impressa, ver fotos das criações da Yazbukey e também dar uma bizoiada nas outras atrações do projeto.
Yaz, o que você sabe sobre a moda brasileira?
Conheço as criações de Alexandre Herchcovitch e de Reinaldo Lourenço. Gosto muito do estilo deles.
Qual é o hit da nova coleção de vocês?
O colar Sebastien Tellier, claro [na foto abaixo].
PS rápido: O Tellier é um cantor incrível que vai tocar no Brasil ainda neste ano (no festival Coquetel Molotov, em Recife).

E a parceria com o Mick Jagger?
Na verdade, fizemos camisetas para todos os integrantes dos Rolling Stones. Eles usaram as peças nas apresentações ao vivo.
Vocês prefere trabalhar com bijouterias ou jóias verdadeiras?
Eu amo trabalhar com o fake. Por exemplo, tenho um colar de diamantes lindo, todo feito de plexiglass [uma espécie de acrílico]. Adoramos o efeito trompe l’oeil e as influências do surrealismo. Não é à toa que somos chamadas de netas da Elsa Schiaparelli!
Qual é o futuro da moda de rua?
Infelizmente, acho que caminhamos para os uniformes. Então, precisamos batalhar para tornar a moda de rua interessante e para assumir nossa criatividade.
+ infos sobre a Yazbukey
- Emel e Yaz já trabalharam com Lacroix, Martine Sitbon, Gaspard Yurkievich, fizeram trabalhos para Absolut, Swarovski, Levi’s e Coca-Cola



- Além de bijoux, bolsas, sapatos e chapéus, elas também fazem algumas roupas e uma linha de modelitos para cães
Outras atrações do “Evolução Francesa”
Jean Michel Bertin
Artista multimídia, ele fez várias campanhas para a Tsumori Chisato e é o responsável pelo design de palco de um monte de gente, como a cantora Yelle, a dupla Justice e o gatão Kanye West.
Yelle e um trampinho do Bertin
Bertin faz pose
DJ Clara 3000
Diz que a moça é a nova aposta do Ed Banger. E ela é lindinha, óia só!

Escrito por Vivian às 21h25
LUTO TOTAL
Gente, o John Hughes morreu.

Molly Ringwald, a musa
Quem cresceu (e alegremente "retardou" um pouco) vendo "Curtindo a Vida Adoidado", "Clube dos Cinco", "Gatinhas e Gatões" e "A Garota de Rosa Shocking" sabe do que eu estou falando. As comédias/draminhas teens devem tudo ao Hughes.

Ferris Bueller!
Tio Hughes, obrigada por ter colocado Molly Ringwald, Anthony Michael Hall, Emilio Estevez, Ally Sheedy e Matthew Broderick em nossos melancólicos dias de sessão da tarde pós-escola.

Anthony Michael Hall, o nerdinho
PS: Muitas moças se revoltaram com a vida depois de ouvir as patricinhas de "A Garota de Rosa Shocking" perguntarem à menina legal (e pobrinha, interpretada pela Molly): "você compra suas roupas numa loja brega?" (ou algo do tipo). Claro que depois a mocinha arrasa toda trabalhada no modelobrechó-remake-feito em casa, fica com o galã e as peruas se mordem inteiras de inveja. Lições de vida (furadas hahahaha) que só Hughes poderia nos dar.
Escrito por Vivian às 21h21
DO IT YOURSELF
O dinheiro tá curto, e o povo está adorando essa onda de tutoriais em vídeo, ou seja, um "faça você mesmo" filmado. De um muffin colorido a um vestido de noiva, as opções são mutchas, basta procurar.
Selecionei aqui alguns links só para começar. Visite, copie e descubra a Palmirinha (Espero que vocês gostaram, minhas amiguinha!) ou a Martha Stewart que existe em você.
ThreadBanger - http://www.youtube.com/user/ThreadBanger
Neste canal do You Tube tem como fazer toucas, vestidinhos, canteiros de ervas, bolos decorados, cópias de modelitos Balenciaga, bustiês de tricô (se você fizer a linha Mariah Carey), orelhas de coelho e outras doçuras mais.
PurseBuzz - http://www.youtube.com/user/pursebuzz
Quer fazer o cabelo da Britney em "If you Seek Amy", da Kate Perry em "Waking up in Vegas" ou da Lady Gaga em Poker Face? Quer imitar o make da Hillary Duff, aprender a fazer cachos ou ter dicas básicas de maquiagem? Tem tudo aí, amiga.
Howdini - http://www.youtube.com/user/HowdiniGuru
Esse endereço reúne vários canais, mas o meu preferido é o de drinks. Ensina a fazer Cosmopolitan, mojitos e um "Martini perfeito", entre outros. Para quem gosta de produtos orgânicos, a seção "green living" também tem coisas bacanas.
Nail Thing - playlist aqui
Unhas coloridas, com brilhos, desenhadas, francesinhas, bafônicas, cafonas; escolha a sua.
Home Skin Care - playlists aqui e aqui
Esfoliante natural, máscara relaxante, de mel, de morango, loção contra a acne, tudo feito em casa com produtos naturais.
Quem tiver maixxx links pode indicar. E as mais animadas, quem sabe, não montam seu próprio "TV Mulher" online? Você, moça empreendedora e prendada, demonstre o seu talento e fique podre de rica. Bjocas 4all!
Escrito por Vivian às 19h14


